Líder do Chega foi instado a comentar o caso do abuso por parte de um padre que foi denunciado ao cardeal patriarca mas não foi participado às autoridades judiciais.
O presidente do Chega, André Ventura, defendeu esta sexta-feira que os abusos sexuais de crianças na Igreja Católica são "um cancro" que tem de ser combatido.
Em declarações aos jornalistas no Palácio de Belém, no final de uma audiência com o Presidente da República, o líder do Chega foi instado a comentar o caso do abuso por parte de um padre que foi denunciado ao cardeal patriarca mas não foi participado às autoridades judiciais.
"As notícias que eu vi ontem preocuparam-me muitíssimo, sobretudo por haver a mínima suspeita ou possibilidade de que responsáveis religiosos pudessem tentar ocultar da justiça este fenómenos", afirmou, defendendo que "é um dever de todos os católicos denunciar estas situações".
E afirmou que se fosse cardeal patriarca "teria comunicado" este caso "à justiça, mesmo contra a vontade da vítima", apontando que não vê "razão nenhuma" para o anterior e o atual patriarca "ocultarem da justiça o que quer que seja em matéria de abusos sexuais de crianças".
"Nós temos que acabar com o abuso sexual de crianças e isto na Igreja é um cancro" que "tem de ser completamente anulado", salientou Ventura, frisando que "doa a quem doer, isto é um cancro que tem que acabar na nossa sociedade" porque "deixa marcas para a vida toda e tem de acabar".
O presidente do Chega afirmou que "a nível mundial há um problema na Igreja" e esta instituição "tem que ter a força não só de denunciar como de enviar para a justiça".
Considerando que "a Igreja nesta matéria não se pode fechar nela própria" e "pode fazer a sua análise e a sua prevenção", André Ventura defendeu que "é o Ministério Público e a Polícia Judiciária que têm de fazer estas investigações" pois são quem tem "os instrumentos, os mecanismos e a forma de o fazer".
E apontou que o Chega defende "a castração química para pedófilos, para todos, sejam eles religiosos ou não".
O líder do partido de extrema-direita mencionou ainda que foi seminarista e, quando começou a sua resposta, tirou do bolso um terço e afirmou que tinha rezado hoje "precisamente por causa disso", pelo cardeal patriarca e "pelo que tinha acontecido na Igreja".
O cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, assegurou hoje que "desde a primeira hora" deu instruções, no Patriarcado, "para que a Tolerância Zero e a Transparência Total sejam regra conhecida de todos" quanto ao abuso de menores.
Numa carta aberta em que procura esclarecer o que "testemunhou" no caso do padre acusado de abuso denunciado em 1999 ao anterior patriarca, José Policarpo, e revelado esta semana pelo jornal Observador - que noticia que "duas décadas depois" o atual patriarca se encontrou com a vítima, "que não quis divulgar o caso", pelo que não foi dado conhecimento às autoridades judiciais, - Manuel Clemente diz aceitar que "este caso e outros do conhecimento público e que foram tratados no passado, não correspondem aos padrões e recomendações que hoje" todos querem "ver implementados".
Segundo Manuel Clemente, o seu antecessor "acolheu e tratou o caso em questão tendo em conta as recomendações canónicas e civis da época e o diálogo com a família da vítima. O sacerdote foi afastado da paróquia onde estava e nomeado para servir numa capelania hospitalar".
O cardeal entende igualmente não ter estado "perante uma renovada denúncia da feita em 1999. Se assim tivesse sido, a mesma teria sido remetida à Comissão Diocesana, criada por essa altura, e teriam sido cumpridos todos os procedimentos recomendados à data".
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