Defesa de João Lopes diz que o advogado nunca entregou sequer um euro ao então 'vice' da Câmara de Gaia.
Advogado de João Lopes diz que arguido 'nunca corrompeu ninguém ou foi corrompido' no âmbito da Operação Babel
O quinto dia de alegações finais no processo da operação Babel foi reservado para a defesa do advogado de João Lopes, que é tido pela acusação como sendo o intermediário da corrupção. A sua defesa pediu a absolvição integral do arguido e diz que João Lopes nunca recebeu qualquer suborno que se destinasse a Patrocínio Azevedo, então vice-presidente da Câmara de Gaia.
“A acusação baseou-se em indícios frágeis, em conjeturas. As testemunhas nada confirmaram em julgamento. Este processo é uma fábula, foi criado um enredo em premissas falsas(...) Nunca João Pedro Lopes corrompeu ou foi corrompido. Nunca tentou condicionar Patrocínio Azevedo para a prática de qualquer ato ilegal, violando o que lhe exigia as suas funções" defendeu o advogado Pedro Maldonado.
No julgamento, João Lopes alegou que chegou a pedir dinheiro ao promotor imobiliário Paulo Malafaia e que deu a entender que seria para Patrocínio, mas que tal nunca correspondeu à verdade. “Que fique claro que o arguido nunca entregou um euro que seja ao engenheiro Patrocínio Azevedo. Não deixa de ser estranho que com tantas vigilâncias não haja um frame da alegada entrega de dinheiro. Quem recebeu os montantes foi João Lopes, que os fez seus e os usou em seu proveito”, alegou a defesa.
O advogado de João Lopes abordou ainda a questão dos relógios oferecidos ao então vice-presidente da Câmara de Gaia. Sustenta que não foram subornos. “Foram atos avulsos, por altura do Natal. Era um sinal de respeito por Patrocínio. Pode ser ética e moralmente errado, mas não tem a conotação criminosa que o Ministério Público quer dar. Foram apenas uma gentileza”, sustentou Pedro Maldonado.
Este processo remonta a 2019, sendo que o Ministério Público sustenta que os projetos imobiliários do grupo Fortera foram favorecidos. Diz a acusação que Patrocínio Azevedo foi subornado com 125 mil euros e ainda quatro relógios.
O ex-autarca foi detido em 2023 e esteve quase dois anos preso, tal como Paulo Malafaia. O Ministério Público pediu já nas alegações a condenação de todos os arguidos.
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