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Correio da Manhã

Portugal
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Vídeo de agressão a jovem choca país

Vídeo com 13 minutos de jovem a ser agredido por duas colegas na Figueira da Foz gera indignação.
Cátia Carmo e Tiago Lisboa Peralta 13 de Maio de 2015 às 00:20
Vídeo com 13 minutos de jovem a ser agredido por duas colegas na Figueira da Foz gera indignação.

Um vídeo que está a circular nas redes sociais mostra a agressão brutal a um jovem, que terá 17 anos, por parte de duas adolescentes. As imagens gravadas na Figueira da Foz começaram a ser partilhadas esta terça-feira nas redes sociais e estão a gerar grande indignação.

Solidário com a onda de indignação que se gerou, o Correio da Manhã pede aos seus leitores que denunciem casos de bullying de que tenham conhecimento.

Ao final da tarde desta quarta-feira a PSP da Figueira da Foz anunciou ter identificado "nas últimas 24 horas" oito agressores do jovem que aparece num vídeo, divulgado na terça-feira, a ser agredido por duas raparigas, naquela cidade.

Na tarde desta quarta-feira, o Ministério Público (MP) anunciou a abertura de um inquérito tutelar educativo aos agressores menores de 16 anos no caso ocorrido na Figueira da Foz. Quanto aos maiores de 16 anos, está a investigar as agressões e a divulgação das imagens.

No vídeo, duas adolescentes participam numa situação de bullying, ofendendo e esmurrando, à vez, um jovem perante a passividade dos restantes. A dada altura, um rapaz agarra na vítima para permitir mais agressões. O agredido, que até àquele momento não tinha reagido, tenta defender-se.

Contactada pelo CM, na terça-feira a PSP não confirmou a existência de qualquer queixa relacionada com esta situação. No entanto, esta quarta-feira, a polícia revelou em comunicado que o jovem já apresentou queixa.

Proteção de Crianças e Jovens da Figueira da Foz averigua agressões

A presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Figueira da Foz disse esta quarta-feira que esta entidade vai averiguar os acontecimentos divulgados num vídeo na terça-feira no Facebook que mostra agressões a um jovem.

"A CPCJ não tinha conhecimento desta situação e só a conheceu depois de divulgado o vídeo. Vamos averiguar o que aconteceu. Recebemos depois da divulgação do vídeo várias participações, mas faríamos uma averiguação mesmo que isso não tivesse acontecido", disse à agência Lusa a presidente da CPCJ da Figueira da Foz, Sandra Lopes.

Pai espera que caso "sirva de lição à filha"
O pai de uma das jovens filmadas num vídeo em que um rapaz de 17 anos é agredido por duas raparigas espera que o caso sirva de lição à filha, garantindo que esta está arrependida.

Em declarações à agência Lusa, Jorge Ferreira, pai de uma jovem de 15 anos que integra o grupo de oito agressores identificado pelas autoridades, disse ainda ter tido conhecimento do vídeo quando este foi divulgado na rede social Facebook na terça-feira, manifestando-se "chocado" com o que viu e com o envolvimento da filha.

"A minha filha está em pânico, o que só por si já é bom. Para além de ter mostrado arrependimento, mostrou medo, o que pode ajudar a prevenir eventuais futuras situações", afirmou. Após a divulgação do vídeo, a rapariga deslocou-se na noite de terça-feira "de livre vontade" acompanhada da mãe, ex-mulher de Jorge Ferreira, à PSP da Figueira da Foz, tendo assumido a participação no filme, embora não tenha participado nas agressões, com murros e estaladas, ao rapaz.

Mais de meio milhão de visualizações
Cerca de 14 horas após ser publicado, na manhã desta quarta-feira o vídeo contava com mais de meio milhão de visualizações e quase 30 mil partilhas, suscitando centenas de insultos e comentários de repúdio. Vários internautas reclamam a intervenção das autoridades judiciais, PSP e Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

Apesar de ter sido agora divulgado, o vídeo terá sido filmado há cerca de um ano, não numa escola mas na via pública, junto a um complexo residencial do chamado Bairro Novo, zona turística da cidade.

Onda de solidariedade

A vítima tem, desde a noite de terça-feira, uma comunidade de apoio no Facebook com mais de dois mil seguidores. A página tem o nome de 'Todos pelo Jorge Oliveira'.

Os envolvidos nas agressões, alunos de vários estabelecimentos de ensino da Figueira da Foz, distrito de Coimbra, foram, na sequência da divulgação do vídeo, quase de imediato identificados no Facebook e alvo de insultos. Parte deles apagou as suas páginas nesta rede social.

Imagem que aparece quando se tenta aceder ao Facebook dos adolescentes envolvidos nas agressões

Diálogos entre vítima e agressores

A agressora começa por dizer: "Isto é força, isto é força? Queres ver com mais força?" e dá um murro e mais seis estalos ao rapaz enquanto as amigas riem.

Ouve-se a voz de outro rapaz que ordena: "Dá-lhe mais". A agressora responde: "Já dei". Mas o rapaz insiste: "Mas dá-lhe mais". A segunda rapariga regressa e aplica uma sucessão de sete estaladas à vítima, com a mão esquerda.

"A mim não me apetece estar à chapada, apetece-me estar à porrada, sabes porquê? Porque tu meteste-me nojo", afirma. O rapaz questiona o porquê das agressões, alega que não fez nada e quem responde é o rapaz que se mantém quase sempre fora do plano da imagem: "Metes-te com ela, metes-te comigo", diz.

Depois, a vítma leva dois murros no peito e esboça, pela primeira vez, uma reação de defesa. A rapariga ordena: "Tira a mão daí", dá-lhe uma joelhada nos genitais e pede ao rapaz que até então se tinha mantido fora da imagem para lhe agarrar as mãos. Imobilizado pelo outro jovem, a vítima é novamente agredida pela rapariga com um murro e um estalo e responde: "Estejam quietos".

Já no final do vídeo, o jovem recebe um copo de água da agressora, que, a certa altura, parece preocupar-se com o rapaz. Fala com ele, numa conversa inaudível mas, chamada pelas amigas, despede-se com um forte murro.

Diretor de escola da Figueira da Foz chocado

O diretor da escola secundária Joaquim de Carvalho, onde estuda o jovem alvo de agressões por parte de colegas, afirmou-se hoje "chocado" com o vídeo e disponibilizou apoio psicológico ao estudante.

"Vi dois, três minutos, do vídeo. Não consegui ver mais, fiquei extremamente chocado com o que vi", disse aos jornalistas Carlos Santos.

IAC pede ao Ministério Público que analise caso

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) solicitou esta quarta-feira ao Ministério Público que analise o caso divulgado num vídeo na internet que mostra duas adolescentes a agredir um rapaz perante a passividade de outros jovens.

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