Médico diz que Ihor podia ter sobrevivido às agressões

Ucraniano morreu por asfixia lenta. Tinha oito costelas fraturas e esteve durante horas na mesma posição.

04 de março de 2021 às 01:30
Foto: Direitos Reservados
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No total, terão sido detetadas oito costelas fraturadas. Segundo Carlos Durão, tratou-se de uma “morte lenta”. A dificuldade respiratória foi acentuada pelo facto de ter permanecido assim durante várias horas. No depoimento que prestou esta quarta-feira em tribunal, o médico contou que quando viu o cadáver “sentiu que algo se passava” e que, por isso, alertou a PJ. “Não era possível haver morte natural" naquele caso.

As explicações de Carlos Durão não convenceram as defesas dos arguidos. Confrontado com eventuais lacunas no relatório da autópsia, o médico excluiu qualquer possibilidade da morte de Ihor ter resultado das manobras de reanimação cardíaca. “Quando não se consegue descredibilizar a perícia, descredibiliza-se o perito”, afirmou Durão aos jornalistas.

A advogada Maria Manuel Candal criticou que o Instituto de Medicina Legal autorize a realização de autópsias por médicos que não são especialistas em Medicina Legal. O médico ortopedista, que estudou no Brasil, esclareceu que possui essa especialidade, embora não esteja ainda inscrito como tal na Ordem dos Médicos de Portugal. Desde 2007 já realizou 1200 autópsias.

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Demitido  Faz um ano

Carlos Durão tinha sido demitido do IML, em novembro, por ter publicado numa revista científica fotografias de um cadáver. Deverá ser admitido em breve, diz o ‘DN’. Ao CM, o médico não confirma.

Três arguidos

Os inspetores do SEF Luís Silva, Bruno Sousa e Duarte Laja estão acusados do homicídio de Ihor Homeniuk, crime punível com penas até 25 anos de prisão. Os arguidos negam as agressões.

Faz um ano

O crime terá ocorrido a 12 de março de 2020, dois dias após o cidadão ucraniano ter sido impedido de entrar em Portugal, alegadamente por não ter visto de trabalho. A família já foi indemnizada.

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