Filhos do guarda-freio que morreu no acidente do elevador da Glória sem bolsa escolar meio ano depois

Questão foi levantada pela vereadora do PS Alexandra Leitão, durante o debate sobre o ponto de situação das medidas de apoio às vítimas e respetivas famílias.

04 de março de 2026 às 12:14
Acidente no elevador da Glória, em Lisboa Foto: Direitos Reservados
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A bolsa escolar destinada aos filhos do guarda-freio André Marques, que morreu no acidente do elevador da Glória, em Lisboa, há meio ano, ainda não foi paga, reconheceu esta quarta-feira a Câmara Municipal de Lisboa, questionada pelo PS.

Fonte do PS na Câmara Municipal de Lisboa (CML) disse à agência Lusa que o executivo liderado por Carlos Moedas reconheceu, na reunião camarária privada que esta quarta-feira decorre, que, seis meses depois do acidente ocorrido no Elevador da Glória, ainda não foi paga a bolsa escolar destinada aos filhos do guarda-freio André Marques, nem lhes foi assegurado o apoio psicológico devido.

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A questão foi levantada pela vereadora do PS Alexandra Leitão, durante o debate sobre o ponto de situação das medidas de apoio às vítimas e respetivas famílias. Na ocasião, os vereadores do PS apresentaram um voto de homenagem às vítimas do acidente, assinalando os seis meses decorridos.

O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 03 de setembro, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

De acordo com a mesma fonte, a vereadora socialista insistiu na necessidade de respostas concretas relativamente ao acompanhamento das vítimas e das suas famílias, bem como no cumprimento dos apoios anunciados após o acidente.

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Alexandra Leitão questionou ainda o executivo sobre o estado do processo, incluindo o pagamento de indemnizações, os apoios sociais previstos e a divulgação de informação clara sobre as condições em que poderá ocorrer a reabertura do elevador, defendendo que o município deve garantir transparência e esclarecimento público.

Segundo o Partido Socialista, confrontado com as notícias que apontam para atrasos no pagamento de compensações às vítimas do acidente, a câmara remeteu a questão para a seguradora responsável.

Numa resposta, a que a Lusa teve acesso, enviada hoje pelo gabinete do vice-presidente da CML, Gonçalo Reis, a um requerimento do PCP apresentado no mês passado, onde se questiona o que foi e está a ser feito para responder às necessidades dos feridos, das suas famílias e das famílias das vítimas mortais, a CML realça que "tem acompanhado permanentemente a Carris e a seguradora Fidelidade nas prestações de apoio".

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"Segundo a Carris, no caso do guarda-freio André Marques, foi assegurado o pagamento das cerimónias fúnebres e encontra-se em curso o processo para atribuição de bolsa escolar aos filhos, bem como apoio psicológico presencial regular à família", aponta o executivo.

Quanto aos restantes feridos e/ou respetivas famílias, o executivo adianta que "têm recebido acompanhamento contínuo, com cobertura de despesas, apoio logístico e marcação de reuniões presenciais com o atual Conselho de Administração da Carris".

Meio ano depois do descarrilamento, os processos de apoio às vítimas e seus familiares continuam em desenvolvimento por parte da seguradora da Carris, a Fidelidade, que indicou que já foram celebrados acordos indemnizatórios.

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"Os processos encontram-se atualmente em diferentes fases de regularização, em função da natureza e da evolução clínica de cada situação: em alguns casos, foram já celebrados acordos indemnizatórios; noutros, aguarda-se a receção de documentação legalmente necessária para formulação de proposta indemnizatória", indicou fonte oficial da Fidelidade, em resposta à agência Lusa.

A seguradora adiantou que, "em diversas situações relativas a vítimas com lesões corporais", o processo se encontra "ainda em fase de consolidação médico-legal", sendo necessário aguardar a estabilização clínica para avaliação definitiva de eventuais incapacidades e subsequente cálculo indemnizatório.

Sem adiantar dados concretos sobre os apoios já atribuídos às vítimas, a seguradora referiu que, até ao momento, têm sido assegurados e liquidados os encargos devidamente comprovados e enquadráveis nas coberturas aplicáveis, designadamente despesas médicas, hospitalares, farmacêuticas, deslocações, repatriamentos, serviços fúnebres e outras despesas resultantes do acidente.

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Lembrando que o capital seguro contratado com a Carris é de 50 milhões de euros, a seguradora disse que "a regularização integral do sinistro será conduzida nos termos legais, com rigor técnico e humano, independentemente do tempo necessário à conclusão de cada processo".

Em resposta à Lusa, a empresa municipal Carris, que tem como acionista único a Câmara Municipal de Lisboa, disse que tem estabelecido contactos com as vítimas e/ou respetivas famílias, além do trabalho que está a ser desenvolvido pela seguradora Fidelidade.

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