Nuno 'Mata' tinha apenas 26 anos quando o pescoço foi esmagado por um touro na arena do Campo Pequeno, em Lisboa.
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Aquilo que inicialmente parecia ser um impedimento acabou por não o ser: Nuno ‘Mata’ ficou tetraplégico em 2012 numa pega trágica no Campo Pequeno, em Lisboa.
O primeiro assunto em que pensou foi a vida sexual. Nessa altura já namorava com Carina Rodrigues.
"Um homem com 26 anos, no auge da idade, pensa logo nisso. Fomos aprendendo e reajustando, e temos uma vida sexual ativa", conta ao CM Nuno. O antigo forcado da Moita recusa que este tema seja um tabu. Conta que só o é para quem desconhece a realidade.
"O sexo até melhorou. Por vezes não damos certo valor a algumas coisas, mas depois aprendemos a fazer tudo com mais calma e redescobrimos o corpo um do outro", acrescenta.
Carina viu pela televisão o momento em que o touro pisou o pescoço do namorado. Foi de imediato para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Quando chegou, Nuno pediu-lhe que seguisse com a sua vida porque tudo se ia complicar. "Disse-lhe que era louco, que não fazia sentido", lembra Carina.
Juntos há 12 anos, o casal mantém o desejo de casar e de ter filhos. "Casar é complicado porque é muito caro, mas eu quero concretizar o sonho da Carina. Quanto ao facto de virmos a ser pais, estamos a tentar, a nossa vida já está estável. Se tudo correr bem, pode ser que, em breve, se concretize", diz Nuno.
As lesões musculares têm fortes impactos a nível motor. A sensibilidade diminui, podendo até mesmo desaparecer. Outra consequência é a disfunção erétil, ainda que seja possível tratá-la.
"É possível resolver o problema. Usamos um vibro estimulador para conseguir provocar uma ejaculação. Com uso regular, o sémen melhora e aí é possível entrar no processo de procriação medicamente assistida", explicou, na altura do acidente, a médica fisiatra Glória Batista.
Pormenores
Apoio da namorada
Carina Rodrigues, 31 anos, cuida do namorado desde que este teve o acidente. Saiu de casa dos pais e foi viver com o companheiro.
Tratamentos em Alcoitão
Terapias no Centro de Medicina de Reabilitação, onde esteve duas vezes internado, permitiram ao forcado recuperar alguns movimentos dos braços e até já consegue conduzir a cadeira elétrica com a mão esquerda.
Tetraplégico critica falta de acesso a serviços públicos
Nuno ‘Mata’ acusa o Estado de não cumprir nem fazer cumprir. Para o antigo forcado, uma das principais causas de exclusão social é a falta de acessibilidades.
"Não consigo entrar no Tribunal da Moita, nem mesmo nas Finanças", exemplifica. As queixas estendem-se ainda a espaços como o ginásio.
Nuno diz que foi ‘salvo’ pela solidariedade
"Se não fosse o apoio dos meus amigos e da comunidade taurina, era impossível", disse, emocionado, Nuno ‘Mata’.
O forcado, que ficou tetraplégico, conseguiu reconstruir a vida com o dinheiro que foi angariado em eventos como a tourada solidária na Moita. Demorou cerca de cinco anos a ter a vida encaminhada: comprou duas casas que adaptou às necessidades.
"A cozinha e a sala de estar foram ampliadas e também adaptei a casa de banho. Como aumentei os espaços, tive de construir um elevador para subir até ao primeiro piso onde tenho o meu escritório. Para além disso, tive de comprar uma carrinha adaptada e pagar tratamentos. Foram precisos quase 200 mil euros para iniciar a nova vida", explicou Nuno.
Trabalho
Nuno descobriu que a paixão é o ‘coaching’ - aconselhamento. Dá palestras onde ajuda e procura inspirar a audiência através da sua experiência de vida.
Na altura do acidente estava no 2º ano do curso de marketing. Desistiu, mas concretizou um sonho - tem uma loja online de vestuário, inicialmente criada para angariar fundos para a causa.
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