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Meio ano depois do acidente no elevador da Glória ainda estão em desenvolvimento processos de apoio às vítimas

Processos encontram-se atualmente "em diferentes fases de regularização", indicou a seguradora da Carris.

02 de março de 2026 às 19:59

Meio ano depois do descarrilamento do elevador da Glória, em Lisboa, os processos de apoio às vítimas e seus familiares continuam em desenvolvimento por parte da seguradora da Carris, a Fidelidade, que indicou que já foram celebrados acordos indemnizatórios.

"Os processos encontram-se atualmente em diferentes fases de regularização, em função da natureza e da evolução clínica de cada situação: em alguns casos, foram já celebrados acordos indemnizatórios; noutros, aguarda-se a receção de documentação legalmente necessária para formulação de proposta indemnizatória", indicou fonte oficial da Fidelidade, em resposta à agência Lusa.

O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 03 de setembro, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

Passado seis meses do acidente, fonte oficial da Fidelidade disse que "foram registadas 40 vítimas no total", concretamente 16 mortes e 24 feridos, e sublinhou que se mantém "um acompanhamento ativo e permanente" às vítimas e respetivas famílias, "assegurando a regularização do sinistro nos termos legais aplicáveis".

A seguradora adiantou que, "em diversas situações relativas a vítimas com lesões corporais", o processo se encontra "ainda em fase de consolidação médico-legal", sendo necessário aguardar a estabilização clínica para avaliação definitiva de eventuais incapacidades e subsequente cálculo indemnizatório.

"Por respeito à privacidade e à proteção de dados pessoais e clínicos das vítimas, a Fidelidade não comenta situações individuais", acrescentou.

Sem adiantar dados concretos sobre os apoios já atribuídos às vítimas, a seguradora referiu que, até ao momento, têm sido assegurados e liquidados os encargos devidamente comprovados e enquadráveis nas coberturas aplicáveis, designadamente despesas médicas, hospitalares, farmacêuticas, deslocações, repatriamentos, serviços fúnebres e outras despesas resultantes do sinistro.

A Fidelidade adiantou ainda que procederá também ao reembolso de custos de outras seguradoras que tenham adiantado despesas ao abrigo de contratos de seguro de saúde, acidentes de trabalho ou seguros de viagem, encontrando-se esses apuramentos "ainda em curso".

Lembrando que o capital seguro contratado com a Carris é de 50 milhões de euros, a seguradora disse que "a regularização integral do sinistro será conduzida nos termos legais, com rigor técnico e humano, independentemente do tempo necessário à conclusão de cada processo".

Neste âmbito, a Fidelidade criou uma comissão técnica independente para "assegurar a avaliação especializada dos danos pessoais e a validação da respetiva quantificação indemnizatória, reforçando a transparência, a equidade e a confiança em todo o processo".

Em resposta à Lusa, a empresa municipal Carris, que tem como acionista única a Câmara de Lisboa, disse que tem estabelecido contactos com as vítimas e/ou respetivas famílias, além do trabalho que está a ser desenvolvido pela seguradora Fidelidade.

De acordo com a Carris, "mantêm-se em curso o inquérito interno, as auditorias externas e uma estreita colaboração no âmbito do inquérito promovido pelo GPIAAF [Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários]".

A Carris realçou ainda a "participação ativa" no processo da comissão técnica independente para a reabertura dos elevadores e ascensores da cidade de Lisboa, suspensos "de imediato" após o acidente, prevendo a reabertura do funicular da Graça "em abril" após se terem confirmado "as boas condições estruturais e operacionais do equipamento", enquanto os ascensores da Bica e do Lavra continuam sob avaliação.

A Lusa solicitou uma entrevista ao presidente da Carris, Rui Lopo, nomeado há três meses após a demissão de Pedro de Brito Bogas, e pediu um ponto de situação à Câmara de Lisboa, aguardando ainda uma resposta.

Pedro de Brito Bogas demitiu-se na sequência das conclusões do GPIAAF, que revelou que o cabo que unia as duas cabinas do elevador da Glória, e que cedeu, não respeitava especificações nem estava certificado para transporte de pessoas.

A agência Lusa questionou também o advogado Ricardo Serrano Vieira, que representa a MNTC -- Serviços Técnicos de Engenharia, Lda, empresa externa contratada pela Carris e responsável pela manutenção do elevador da Glória, que indicou que o processo se encontra ainda em fase de inquérito por parte do Ministério Público.

A este propósito, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), que tinha anunciado um relatório após uma ação de supervisão ao acidente, recuou na decisão, na sequência das conclusões do GPIAAF e de restantes entidades envolvidas, por considerar "estarem esclarecidas as principais questões" e por entender "não serem necessárias diligências adicionais", segundo explicou à Lusa.

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