Bancária burla clientes mesmo depois de mortos

Ana Mafalda Prazeres, gestora de 60 anos, enganou 52 clientes em 13 milhões de euros ao longo de 16 anos.

28 de outubro de 2019 às 01:30
Ana Mafalda Prazeres Foto: CMTV
Banco Best Foto: Jorge Paula
Ana Mafalda Prazeres tinha escritório em Lisboa Foto: Jorge Paula

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Ao longo dos anos, Ana Mafalda Prazeres, gestora bancária que passou pelo banco Best, entre outros, reuniu uma carteira de clientes milionários que confiavam cegamente nela, entregando-lhe milhões de euros para investimentos.

Quando os clientes morriam, convencia os herdeiros a continuar a aplicar o dinheiro dos pais, irmãos ou cônjuges. vítimas não sabiam que o dinheiro nunca era investido pela gestora, que montou em esquema em pirâmide que durou 16 anos. Foi desmontado em 2016 quando os clientes começaram a exigir dinheiro.

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Na altura, Ana Mafalda Prazeres foi detida pela PJ e libertada. Foi agora acusada pelo Ministério Público de Lisboa de 111 crimes, por ter lesado 52 clientes em 13 milhões de euros.

Os milhões que a gestora de 60 anos desviou eram utilizados para manter uma vida luxuosa, sustentar o vício do jogo no casino, dívidas próprias e "pagar" falsos juros aos clientes para que não desconfiassem que estavam a ser enganados. Era a partir do seu escritório na rua Castilho, num prédio no centro de Lisboa, que a gestora recebia e enganava os clientes.

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"A arguida atuou com o propósito concretizado de determinar cada um dos ofendidos a entregar-lhe os montantes, fazendo-os crer que os mesmos se destinavam a efetuar a subscrição de apólices de seguro e/ou a compra de moeda estrangeira, bem como outros supostos investimentos, que sabia serem inexistentes", lê-se na acusação.

Além destes esquemas, nos quais falsificava documentos para que as vítimas não desconfiassem que estavam a ser enganadas, também abriu contas e emitiu cartões de crédito, que usava, à revelia dos clientes.

Para o Ministério Público, Ana Mafalda Prazeres nunca teve "qualquer intenção de aplicar tais montantes, visando apropriar-se dos mesmos e utilizá-los em benefício próprio o que representou e conseguiu". Pelo menos cinco clientes de confiança morreram e a burlona conseguiu convencer os herdeiros a darem-lhe dinheiro.

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Até ser apanhada, enganou empresários de todos os ramos: clientes milionários; mas também amigos; e até o motorista de táxi que a transportava para reuniões.

Burlona esteve um mês escondida após ser cercada e fugiu de vítimas no hospital

O esquema da burlona foi descoberto em abril de 2016, quando os clientes começaram a desconfiar e exigiram dinheiro. Confrontada, a gestora sentiu-se mal e teve de ser assistida no hospital CUF Infante Santo, Lisboa, a 6 de abril - foi cercada pelas vítimas na unidade hospitalar e fugiu depois de ter alta. Esteve escondida durante um mês e em maio acabou detida pela PJ. Presente a juiz, saiu em liberdade com termo de identidade e residência, medida de coação que mantém e que não foi alterada com a acusação agora deduzida pelo Ministério Público.

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Lesada mulher com ascendência monárquica 

PORMENORES

Buscas

A PJ recolheu vários documentos e provas em três buscas domiciliárias, à casa da gestora, da mãe da burlona e também no escritório onde recebia e engava os clientes, em pleno centro de Lisboa, na rua Castilho.

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Crimes

Ana Mafalda Prazeres está acusada de 111 crimes de burla simples e qualificada, falsificação ou contrafação, burla informática e nas comunicações e também acesso ilegítimo.

Motorista enganado

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O taxista que transportava desde 2014 a burlona para todas as reuniões, e lhe confessou que tinha uma reforma baixa, foi convencido a investir. Perdeu 40 mil € às mãos da bancária.

Empréstimos e códigos

Para fazer movimentos bancários, a burlona tinha acesso a todos os códigos das vítimas, que confiavam cegamente. Pelo menos duas vítimas fizeram empréstimos em nome da burlona, a seu pedido.

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Um entrega três milhões

Entre as vítimas estão clientes que perderam todo o dinheiro, montantes que a burlona nunca devolveu, a maioria clientes de ‘luxo’. Um empresário perdeu três milhões de euros nos falsos investimentos da gestora.

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