Julgamento de Rui Pinto adiado devido à Covid-19. Mãe de juíza infetada
Magistrada foi informada durante a sessão. Para já, o julgamento está interrompido durante 14 dias.
O julgamento do caso que senta Rui Pinto no banco dos réus foi suspenso esta quarta-feira após a mãe de uma das juízas do coletivo ter testado positivo à Covid-19. A magistrada será agora testada, uma vez que na terça-feira esteve com a familiar depois de esta se ter sentido mal.
A 27ª sessão do julgamento decorria há cerca de 20 minutos quando a juíza Ana Paula Conceição recebeu uma mensagem e saiu abruptamente da sala. Seguiram-se os restantes juízes do coletivo, Pedro Lucas e Margarida Alves. Poucos minutos depois a juíza Margarida Alves voltou a entrar na sala do julgamento e informou que a mãe da juíza Ana Paula Conceição, de idade avançada, havia testado positivo à Covid-19. "Vamos interromper o julgamento para os próximos 14 dias. Não sei quando poderemos retomar, serão depois notificados", disse a presidente do coletivo.
Para além de Ana Paula Conceição, os juízes, a procuradora do Ministério Público e, eventualmente, caso algum magistrado teste positivo, também o funcionário judicial e alguns advogados terão de ser testados ao novo coronavírus. Este é já o segundo caso de Covid-19 a afetar o funcionamento do julgamento do hacker. Amílcar Fernandes, advogado de Aníbal Pinto, o outro arguido, também está infetado com o novo coronavírus.
É expectável que as sessões de julgamento só sejam retomadas em janeiro de 2021, já que, depois da interrupção de duas semanas, seguem-se as férias judiciais. Antes desta pausa, estava a prestar depoimento, no Campus de Justiça, em Lisboa, Pedro Henriques, advogado e amigo de Nélio Lucas, ex-homem-forte da Doyen, que acusa Rui Pinto de o tentar extorquir com valores entre 500 mil e um milhão de euros, em 2015. Em causa estavam publicações feitas na plataforma Football Leaks sobre os negócios do fundo desportivo com vários clubes nacionais e internacionais.
Rui Pinto, de 32 anos, responde por 90 crimes.
EU TIVE COVID
Óscar Esménio, Comandante Bombeiros de Izeda
- Que sintomas teve da Covid-19?
- Os meus sintomas foram ligeiros. Tive perda de olfato e do paladar. Antes de saber que estava infetado, tive ligeiras dores de cabeça, mas que não associei ao vírus.
- Durante quanto tempo os sentiu?
- Durante três dias.
- Tomou alguma medicação?
- No meu caso, não tive que tomar medicação.
- Quantos testes realizou?
- Tive de fazer seis testes, até dar negativo. A particularidade no meu caso foi que acabei também por infetar a minha filha mais velha e a minha mulher, que na altura estava grávida.
- Psicologicamente, como se sentiu?
- Tive de reagir bem, com normalidade. Até porque estava em casa, mas a trabalhar, porque a gestão da corporação dos bombeiros tinha de ser feita, ainda que à distância. O nosso quartel esteve fechado por falta de efetivo apto devido a um surto de Covid-19. E a central telefónica também. Fazíamos reuniões por videoconferência, quando era necessário.
- Que mensagem deixa a quem está a passar pelo mesmo?
- Apelo à calma. É difícil estar fechado e ter de arranjar outros afazeres. Mas, se acabarem por passar este período com a família aproveitem para fazer coisas juntos. À população apelo que use máscara.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt