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Apreensões de drogas sintéticas disparam nas cadeias

Em 2025, guardas efetuaram 313 deste tipo de apreensões. Em 2023, tinham sido 37. K4 é a que mais preocupa.

21 de março de 2026 às 01:30

As apreensões de drogas sintéticas nas cadeias dispararam. Segundo dados cedidos, pelos Serviços Prisionais, ao jornal Expresso desta sexta-feira, foram efetuadas 313 recuperações destas substâncias, em meio prisional, no ano passado. Em 2023, tinham sido apenas 37, ou seja cerca de 10 vezes menos. A droga 'K4', o estupefaciente sintético mais recente a entrar nos estabelecimentos prisionais nacionais, é dos que mais preocupa.

O 'K4' é uma droga fumável, que entra nas cadeias sob a forma de correspondência dirigida aos reclusos. É totalmente produzida em laboratório e, com um efeito bastante superior, reproduz os efeitos do THC, o composto principal da canábis. No início, direções e guardas das cadeias portuguesas não sabiam como lidar com este estupefaciente. Os efeitos nos reclusos são devastadores: a inalação de um cigarro improvisado, feito com tiras de papel pulverizado com esta droga, deixava os presos como zombies (mortos-vivos). Houve casos de hospitalizações em todo o País.

O Sindicato Nacional da Guarda Prisional apresentou uma solução para este cenário. Fotocopiar toda a correspondência recebida pelos reclusos, mitigando assim a disseminação do 'K4' e permitindo ainda que os mesmos apenas possam ler livros, revistas ou jornais das bibliotecas das prisões. 

Recluso homicida enfrenta punições

Hugo Correia, um jovem esquizofrénico, de 25 anos, condenado a 8 anos e 9 meses por roubo, agressões e posse de arma, matou o colega de cela, Diogo Remelgado, a 28 de fevereiro. Espancou-o até à morte, com uma barra de ferro, na cela onde ambos cumpriam pena, na cadeia do Linhó. No dia seguinte foi logo transferido para a prisão de segurança especial de Monsanto, em Lisboa. Pedro Pestana, advogado de Hugo Correia, recordou ao CM que o cliente lhe disse “ter fumado K4, com a vítima, na noite do homicídio”.

Hugo Correia prestou, esta sexta-feira, as primeiras declarações no âmbito do processo disciplinar movido pelos Serviços Prisionais. Enfrenta uma pena até 21 dias de reclusão total, numa cela, pelo homicídio cometido. A investigação da Polícia Judiciária ao crime, prossegue.

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