Falhas ‘esconderam’ mortes de Pedrógão por duas horas

GNR viu carros a arder às 21h10 e encontrou primeiro corpo às 21h44. ‘Estrada da morte’ cortada só às 22h15.

10 de agosto de 2017 às 01:30
Constança Urbano de Sousa falou ontem ladeada pelo secretário de Estado Jorge Gomes Foto: Mariline Alves
Constança Urbano de Sousa Foto: Lusa
Pedrógão Grande, Estrada da morte, EN 236, Morte, Incêndio, Fogo Foto: Carlos Barroso
EN236, Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, mortes, carros Foto: Carlos Barroso
Maioria da vítimas da tragédia de Pedrógão Grande perdeu a vida na malograda Estrada Nacional 236, apelidada agora como a estrada da morte Foto: Carlos Barroso
Estrada da morte só foi cortada depois de se descobrirem corpos Foto: CMTV
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O governo só anunciou as primeiras 19 mortes no incêndio de Pedrógão Grande, a 17 de junho, duas horas depois de um militar da GNR e bombeiros terem encontrado o primeiro cadáver, releva o relatório da GNR ontem tornado público pelo Ministério da Administração Interna - que ilibou aquela polícia por não haver informações de que tenha encaminhado alguém para a ‘estrada da morte’.

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A ministra Constança Urbano de Sousa, elencou ontem uma sucessão de falhas no incêndio que fez pelo menos 64 mortes, estando outras três a serem investigadas quanto à relação com o fogo. Mas, embora todas tenham ocorrido em organismos sob sua responsabilidade, disse "não ser a altura" para discutir a sua demissão.

Eram 21h44 quando o sargento-Ajudante Martins, comandante do posto de Leiria, começou o seu reconhecimento na EN236-1, a ‘estrada da morte’. Em Barraca da Boavista foi informado de um "cadáver no meio da via". Continuou e "foi encontrando vários cadáveres e veículos carbonizados e outros ainda a arder". "Assim, com a ajuda dos bombeiros fez a contagem dos cadáveres, vindo a contar 18, pelo que isolou a área." Foi ele a avisar o posto de comando, que nada sabia.

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O secretário de Estado Jorge Gomes só informou o País às 23h45 da existência de 19 mortos. Mas já às 21h10 um cabo da GNR havia visto carros a arder, mas o fumo não o deixou ver pessoas. A estrada só foi cortada às 22h15.

Este é apenas um dos exemplos das falhas de comunicação e coordenação identificadas pelas forças no terreno. A ministra mandou ontem instaurar um inquérito à Secretaria-Geral do seu ministério para "apuramento de eventuais responsabilidades disciplinares" pelos erros na gestão da rede SIRESP. A ministra criticou ainda as falhas de coordenação e a localização escolhida para o posto de comando, bem como os problemas de articulação entre Proteção Civil, Secretaria-Geral do MAI, PSP e GNR na deteção e resolução das falhas do SIRESP.

A ministra mandou a sua Secretaria-Geral iniciar "os procedimentos necessários" à aplicação de "penalidades" à sociedade SIRESP, SA pelas falhas. 

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"Eu e o meu pai saímos os dois de casa para o fogo, devíamos ter regressado os dois"

Sete semanas depois de ter ficado ferido no incêndio de Pedrógão Grande, Fernando Tomé, de 22 anos, teve alta hospitalar e regressou a casa. Antes passou pelo quartel dos bombeiros de Castanheira de Pera, onde foi "bem recebido" e ficou "feliz por voltar a ver os colegas".

Ao CM, Fernando não quis abordar tudo o que envolve o incêndio e as suas consequências e agora só quer que o pai também recupere dos ferimentos. "Saímos os dois juntos de casa para combater o fogo, devíamos ter voltado os dois", diz.

PORMENORES 

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Ateia dois incêndios

Um homem de 58 anos foi detido pela PJ por ser o autor de dois incêndios florestais que deflagraram na madrugada e tarde de domingo em Miranda do Corvo. O suspeito usou um isqueiro para cometer os crimes.

Queria ver os bombeiros

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Um jovem de 19 anos foi apanhado a atear um segundo fogo, terça-feira à noite, em Barqueiros, Barcelos. O incendiário queria ver os bombeiros combaterem as chamas. O juiz decretou-lhe prisão preventiva.

Mulher fica presa

Vai aguardar julgamento na cadeia a mulher de 48 anos que foi detida pela PJ de Coimbra por ter ateado um incêndio com um cigarro que queimou 200 hectares de floresta em Proença-a-Nova. Estava embriagada e chateada com o ex-marido.

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