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Ao fim de 55 anos no mar, a 'CORENES' deixa de salvar vidas

Navio combatente mais antigo da Marinha entra em estado de desarmamento.

29 de março de 2026 às 02:30

Construída em Cádis (de projeto português do engenheiro Rogério d' Oliveira), teve o primeiro dia de mar a 27 de junho de 1971 e seguiu para os últimos anos da Guerra do Ultramar, onde apoiou os fuzileiros, principalmente no Norte de Moçambique (mas passou também por Angola, Guiné e Cabo Verde). Com a democracia deixou a luta armada pelas missões de busca e salvamento de vidas no mar. Fez quase 30 missões nos Açores, muitas outras na Madeira e inúmeras no continente. A corveta António Enes, que na Marinha todos conhecem pelo indicativo de chamada internacional CORENES, passou agora à situação de desarmamento para abate: 55 anos depois de ter entrado ao serviço, era o navio combatente mais antigo da Armada.

Na Marinha não haverá muitos militares que não tenham embarcado nas corvetas; e a António Enes é a mais famosa das seis da classe João Coutinho. "Marcou gerações de marinheiros ao longo de mais de 50 anos. Foi casa, escola, local onde se enfrentou todo o tipo de mar, desafio e orgulho", descreve a Marinha. Além da dedicação às missões de busca e salvamento, participou ainda em ações de vigilância e acompanhamento (nos últimos anos de diversos navios de guerra russos), em exercícios militares e na fiscalização da Zona Económica Exclusiva de Portugal.

Ao longo dos anos, foi perdendo tripulação e armamento, já que a missão de salvar vidas requereu adaptação. A corveta de 85 metros de comprimento, capaz de fazer 22 nós (41 km/h), tinha agora uma guarnição de 70 militares. Na situação de desarmamento manterá uma guarnição simbólica: 11 militares (2 oficiais, 4 sargentos e 5 praças).

Palco de muitas histórias felizes, a António Enes também teve uma grande tragédia a bordo. A 10 de março de 1987, quando ia atracar no porto da Horta, na ilha do Faial, Açores, uma explosão na casa da máquina do leme provocou seis mortos e 11 feridos. 

A corveta António Enes, número de amura F471, fica imortalizada numa fotografia de Nélson Vitorino, capturada a 23 de fevereiro de 2010, em Peniche, quando participava numa operação de busca e salvamento, após dois incidentes terem feito cinco vítimas no mar. 

Algumas corvetas da classe foram afundadas para servirem de recife artificial, na Madeira, Açores e Algarve. Para já, não é conhecido destino para a António Enes.

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