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"O senhor juiz disse que me conseguia arranjar mulheres do Brasil": antigo magistrado envolvido em esquema ilegal

Dono de bar de alterne diz que Hélder Claro angariou bailarinas. Antigo magistrado é suspeito também de corrupção.

01 de maio de 2026 às 01:30

Hélder Claro ficou em silêncio na primeira sessão, mas à porta do Tribunal de São João Novo, no Porto, o antigo juiz garantiu inocência. Está acusado de um total de 19 crimes, entre os quais corrupção. "Irei falar depois, mas não vou assumir qualquer crime, não cometi crime nenhum", garantiu esta quinta-feira. 

Entre as suspeitas está o facto de ter também angariado mulheres ilegais do Brasil para trabalharem num bar de alterne, no Porto. O dono do espaço confirmou que teve a ajuda do então magistrado. "Devido à pandemia perdi os grupos de bailarinas que tinha e então um amigo disse que o Dr. Hélder me podia ajudar. O senhor juiz disse que se calhar me conseguia arranjar um grupo de mulheres do Brasil e eu disse: tudo bem, mas tem de vir tudo direitinho, legal como dever ser. Eu não percebo nada nem de contratos, nem nada", afirmou Manuel Pereira Pinto.

Do Brasil vieram depois sete mulheres e o coreógrafo. Afirmou Manuel que receberiam 750 euros por mês e alojamento. O processo teve alguns problemas, mas alegou o dono do bar que Hélder Claro lhe disse que tinha saído uma nova lei e que afinal as mulheres já podiam vir para Portugal. "O Dr. Hélder disse que era preciso depois fazer contratos promessa de trabalho. E até hoje digo que sempre acreditei que estava tudo bem, porque era o senhor juiz que tinha feito e não me ia fazer mal", alegou.

Neste processo de recrutamento, os arguidos contaram com ajuda de Samantha, a amante do juiz, com quem este teve um filho. "Eu também pensei que ele nunca ia fazer mal à mãe do filho. Falei com ela só na fase final, recebeu cerca de seis mil euros de comissões", afirmou Manuel.

A audiência ficou ainda marcada pelos depoimentos de dois arguidos, envolvidos num alegado esquema de corrupção com o ex-juiz, expulso em 2024. A acusação diz que Hélder Claro era o sócio oculto de uma imobiliária e que foi favorecido na venda de terrenos para a instalação de supermercados Aldi, em Valongo e Matosinhos. Com o esquema terá conseguido, juntamente com o sócio, uma vantagem de um milhão de euros. José Pires, prospetor de mercado da cadeia de supermercados, confirmou a oferta de dinheiro. O mesmo foi relatado por Paulo Neves, ex-bancário que foi intermediário no negócio.

"Tivemos uma reunião e o Dr. Hélder disse: olha há aí umas comissões para partilhar. Para ti 10 mil euros pelo contacto e depois disse que eram 50 mil para o José Pires por cada negócio concretizado. O José Pires ficou surpreendido e disse: ‘eu não quero saber disso, isso é com você’. E depois mudou de tema para a parte técnica”, recordou o antigo bancário.

Por estes negócios, Hélder Claro está acusado de corrupção ativa no setor privado. Responde ainda por mais 18 crimes.  

O antigo magistrado é ainda suspeito de ter angariado sete mulheres do Brasil para trabalharem num bar de alterne, no Porto. Também é acusado de estar envolvido em esquemas que envolviam cartões bancários furtados, crimes nos quais terá tido ligações a Alberto Couto, agora preso por tráfico de droga.   

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