Bruxas absolvidas de burlas de 275 mil euros

Mulheres prometiam curar doenças e tirar o mau-olhado. Tribunal libertou arguidas, que estavam presas há um ano e meio

14 de janeiro de 2026 às 09:43
Arguidas foram julgadas no tribunal de Penafiel Foto: Direitos Reservados
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Duas mulheres, que estavam presas há um ano e meio, foram libertadas pelo Tribunal de Penafiel, onde foram julgadas por alegadas burlas de 275 mil euros. Os juízes deram como provado que as arguidas prestaram às alegadas vítimas serviços de bruxaria a troco de dinheiro, mas dizem que as mulheres nunca tiveram de persuadir ninguém. As alegadas vítimas acreditavam efetivamente em poderes sobrenaturais. 

"Cada um dos visados acreditava em poderes ocultos para curar os seus males e quis, voluntariamente, atribuir à arguida, em quem personalizou a crença, essa tarefa. Não resultou assente que as arguidas incutiram nos visados falsos medos ou necessidades, nem que tenham criado um embuste para os convencer a entregar-lhes dinheiro ou bens", diz a decisão.

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O tribunal - que julgou ao todo sete arguidos - condenou, no entanto, Maria Alice a quatro anos e oito meses de pena suspensa por três crimes de furto e ainda coação. Já Libânia, que também estava presa, foi punida pagar uma multa de 1200 euros por furto. Quanto aos 22 crimes de burla, os juízes consideraram que as alegadas vítimas nunca apresentaram queixa e que o caso foi desencadeado pela denúncia do filho de uma idosa que contratou as bruxas.

A GNR recebeu as primeiras denúncias em 2022, altura em que se percebeu que as duas bruxas - residentes em Santo Tirso - andavam pelo Norte do país a vender os seus serviços. Abordavam as vítimas em feiras e cemitérios, onde pediam esmola e depois ofereciam curas para o mau-olhado e doenças. As arguidas pediam depois que as vítimas dessem por exemplo terra do quintal ou galinhas para que conseguissem fazer os feitiços. 

Luísa Macanjo, advogada de Maria Alice, mostrou-se satisfeita com a absolvição dos crimes de burla. 

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