“Ihor não foi violento quando foi algemado”: Inspetores do SEF sobre morte do cidadão ucraniano

Inspetora contou à PJ que ouviu os gritos da vítima, mas agora nega tudo.

04 de fevereiro de 2021 às 08:36
Duarte Laja e Bruno Sousa respondem por morte Foto: Pedro Catarino
Luís Silva é arguido Foto: Pedro Catarino
Ihor Homenyuk, imigrante ucraniano, morreu dia 12 de março no aeroporto de Lisboa às mãos do SEF. A viúva e os dois filhos menores, um rapaz de 9 anos e uma menina de 14, vão receber uma indemnização. Foto: Vítor Mota

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Inspetores do SEF, ouvidos esta quarta-feira no julgamento da morte de Ihor Homeniuk, no qual são arguidos Duarte Laja, Luís Silva e Bruno Sousa, afirmaram que o ucraniano “não foi agressivo”, mesmo quando estava a ser algemado. Na madrugada de 12 de março, a vítima estava de “mãos e pés atados”. Filipe Cardoso libertou-o. Depois, trocou a fita-cola por lençóis. “A fita estava apertada e sobre a pele. Amarrei-o com lençóis porque assim podia movimentar-se. Não ofereceu resistência. Não foi violento”, disse o inspetor.

A testemunha contou, na sessão no Campus de Justiça, em Lisboa, que confrontou o vigilante sobre o uso de fita-cola, tendo-lhe sido dito que o passageiro estava “irrequieto”.

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A sessão ficou ainda marcada pelo depoimento de Cecília Vieira, também inspetora do SEF. Contou que Ihor “estava em silêncio” quando entrou no centro de instalação temporária (CIT) do SEF, no Aeroporto de Lisboa. Mas as declarações da inspetora não batem certo com o que disse à PJ na fase de investigação do processo, o que mereceu reparo da procuradora. Nessa altura, afirmou que “ouviu os gritos” do ucraniano. Agora, alega que não ter memória dessa situação. Manuela Cabral, empregada de limpeza no aeroporto, foi a primeira a testemunhar. Nervosa e a chorar. Foi assim que entrou na sala de tribunal. “Vi o senhor a arrastar-se pelo chão a tentar chegar à porta. Os seguranças disseram que tinham tido uma noite agitada”, recordou. O julgamento continua esta quinta-feira com a inquirição de mais funcionários do SEF e do aeroporto.

Reconstituição

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Uso de fita-cola

Rogério Luís revelou que viu Ihor com uma escoriação na cara. “O vigilante disse que ele se automutilou.” Sobre o uso de fita-cola, afirmou que em 30 anos nunca viu um passageiro algemado assim.

Virado para baixo

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