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28 de outubro de 2025 às 10:41

"Disse que ia comprar dois apartamentos em Paris, 3 milhões de euros": Ex-bancária sobre Carlos Santos Silva

O que sabemos até agora:

- Domingos Farinho, professor de direito e alegado escritor fantasma de Sócrates, é ouvido esta terça-feira em tribunal no âmbito de mais uma sessão da Operação Marquês;

- Sócrates é um dos arguidos e vai ser julgado por três crimes de corrupção, seis de fraude fiscal e 13 de branqueamento de capitais;

- Entre os arguidos deste processo está também o antigo presidente do BES Ricardo Salgado, que está acusado de 11 crimes de corrupção ativa e de branqueamento de capitais. Assim como Carlos Santos Silva, nomeado por José Sócrates, para movimentar o dinheiro para as contas do ex-primeiro-ministro;

 - O processo conta com mais de 650 testemunhas;

- No total estão marcadas 53 sessões até ao final deste ano.
Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 16h51

Termina o depoimento

Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 15h56

Delile acusa a Ana Vaz de ser a “culpada” deste processo

Gestora de conta de amigo de Sócrates fez duas participações ao compliance do banco, em causa os levantamentos recorrentes de 10 mil euros e a transferência para a mãe de Sócrates.

Pedro Delille ameaça sair da sala, juíza intervém: está a perturbar a testemunha!

Delille confrontou testemunha com as suas pesquisas no Google nas quais ficou a saber, por exemplo, que transferência era para a mãe de Sócrates

Delille: Eu vou me embora, assim!!! Não é possível fazer o julgamento assim!! Faça uma participação à Ordem, eu não quero saber!!!

Delile acusa a testemunha de ser a “culpada” deste processo. Esta testemunha é a queixosa deste processo. "É uma testemunha hostil", diz.

Juíza: Espero que a senhora testemunha não fique perturbada. Está bem? Está em condições de prosseguir?

Testemunha diz que sim.

Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 15h11

"Disse que ia comprar dois apartamentos em Paris, 3 milhões de euros": Ex-bancária sobre Carlos Santos Silva

Começa a testemunhar Ana Vaz, reformada, era bancária e gestora da conta de Carlos Santos Silva.

Procurador: Era gestora do Carlos Santos Silva no Private Bnking, era isso?

Ana Vaz: Sim

Procurador: Carlos Santos Silva mostrou-se interessado no RERT II?

Ana Vaz: Disse-me que estava interessado em aderir e entregou-me extratos bancários de duas sociedades. E deu a ordem de transferência dos fundos que estavam nessas sociedades offshores. O montante seria perto de 24 milhões de euros.

A juíza questiona como era gerido esse património e Ana Vaz responde que quando era necessário liquidez ia "buscar à conta de investimento".

Procurador: Antes da entrada de fundos vindos da conta de investimento, recorda se de algum valor relevante? Antes do RERT?

Ana Vaz: 
Não.

Procurador questiona sobre levantamentos e Ana Vaz responde que "começou a haver levantamentos recorrentes de 10 mil euros, todas as semanas". "Lembro-me de o questionar sobre isso", disse a ex-gestora da conta de Carlos Santos Silva.

Procurado pergunta o que Carlos Santos Silva lhe respondeu e Ana Vaz explica que este lhe "deu uma resposta vaga" e que disse "que era para despesas".

"Da última vez que isso aconteceu, o meu assistente disse que ficava muito desconfortável. Era preciso a assinatura dele na parte de trás do cheque", acrescenta.

Procurador questiona sobre uma transferência de 200 mil euros. Ex-gestora de conta de Carlos Santos Silva diz que "não sabia quem era o destinatário" e que foi ao "Google pesquisar" e viu que era a  "mãe de José Sócrates". [Em causa estará a venda da casa da mãe de Sócrates na rua Braamcamp a Carlos Santos Silva]

Procurador: Comunicou ao departamento de compliance? 

Ana Vaz: Sim.

Procurador questiona se Ana Vaz "estava a ficar preocupada com os movimentos na conta deste cliente" e esta responde que "sim", porque quando há certos movimentos para os quais não consegue "ter uma explicação simples e transparente", faz com que fique "mais alerta".

O magistrado do MP continua e questiona se a ex-gestora abordou Carlos Santos Silva e Ana Vaz diz que sim.

Testemunha recorda que Carlos Santos Silva lhe falou na hipótese de comprar um apartamento em Paris. "Passado alguns dias, disse que afinal ia comprar dois apartamento... 3 milhões de euros", acrescenta Ana Vaz.

Procurador: Carlos Santos Silva chegou a ter alguma interação bancária de algumas centenas de milhares que a tivesse preocupado?

Ana Vaz: Sim, a compra de um monte no Alentejo. Disse-me numa reunião que tinha uma pessoa muito amiga que tinha filhos do primeiro casamento e que estava muito ligada a esse monte no Alentejo, onde teria estado com o senhor e que queria comprar aos herdeiros, mas que não tinha posses. E ele iria garantir esse financiamento. Essa operação foi feita num balcão do banco.

Procurador: Monte das Margaridas diz-lhe alguma coisa?

Ana Vaz:  Sim, ele usou como penhor financeiro um depósito a prazo no mesmo valor. Era por Sofia Fava. O nome não me dizia nada, mas mais uma vez fui ao Google e soube que tinha sido casada com o engenheiro Sócrates.

Procurador: Recorda-se do valor do imóvel?

Ana Vaz: 850 mil euros.

Procurador: Havia mais alguma medida de salvaguarda do banco?

Ana Vaz: Não vi o contrato, mas talvez houvesse hipoteca.

Procurador: Autorização de débito em conta?

Ana Vaz: Sim, sim. Sempre que não houvesse fundos na conta de Sofia Fava, o banco estava autorizado a debitar o valor na conta de Carlos Santos Silva.

Procurador: Colegas da Praça de Londres contactavam-na e a senhora contactava Carlos Santos Silva?

Ana Vaz: Sim.

Procurador: Apercebeu-se se Carlos Santos Silva estava preocupado com a concessão deste financiamento?

Ana Vaz: Sim. Lembro-me de me ligar várias vezes para saber se o assunto estava a ser tratado, de o meu colega da Praça de Londres dizer que a Sofia Fava não ia ao balcão assinar documentos que eram necessários.

Procurador: Recorda-se se Carlos Santos Silva procedeu a algumas transferências para uma senhora sediada no estrangeiro?


Ana Vaz: Sim, Sandra Santos. Sei que era Carlos Santos Silva pedia regularmente, pelo menos uma vez por mês, cerca de 2000 euros, que era suporte familiar.

Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 13h08

Termina o depoimento

Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 11h51

Advogado Pedro Delille ameaça greve de silêncio como forma de protesto

Começa a falar a testemunha António Costa Peixoto. É economista reformado e já falou três vezes no processo. Foi absolvido numa certidão extraída deste processo. Diz que conheceu José Sócrates através de Filipe Batista. "Estava a fazer uma tese e pediu-me para ler o rascunho que tinha", conta.

Procurador: Em que ano se reformou?

Testemunha: 2013

Procurador: Onde?

Testemunha: Câmara de Oeiras. 

Procurador: Porque lhe pediram para ler uma tese sobre filosofia política?

Testemunha: Já o tinha feito para vários amigos, isso deve ter vindo da conversa

Procurador: Mas pro bono?

Testemunha: Nunca falámos sobre isso, exceto no fim. O Sócrates disse que me tinha de pagar isto.

Procurador: Nessa altura o seu filho estava empregado?

Testemunha: Ele foi operado, fez um transplante...

Procurador: Preocupou-se em arranjar um emprego para o seu filho? Interveio para arranjar um trabalho para o seu filho? O que fez?

Testemunha: Pedi ao doutor Rui Mão de Ferro para meter o nome do meu filho e não o meu. Eu era para ter uma primeira reunião com Carlos Santos Silva, ele afinal conseguiu vir e veio o Rui Mão de Ferro. 

Procurador: Combinou encontro com Carlos Santos Silva e apareceu outra pessoa, foi isso?

Testemunha: Sim

Procurador: Porque tinham os contratos o nome do seu filho?

Testemunha: Julguei que assim o estava a motivar

Tinha uma avença de 3500 euros brutos.

Procurador: Mantinha contactos com Mão de Ferro sobre novos trabalhos e necessidades?

Testemunha: Sim. O primeiro contrato tinha a duração de um ano.

Procurador: Alguma vez falou com José Sócrates sobre estes contratos?

Testemunha: Não

Procurador pede para ser exibida escuta em tribunal para avivar memória da testemunha.

Ouve-se a escuta (abril 2024): 

Testemunha: Podíamos ir beber um cafezinho um dia destes?

Sócrates: Sim, claro. Ligue-me para a semana, mas isso já está tudo combinado.

Testemunha: Esta semana há programa?

Sócrates: Não há. Ligou-me o gajo a dizer que não havia.

Procurador: Qual era o assunto? De que falam?

Testemunha: Mais do que uma vez eu falei com ele sobre se conhecia alguém, para meter uma cunha [para o meu filho]

Ouve-se outra escuta: 

Sócrates: Olá meu caro, você está magnífico?

Testemunha: Tudo bem

Sócrates: Olhe, daqui a uma semana terá novidades. Estou a tratar disso. Eu resolvo isso.

Procurador: O que esperava obter?

Testemunha: Tinha a ver com o meu filho, questões de saúde do meu filho..

Procurador: Mas porque não fala aqui de um hospital por exemplo?

Testemunha: Mas o que poderia ser? Não estou a perceber …

Procurador: Nas buscas nunca foram encontrados trabalhos assinados por si ou pelo seu filho, sabe porquê?

Testemunha: Mas eu enviava os trabalhos…

Procurador: Conheceu o João Perna?

Testemunha: Ele foi lá 5 vezes com a tese do José Sócrates

Procurador: Tinha um blogue? Qual era?

Testemunha: Câmara corporativa. Assinava como Miguel Abrantes

Procurador: Acompanhava o programa semanal do José Sócrates na RTP?

Testemunha: Sim

Procurador: Ajudava? Preparava alguma coisa?

Juíza: Enviava o mapa de audiências?

Testemunha: sim

Juíza: E enviava também emails?

Procurador: Não partilhava opiniões políticas e críticas?

Testemunha: Uma vez ou outra

Procurador: Os pagamentos deste segundo contrato foram até quando?

Testemunha: Janeiro 2014

Procurador: Temos informação de que foram até outubro de 2014…

Testemunha: Não

Procurador: Porque terminou contrato? Perguntou alguma coisa?

Testemunha: Não me lembro, posso ter falado com o Rui Mão de Ferro

Procurador: Foi nessa altura (depois das detenções) que os pagamentos cessaram?

Testemunha: Sim

Testemunha confrontada com emails para o Sócrates

Testemunha: Quando alguma coisa me chamava a atenção, era capaz de lhe enviar umas linhas

Procurador: Se lhe enviava era porque lhe interessava… Quanto tempo durou esta ‘assessoria de informação’?

Testemunha - Parece-me um exagero essa classificação de assessoria de informação. Eu mandava notas, como deveriam mandar mais 50 pessoas. Era um tópico, um link…

Procurador - Recorda-se de ter combinado por telefone intervenções suas no blogue, recebendo porventura indicações dele?

Testemunha - Foram duas vezes, mas nas duas vezes nunca fiz nada. Uma era sobre não ter terminado o curso e ele queria que eu fizesse a defesa dele no blogue. Ligou-me às duas e três da manhã e eu já estava a dormir. Não fiz.

A outra era por causa de uma coisa que tinha saído nos jornais depois de eu ter sido ouvido. Disse-me ‘faça uma coisa já a desmentir isso tudo’. E eu achei que não devia fazer. Ficou enervado com coisas que tinham dito sobre ele…

Procurador: Esse dinheiro que recebeu teve que ver com o blogue, os emails para José Sócrates e revisão da tese, ou com trabalhos para a empresa Rui Mão de Ferro?

Testemunha: Não tinha nada a ver com isso

Juíza dá a palavra aos advogados. Pedro Delille ameaça greve de silêncio como forma de protesto. Acusa a juíza de tratamento desigual. E acusa MP de exibição com querer ouvir “mulheres de Sócrates, escritor, blogger“.

Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 11h08

Mulher de Domingos Farinho também quer dispensa para questionar Ordem dos Advogados

Após Domingos Farinho ser dispensado é inquirida a sua mulher, Jane Kirkby - advogada.

"Conhece o José Sócrates", começa por questionar a juíza

"Conheci pelo meu marido. O meu marido trabalhou com o engenheiro. Em 2013, o meu marido prestou um apoio na tese. Estive com ele num jantar e em Paris", responde Jane.

Juíza explica à testemunha que o marido recusou prestar depoimento e pergunta-lhe se pretende prestar depoimento.

Testemunha opta também por questionar a Ordem dos Advogados e é dispensada.

Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 11h04

Domingos Farinho dispensado porque não sabe se pode "violar o dever de sigilo profissional"

Procurado do MP continua a questonar Domingos Farinho. "O que lhe foi pedido e o que foi combinado", pergunta.

Domingos Farinho diz que não tem consciência se pode ou não violar o dever de sigilo profissional.
"Não estava preparado para esta questão e gostava de ponderar a mesma”.

Procurador: Está a pensar pedir a dispensa à Ordem?

Domingos Farinho: Sim, não quero que me seja assacada nenhuma responsabilidade.

Procurador: Em causa estão dois contratos e todas as questões andaram à volta disto.

Juíza: O tribunal concede 10 dias à testemunha para vir informar o processo. 

Testemunha dispensada

Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 10h56

Tribunal considera que cabe à testemunha, se entender, escusar-se a depor

Tribunal considera que cabe à testemunha, se entender, escusar-se a depor. “Indefere-se o requerimento apresentado pela defesa de José Sócrates”.

Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 10h44

Tribunal interrompe sessão para deliberar

Terça-feira, 28 de outubro de 2025 às 10h36

"Não falo com ele há 10 anos": Domingos Farinho sobre Sócrates

Domingos Farinho inicia as declarações dizendo que “Sócrates queria alguém para o ajudar na revisão da tese" e que em novembro de 2012 houve um contacto para saber se havia condições para o ajudar na tese.

"Acertámos os termos em janeiro. Em 2013, encontrámos-nos duas ou três vezes. Falávamos por telefone”, disse o professor de direito.

Juíza: Mantém contacto com José Sócrates?

"Não. Não falo com ele há 10 anos", responde Domingos Farinho.

Juíza: Conhece mais algum arguido?

"Conheço o Rui Mão de Ferro, foi me apresentado pelo José Sócrates. Sócrates perguntou-me se concordaria que a empresa do Rui Mão de Ferro me fizesse o pagamento. Disse-me que seria ele a assegurar", garantiu o professor de direito.

Juíza dá a palavra ao procurador do Ministério Público.

Procurador pede que Domingos explique "essas primeiras conversas que teve com José Sócrates".

Advogado de Sócrates interrompe: “Os factos são objetivo exclusivo do outro processo. Não pode ser objeto de qualquer questão. Está nesse processo. Vossa excelência já nem olha para mim, olha para lado, era bom que isto fosse gravado para se ver o que se passa aqui”, Pedro Delille está muito irritado e quer impedir o depoimento da testemunha.

"Se bem percebi, não quer que a testemunha preste testemunho porque factos estão noutro processo e porque a testemunha é advogado e não pediu levantamento do sigilo profissional, é isso?", questiona a juíza.

"Sim. Como advogado, está obrigado a sigilo profissional", responde Delille. 

Procurador considera que não há  motivo de suspensão dos trabalhos. E a questão do sigilo profissional “não faz qualquer sentido, não fez qualquer assessoria jurídica, foi prestador de serviços académicos”. “Não parece haver qualquer obstáculo para que a testemunha não preste depoimento”, diz o procurador.

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