Em causa, estão mais de 200 crimes de maus-tratos e maus-tratos agravados a animais de companhia.
A coordenadora da Proteção Civil de Santo Tirso em julho de 2020 garantiu esta terça-feira em tribunal ter sido "diligente" e feito "o que devia" no caso do incêndio que matou 92 animais num abrigo ilegal na serra da Agrela.
"Eu fui diligente e fiz tudo o que devia fazer com a informação que tinha", disse a responsável na primeira sessão do julgamento, que arrancou esta terça-feira no Tribunal de Matosinhos.
Aquele tribunal começou esta terça-feira a julgar o caso da morte de 92 animais, 88 cães e quatro gatos, que estavam num canil ilegal na serra da Agrela, em Santo Tirso, que foi atingido por um incêndio em 2020, que lavrou entre 17 e 19 de julho, tendo começado em Valongo e consumido uma parte substancial daquela serra.
Em causa, estão mais de 200 crimes de maus-tratos e maus-tratos agravados a animais de companhia, estando a ser julgados a coordenadora da Proteção Civil da Câmara Municipal de Santo Tirso à data dos factos, o então veterinário municipal, as donas do canil -- mãe e filha -- "Cantinho das Quatro patas", onde morreram os animais, e a dona de um outro canil, também ilegal e que era vizinho do primeiro.
Na primeira sessão do julgamento, a responsável pela Proteção Civil daquela autarquia, que deixou de ocupar o cargo em 2022, garantiu ter sinalizado os dois canis que foram atingidos por um incêndio em 18 de julho de 2020.
"Eu sinalizei os abrigos como pontos sensíveis quando vi que não estavam sinalizados", garantiu, explicando que o fez quando se dirigiu ao Posto de Comando e verificou que os dois espaços não estavam assinalados.
Segundo aquela responsável, no dia 17, quando chegou àquele local, pediu para falar com o à data comandante dos Bombeiros de Santo Tirso, que não se encontrava no local. "Uma hora depois, ele chegou e, o que me foi dito, foi para não me preocupar porque o incêndio tinha sido dado como dominado", disse.
E continuou: "Mais tarde, o incêndio reacendeu e eu voltei a avisar o veterinário municipal do reacendimento para avisar as proprietárias dos abrigos. Não me cabia decidir estratégias", disse.
Esta arguida explicou que só teve conhecimento de que o fogo tinha atingido os abrigos mais tarde: "No posto de comando nunca foi dito que o incêndio tinha chegado lá. Se não foi lá informado, eu não tinha como saber", explicou.
Também na sessão desta manhã, a dona de um dos abrigos admitiu que o espaço era ilegal, embora tenha salientado que o tentou "várias vezes" legalizar e admitiu ainda ter recebido visitas do então veterinário municipal.
"Ele foi lá um par de vezes, porque houve denúncias", apontou.
A arguida admitiu ainda que alguns dos animais que abrigava "estavam presos com cadeados" para, disse, "não se matarem uns aos outros", e que "muitos dos animais" não estavam vacinados.
Dos restantes arguidos, uma faltou por razões médicas e os outros dois não quiserem prestar declarações, continuando o julgamento da parte da tarde com a audição das primeiras testemunhas e a continuação do depoimento da ex-coordenadora da Proteção Civil.
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