"O senhor juiz nunca lucrou e nem me pediu nada": Hélder Claro não ganhou dinheiro com a vinda de mulheres do Brasil

Dono de bar de alterne, no Porto, garante que Hélder Claro apenas queria ajudar a mãe do filho a arranjar algum dinheiro.

07 de maio de 2026 às 15:58
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Manuel Pereira - dono do bar 'Tamariz', no Porto - alegou esta quinta-feira em tribunal que o ex-juiz Hélder Claro nada ganhou com a vinda de mulheres do Brasil. O antigo magistrado está a ser julgado no Tribunal de São João Novo, no Porto, por vários crimes como corrupção e auxílio à imigração ilegal. No caso do bar de alterne é suspeito de ter angariado sete mulheres ilegais para ali trabalharem, em 2022. "O senhor juiz nunca lucrou e nem me pediu nada. Acho que a intenção dele foi ajudar a mãe do filho a arranjar algum dinheiro", afirmou Manuel, um dos 10 arguidos do processo.

O dono do bar referia-se a Samantha, uma mulher com quem Hélder Claro manteve uma relação extraconjugal e de quem teve um filho. Samantha serviu de intermediária na angariação de mulheres do Brasil. "Paguei-lhe seis mil euros de comissão", esclareceu o dono do bar, dando conta daquilo que era o trabalho das mulheres. "As meninas só dançavam. Depois das bebidas que os clientes lhes ofereciam, elas tinham uma comissão de 50%", disse o arguido.

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Manuel esclareceu ainda que gostava de ter o então juiz como cliente, uma vez que "era uma pessoa de respeito".

Hélder Claro foi expulso da magistratura já em 2024. Entre as acusações em julgamento estão ainda suspeitas de corrupção. Diz a acusação que era o sócio oculto de uma empresa com negócios imobiliários, tendo com outro arguido conseguido uma vantagem criminosa de 1 milhão de euros. O Ministério Público sustenta que em causa estava um esquema com a compra de terrenos para instalar supermercados Aldi, em Valongo e Matosinhos. Terão sido oferecidos subornos de 60 mil euros. Em causa estão ainda suspeitas de envolvimento em esquemas de aquisição de cartões bancários furtados.

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