Impacte ambiental trava novo empreendimento em Lagoa
Aumento da pressão humana, intrusão visual e proteção da vegetação entre os motivos apresentados para o chumbo.
O empreendimento de luxo que estava previsto para um terreno entre as praias de Benagil e da Marinha, no concelho de Lagoa, recebeu parecer desfavorável da comissão de avaliação do Estudo de Impacte Ambiental.
"O projeto induziria impactes negativos muito significativos e não minimizáveis", informou esta segunda-feira a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, que presidiu à comissão de avaliação.
A justificar a Declaração de Impacte Ambiental desfavorável, a CCDR destaca o "relevante aumento da pressão humana" numa zona onde a capacidade das praias "se encontra esgotada".
A proposta implicaria um "aumento de quase cinco vezes o atual volume de tráfego rodoviário naquela zona do litoral", diz a CCDR.
Entre outros aspetos negativos apontados está a "intrusão visual" numa zona da costa "que preserva os traços originais" e ainda a "repercussão negativa sobre a biodiversidade", em particular, os efeitos sobre a ‘linaria algarviana’ - uma planta "fortemente pressionada, exclusiva do Barlavento algarvio e detentora de estatuto legal de proteção", que tem um dos seus núcleos populacionais mais representativos naquela zona.
O empreendimento, classificado como de cinco estrelas e situado a cerca de 300 metros da linha costeira, previa um investimento de 180 milhões de euros e a criação de 312 postos de trabalho, com a construção de um hotel, um hotel-apartamento e um aldeamento turístico, num total de 1279 camas. Era promovido pela empresa Benagil - Promoções Imobiliárias S.A.
Refira-se que o Plano Diretor Municipal de Lagoa tem previsto para a zona, numa área de 21,9 hectares, um núcleo de desenvolvimento turístico.
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