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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Soares quer preservar património industrial do Barreiro

Ministro da Cultura diz que património "é único".

06 de abril de 2016 às 15:44

O ministro da Cultura, João Soares, afirmou esta quarta-feira que o património industrial e ferroviário do Barreiro é "único" e deve ser preservado, defendendo ser necessário encontrar soluções "com imaginação e inteligência em tempos difíceis".

"O Barreiro tem um património único a nível industrial, talvez o mais importante do país, e também a nível ferroviário tem um património importante, que é preciso preservar. Tem de contornar a falta de recursos financeiros com imaginação e inteligência", afirmou.

João Soares esteve esta quarta-feira no Barreiro, visitando vários locais do concelho, como o Espaço Memória, o património industrial, ferroviário e moageiro, as oficinas da EMEF e o Auditório Municipal Augusto Cabrita.

"Não podemos fazer milagres, porque os recursos são reduzidos. É um contexto difícil, com algumas bombas que têm rebentado, como o caso do Banif, mas temos de dar a volta à situação", salientou.

O ministro da Cultura defendeu um trabalho em colaboração com as autarquias, mas também o recurso a entidades privadas.

O presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto (PCP), referiu que a visita serviu para mostrar o património existente no concelho e, também, a muita cultura que se faz no Barreiro.

"Queremos continuar a trabalhar e o Ministério pode dar apoios. É preciso preservar o património ferroviário, industrial e moageiro. O Barreiro deve, também, ser uma referência nacional como terra de resistência e queríamos mostrar ao ministro que aqui se faz muita cultura e que envolve o trabalho de muitas pessoas", salientou.

O autarca defendeu a importância de Lisboa ser uma "cidade-região", articulando-se com todos os outros concelhos a norte e a sul do Tejo, anunciando também algumas novidades.

"Estamos em contactos avançados com as Infraestruturas de Portugal em relação à antiga estação fluvial, de modo a que se avance para uma iniciativa em que se encontrem parceiros que possam dar utilidade ao espaço", defendeu.

O presidente da CP, Manuel Queiró, defendeu que esta visita pode ser um marco na relação entre o estado e a CP na área cultural.

"Já combinámos um encontro para inaugurar um novo tipo de relação entre a CP e o Estado na área cultural. A CP já tem uma carga cultural muito grande na sua atividade", defendeu.

Manuel Queiró aproveitou a oportunidade para referir que a empresa faz o seu serviço com recurso apenas das verbas provenientes dos bilhetes.

"Portugal é pioneiro no mau sentido, pois é o único país europeu em que se vive dos bilhetes. A CP faz serviço com o dinheiro dos passageiros. O pacote ferroviário europeu de 2018 defende contratos de concessão, que estão em vigor em todo o lado menos em Portugal, pois terminou em 2000 e nunca foi renovado", disse.

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