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Advogada do Chega recusa defender José Sócrates no julgamento da Operação Marquês

Depois da recusa por “objeção de consciência” da primeira advogada oficiosa, a segunda também pediu afastamento.

07 de janeiro de 2026 às 01:30
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Advogada do Chega recusa defender José Sócrates no julgamento da Operação Marquês

O julgamento da ‘Operação Marquês’ voltou, esta terça-feira, a parar, depois do advogado de José Sócrates, José Preto, ter informado o tribunal que está com uma pneumonia (está hospitalizado sem alta prevista) e de não ter sido fácil encontrar uma alternativa para defender o arguido. A juíza ordenou a nomeação de um advogado oficioso para representar o antigo primeiro-ministro, mas a primeira opção, Inês Louro, acabaria por recusar a nomeação, invocando “objeção de consciência” por ser militante do Chega. Antiga presidente da Junta de Freguesia de Azambuja pelo PS, Inês Louro chegou a elogiar José Sócrates numa entrevista (ver caixa) e a demonstrar interesse em conhecê-lo pessoalmente. Agora, diz que as suas “posições são completamente distintas” e que isso a impede de representá-lo em tribunal.

Ana Velho, também de escala, esta terça-feira, no Campus de Justiça, em Lisboa, foi a segunda advogada oficiosa a ser chamada pelo tribunal. À semelhança da colega, também pediu à juíza para ser dispensada, mas não teve igual sorte. “Atendendo à complexidade do processo e o facto do arguido nem sequer estar presente, a lei prevê que, se o advogado não tiver condições de exercer funções, pode pedir a suspensão de patrocínio”, argumentou. Mesmo contrariada, a mandatária foi nomeada para representar o antigo primeiro-ministro. A juíza Susana Seca concedeu-lhe um prazo de 5 dias para contactar o arguido e olhar para o processo. O julgamento está parado desde o dia 11 de novembro de 2025 e só vai ser retomado no dia 13 deste mês, dois meses depois.

Oportunidade perdida para conhecer Sócrates

Foi em 2011 que a então militante socialista Inês Louro manifestou uma vontade de conhecer uma “pessoa inteligente, competente e com uma personalidade forte”. O eleito era José Sócrates, um modelo para os socialistas. Dez anos após esta declaração ao semanário “O Mirante”, Inês Louro, já como presidente da Junta de Freguesia de Azambuja, anunciaria a saída do PS, candidatando-se pelo Chega, em 2021 à Câmara da Azambuja. O que viria a repetir nas Autárquicas de outubro de 2025.

Assume críticas a José Sócrates

“Respeito pessoalmente muito o engenheiro Sócrates, respeito a justiça e a presunção de inocência, mas à parte de ser advogada, desempenho também funções políticas”, afirmou Inês Louro aos jornalistas. “Tenho sido bastante crítica politicamente de todo este processo (...) e da própria pessoa visada e, portanto, não seria minimamente ético.”

José Preto substitui Delille

José Preto é o advogado que substituiu Pedro Delille na defesa de Sócrates. Delille acompanhava o antigo primeiro-ministro há mais de uma década, mas incompatibilizou-se seriamente com as juízas e procuradores do processo. José Preto ainda não se estreou no julgamento, mas já consultou o processo Marquês.

Risco de prescrição

Os crimes de corrupção de Vale do Lobo prescrevem no primeiro semestre deste ano. Também já caíram crimes de falsificação de documento.

Advogado cego

José Manuel Ramos, advogado oficioso de 53 anos, cego, assumiu a defesa do ex-primeiro-ministro após a renúncia de Pedro Delille. Nunca conseguiu falar com Sócrates e foi criticado na televisão pelo ex-governador.

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