Após o incidente, os agressores mantiveram a possibilidade de continuarem no espaço e de serem assistidos.
Enfermeira agredida no Hospital de Santa Maria em Lisboa
Uma enfermeira de 33 anos denunciou que, pelas 02h00 desta quarta-feira, foi agredida por uma utente, de 50 anos, e pelo marido desta, de 54, no interior de uma sala de tratamentos das Urgências do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Mas a agressora afirma que também foi agredida, confirmou ao CM fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.
O alerta à PSP foi dado pela enfermeira coordenadora e acorreram dois elementos policiais que estavam de serviço às Urgências.
A enfermeira contou-lhe que tinha sido agredida – sem especificar o tipo de agressão e as causas – e a utente do hospital devolveu a acusação, dizendo ainda que o marido pode ter ferido a profissional de saúde quando tentava separar as duas mulheres.
Por falta de flagrante, a PSP não pôde avançar para detenções. Uma participação com as duas versões recolhidas foi enviada ao Ministério Público, que deverá mandar investigar o caso.
Nem a enfermeira, nem a utente, tinham ao final da manhã desta quarta-feira apresentado queixa nas autoridades.
A Ordem dos Enfermeiros fez saber em comunicado que "repudia veementemente a agressão de que foi alvo uma enfermeira, esta madrugada, nas Urgências do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, bem como a situação que se seguiu, ficando a enfermeira impedida de prosseguir o seu trabalho, devido às lesões sofridas, enquanto os agressores permaneceram no local".
Para a entidade, "esta é mais uma situação que demonstra a necessidade de medidas concretas, que vão muito além da criação de um gabinete de segurança, designadamente ao nível da prevenção, em primeiro lugar, repressão e punição".
Ao que tudo indica, na altura da agressão, o polícia de serviço naquele local estava a tomar conta de uma outra ocorrência, pelo que a enfermeira foi socorrida por um outro elemento das forças de segurança que se encontrava a acompanhar um doente de saúde mental.
"Esta situação remete-nos para uma necessidade imperativa do reforço de segurança nos estabelecimentos de saúde, em particular nas Urgências, onde ocorrem a maioria dos episódios", avança a Ordem dos Enfermeiros acrescentando que, na sequência das agressões, a vítima foi impedida de prosseguir o seu trabalho devido às lesões sofridas.
Aos agressores nada aconteceu. Estes continuaram no local e mantiveram a possibilidade de serem assistidos.
Para a Ordem dos Enfermeiros este tipo de ocorrências não podem continuar a acontecer. "É tempo de implementar medidas concretas a nível judicial. É tempo de alterações penais, tal como aconteceu quando o País decidiu enfrentar o fenómeno da violência doméstica. São necessárias medidas imediatas e visíveis", pode ler-se.
No comunicado divulgado esta quarta-feira, a entidade refere ainda não entender "como é que se realiza uma reunião entre a ministra da Saúde e o ministro da Administração Interna e a ministra da Justiça é excluída da discussão sobre esta situação".
"É criado um gabinete de segurança, esquecendo-se que já antes fora criado, pela DGS, um Observatório Nacional da Violência Contra os Profissionais de Saúde no Local de Trabalho. E o que mudou? Nada. A situação só piorou, como demonstram as estatísticas mais recentes", pode ler-se.
A Ordem dos Enfermeiros afirma ainda que não vai deixar de recorrer a todas as instâncias necessárias para travar esta situação e conseguir a implementação de medidas concretas.
"Neste momento, a OE está em contacto com a enfermeira agredida, a quem presta toda a sua solidariedade, disponibilidade e apoio para que a situação não fique impune", termina o comunicado.
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