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Correio da Manhã

Portugal
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Corpo de uma das vítimas retirado pelas autoridades. Dois mortos confirmados

Autoridades avançam ainda com a existência de três desaparecidos. Operações decorrem com dificuldade.
19 de Novembro de 2018 às 16:47
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Troço da EN 255 que liga Borba a Vila Viçosa, em Évora, abateu esta segunda-feira.

Duas pessoas morreram e três outras ficaram "submersas" após um troço da estrada municipal 255 que liga Borba a Vila Viçosa, em Évora, ter abatido esta segunda-feira pelas 15h45. O aluimento de terras provocou a queda de pelo menos três veículos para dentro de "uma pedreira com 50 metros de profundidade" com água.

Segundo avança a CMTV, foi retirado o primeiro corpo da pedreira durante a tarde desta terça-feira.

Ao que o CM apurou, as vítimas mortais tratar-se-ão de trabalhadores da empresa A.L.A. de Almeida: Gualdino Pita, 49 anos, e João Xavier, de 58, morreram a trabalhar na pedreira. O Ministério Público vai abrir um inquérito para "apurar as circunstâncias" da derrocada da estrada. As autoridades vão usar motobombas para retirar água, gruas e sensores para localizar vítimas, mediante "as condições meteorológicas e de segurança".



O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deslocou-se ao início da tarde desta terça-feira a Borba, onde se encontra para apurar mais detalhes sobre a derrocada da estrada e as operações de resgate no local.

O presidente da Câmara de Borba também se pronunciou sobre a tragédia que aconteceu em Borba, durante esta terça-feira, garantindo que "nunca na vida" foi informado da alegada perigosidade da estrada junto às pedreiras.

O comandante do centro de operações de socorro de Évora, José Ribeiro, ressalvou a morosidade desta operação e a instabilidade do terreno num ponto de situação feito às 12h00.

José Ribeiro afirma ainda serem necessárias avaliações do terreno constantes devido ao perigo de deslizamento de terras.

Operações para detetar segundo trabalhador prosseguem
O comandante do Centro de Operações de Socorro (CDOS) de Évora, José Ribeiro voltou a frisar as dificuldades vivivas no terreno pelas autoridades e equipas de resgate devido ao "perímetro instável e elevado risco de deslizamento de massas" junto ao local onde ocorreu o acidente.

"Neste momento estamos a prosseguir com a operação para tentar detetar o corpo do segundo trabalhador da pedreira. Às primeiras horas do dia de amanhã (quarta-feira) irão iniciar-se as operações de drenagem", explicou num novo briefing à comunicação social, às 20h00 desta terça-feira.

Visita relâmpago de Marcelo Rebelo de Sousa
O Presidente da República deixou esta terça-feira uma mensagem de apoio às operações em curso em Borba, apresentou condolências aos familiares das vítimas e pediu paciência face à indefinição da conclusão dos trabalhos.

Em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que já passou "muitas vezes, em atividades profissionais ao longo de muitos anos", pela estrada que abateu na segunda-feira, provocando duas vítimas mortais confirmadas e vários desaparecidos.

Questionado se entende que este era um desastre anunciado, respondeu: "Não me vou pronunciar sobre isso".

"Penso que, neste momento, o fundamental é esta mensagem de apoio ao que está a ser feito e está a ser feito com critério, com cuidado e com segurança e, por isso, sem limites temporais precisos, como tem sido explicado e bem à opinião pública", considerou.

Buscas continuam esta terça-feira

Esta terça-feira foram iniciadas as buscas pelas três vítimas ainda submersas. No local estão mergulhadores de um corpo de bombeiros da zona, em princípio será Borba.

Os mergulhadores do Grupo de Intervenção, protecção e Socorro (GIPS) da GNR estão de prevenção, mas ainda não foram chamados ao local.

Estão também militares do GIPS no local a trabalhar com os bombeiros e militares do Exército, da especialidade de Engenharia, para avaliar a segurança do local onde ocorreu a derrocada, para prevenir novos abatimentos de piso.

O GIPS tem ainda de prevenção militares da especialidade de catástrofes, que só atuam em situações de sismos ou cheias, para intervir caso seja necessário.

O comandante do Comando Distrital de Operações e Socorro, José Ribeiro, está a comandar as operações de socorro, e será ele a ativar os meios complementares.

As autoridades fizeram uma "avaliação no terreno" sobre as condições de segurança para o resgate das vítimas a fim de garantir "condições de segurança".

As buscas foram interrompidas ao final da manhã devido à chuva que se faz sentir naquela região. 

Durante a madrugada desta terça-feira, registaram-se novos deslizamentos de terras no local, por os terrenos estarem "instáveis".

Industriais do mármore dizem que "tragédia" de Borba poderia ter "sido evitada"
Industriais do setor dos mármores em Borba (Évora) consideraram esta terça-feira que a "tragédia" de segunda-feira, com o deslizamento de terras para uma pedreira, com vítimas mortais, poderia ter "sido evitada" porque "os problemas" da estrada estavam identificados.

O que sucedeu, poderia ter sido "evitado porque, pelo menos há quatro anos, que nós, empresários, propomos à câmara" o corte daquele troço de estrada, a antiga estrada 255, que liga Borba a Vila Viçosa, disse esta terça-feira à agência Lusa José Batanete, empresário do setor.

Autoridades avistaram retroescavadora e uma das vítimas
As equipas de socorro estabeleceram contacto visual, esta segunda-feira, com a retroescavadora e com uma das vítimas arrastadas durante a tarde. Fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) indicou à Lusa que foi avistada "a retroescavadora com o corpo de uma das vítimas", mas não confirmou a situação desta pessoa, por "dificuldade de acesso". 

A mesma fonte assinalou que a retroescavadora seria de uma empresa que opera numa das pedreiras da zona, enquanto os automóveis seriam de particulares. 

O INEM acrescentou que acionou um helicóptero, uma viatura médica de emergência e reanimação (VMER), uma ambulância de suporte imediato de vida (SIV) e diversas ambulâncias de várias corporações de bombeiros, além de uma equipa de psicólogos.

Um posto móvel da Proteção Civil esteve no local para auxiliar nas operações de busca e resgate das vítimas do acidente.

O alerta foi dado pouco antes das 16h00 e para o local foram acionados 84 operacionais apoiados por 39 viaturas.

Familiares e antigos trabalhadores dizem que desastre já era previsível
Uma testemunha confirmou que o cunhado, trabalhador da pedreira, está entre as vítimas do acidente e que o desastre já se esperava que pudesse acontecer, em declarações à CMTV.

Um antigo trabalhador de uma das pedreiras confirmou à CMTV que o desastre já era "esperado".

Dois trabalhadores acabaram por morrer na sequência do desabamento do troço de estrada.

Proteção Civil confirma dois mortos e prevê "operação de complexidade extrema"
Em conferência de imprensa a Proteção Civil confirmou esta segunda-feira duas vítimas mortais na sequência de um deslizamento de terras que provocou a deslocação de várias rochas e blocos de mármore e resultou na destruição da estrada municipal 225 que liga Borba a Vila Viçosa, em Évora.

Em consequência do deslizamento de terras, dois operários da empresa que explora o local foram arrastados e acabaram por morrer. O deslizamento terá arrastado ainda duas viaturas segundo avança o Comandante Distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Évora, José Ribeiro.


As operações podem durar "semanas" segundo revelou José Ribeiro, não avançando uma previsão para o final dos trabalhos de busca e resgate.


Autarca lamenta pelo menos duas mortes em acidente nas pedreiras
O presidente da Câmara de Borba, no distrito de Évora, lamentou a morte de pelo menos duas pessoas na sequência de um deslizamento de terras numa estrada daquele concelho que arrastou viaturas para uma pedreira.

"Quando morre alguém dói muito, quando morre alguém da minha terra ainda me dói muito mais", disse António Anselmo, em conferência de imprensa.

António Anselmo, que falava aos jornalistas no quartel dos Bombeiros Voluntários de Borba, referiu que está de "consciência tranquila", sublinhando ainda que o município respondeu "de imediato" ao acidente e, em menos de meia hora, a câmara tinha cinco geradores no interior da pedreira, visto que " às cinco e pouco não se vê, é de noite".

"Os trabalhos são muito difíceis, só quem não conhece as pedreiras é que não sabe o que está ali, uma pedra pequena pode matar alguém", alertou.

Ordem dos Engenheiros "estupefacta" com ocorrência
O bastonário da Ordem dos Engenheiros afirmou que está "estupefacto" com o deslizamento de terras para uma pedreira em Borba, referindo que a situação já era conhecida e que a "medida adequada" era encerrar a estrada.

"Infelizmente tenho de mostrar alguma estupefação sobre o que aconteceu e como foi possível acontecer. Era uma situação que estava identificada pelo menos há quatro anos, já tinha sido equacionada a possibilidade de encerrar a estrada", disse Mineiro Aires em declarações à agência Lusa.

Infraestruturas de Portugal garante que estrada é gerida por municípios desde 2005
A Infraestruturas de Portugal esclareceu que a estrada onde ocorreu um aluimento de terras em Borba foi transferida em 2005 para "a jurisdição dos municípios" de Borba e de Vila Viçosa, pelo que "já não é uma estrada nacional".

Sem saber qual a atual designação da estrada, fonte da Infraestruturas de Portugal garantiu à Lusa que a antiga Estrada Nacional (EN) 255 é, desde 2005, "gerida pelos municípios de Borba e de Vila Viçosa".

Assim, são estes municípios que têm a responsabilidade direta pela manutenção e conservação desta via rodoviária.

Questionada se há registo de problemas nesta estrada até 2005, a empresa Infraestruturas de Portugal não adiantou para já essa informação.



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