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Correio da Manhã

Portugal
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Armando Vara ouvido na comissão de inquérito à CGD

Ex-administrador da CGD chegou ao Parlamento cerca das 14h30 e foi ouvido.
14 de Junho de 2019 às 09:06
Armando Vara já está a ser ouvido na comissão de inquérito à CGD
Armando Vara já está a ser ouvido na comissão de inquérito à CGD
Armando Vara já está a ser ouvido na comissão de inquérito à CGD
Armando Vara já está a ser ouvido na comissão de inquérito à CGD
Armando Vara já está na Assembleia da República
Armando Vara já está na Assembleia da República
Armando Vara já está na Assembleia da República
Armando Vara já está na Assembleia da República
Armando Vara já está a ser ouvido na comissão de inquérito à CGD
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Armando Vara já está na Assembleia da República
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Armando Vara já está a ser ouvido na comissão de inquérito à CGD
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Armando Vara já está na Assembleia da República
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Armando Vara já está na Assembleia da República
Armando Vara já está na Assembleia da República
O ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Armando Vara foi ouvido esta sexta-feira na segunda comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão do banco, depois dos deputados terem recusado o seu pedido para não comparecer no parlamento.

Armando Vara chegou ao Parlamento cerca das 14h30. O CM sabe que o ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos chegou numa carrinha celular e entrou pela garagem do edifício. 

Jorge Gomes, ex-secretário de Estado da Administração Interna, entrou com na sala, pela porta das traseiras, juntamente com Armando Vara. Uma câmara da ARTV acompanhava a entrada de Vara.

No início da sua intervenção, Armando Vara referiu que não iria "responder a perguntas relacionadas com o financiamento de Vale do Lobo", em que é acusado na Operação Marquês, mas garante que "todos os procedimentos legais e regulamentares foram cumpridos".

O também antigo ministro voltou a ainda a frisar a situação em que se encontra, tal como já tinha feito por carta, mencionando "o brutal impacto" que a situação de prisão configura, classificando-a de um "martírio" que "impede a preparação", que não teve acesso a informação e que tudo o que quiser escrever tem de o fazer "à mão".

O ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Armando Vara disse na sua audição que o banco público "não teve qualquer intervenção nas 'guerras' do BCP", durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à CGD.

A Caixa "nunca teve qualquer intervenção nas guerras do BCP", garantiu Armando Vara aos deputados, rejeitando que tenha existido qualquer "assalto" ao banco privado e que a CGD até quis vender as ações que tinha do BCP.

"E só não saímos mais, porque Paulo Teixeira Pinto [então presidente do BCP] deu conta que a Caixa estava a vender e pediu a [Carlos] Santos Ferreira [então presidente da CGD] para discutir o tema", revelou Armando Vara, acrescentando que o banco público não via "vantagem em ter uma participação daquela dimensão num concorrente".

De acordo com o ex-ministro socialista, Paulo Teixeira Pinto disse que "não era o melhor tempo" para vender uma posição no BCP, "porque ter a Caixa como acionista era uma proteção contra a OPA [do BCP sobre o BPI, à data]", tendo pedido que o banco público ficasse com "pelo menos 1%".

Armando Vara disse ainda que, quando saiu da CGD para o BCP, em 2008, o banco público tinha "menos de 5%" de ações do banco privado.

Mais tarde, questionado pelo deputado do PSD Virgílio Macedo sobre o facto da Caixa ter concedido crédito às sociedades ligadas ao empresário José Berardo para aquisição de ações do BCP, aumentando a sua exposição indireta ao banco privado, Armando Vara disse que as operações foram votadas por um "órgão colegial".

"Essas operações, quase todas, foram votadas por todo o conselho de crédito. Eu não enjeito responsabilidades nessas decisões, mas todos fazíamos parte de um órgão colegial, onde as decisões se tomavam sempre por consenso", disse Vara, acrescentando que "bastava que um elemento do conselho de administração desse sinal de algum desconforto para que a operação parasse, ficasse para a reunião seguinte ou até que a pessoa ficasse mais descansada em relação à operação".

Armando Vara disse ainda que foi ele "que teve a iniciativa da decisão de ir saindo do BCP", e que o banco público tinha capacidade financeira para emprestar 500 milhões de euros.

Em 07 de junho foi dada a conhecer uma carta dos representantes de Armando Vara, que está preso em Évora, em que pedia para não comparecer na comissão parlamentar de inquérito ao banco público, invocando "a situação em que se encontra" e falta de acesso a informação.

"Não pode o exponente deixar de invocar a situação em que se encontra, a qual é do conhecimento público, e de que resulta a sua impossibilidade de acesso a qualquer tipo de informação desde há cinco meses", podia ler-se na carta dos advogados de Armando Vara enviada à comissão, a que a Lusa teve acesso.

Armando Vara também invocou "a óbvia penosidade, quer física, quer emocional, que a sua deslocação ao parlamento acarretará", podia ler-se na missiva, bem como o facto de já ter comparecido na anterior comissão parlamentar de inquérito à CGD e ainda estarem a decorrer investigações à gestão do banco "relativos ao período em que o exponente foi administrador daquela instituição".

No entanto, o pedido de Armando Vara não foi acolhido pelos deputados, o que obrigará a uma deslocação pessoal ao parlamento e não permitirá uma resposta por escrito.

Na terça-feira, o presidente da comissão parlamentar, Luís Leite Ramos (PSD), disse que os serviços da comissão de inquérito analisaram o pedido de Armando Vara e lembrou que, tal como Joaquim Barroca, na qualidade de arguido o ex-gestor poderá invocar o segredo de justiça e remeter-se ao silêncio.

Para além de ser ex-administrador do banco público, Armando Vara está implicado na Operação Marquês, no âmbito do processo de concessão de crédito ao empreendimento de Vale do Lobo, sustentando a acusação do Ministério Público que Vara terá recebido um milhão de euros para favorecer as condições do crédito ao 'resort'.

Em 16 de abril, na sua audição na comissão parlamentar, o antigo diretor de empresas sul da CGD Alexandre Santos disse que recebeu um 'e-mail' de Vara para avaliar o projeto.

"Como é público recebi um 'email' do administrador do pelouro à data [Armando Vara] para estudar o dossier, remeti o dossier para estudo da área comercial onde estava o financiamento", disse.

Alexandre Santos disse ainda que "percentualmente, face aos pedidos de financiamento, financiamentos que entram por via dos senhores administradores são ínfimos, comparando com o que é normal, que é serem pela via local, do cliente".

Armando Vara - que se encontra detido desde janeiro deste ano após condenação no processo Face Oculta - foi nomeado administrador da Caixa Geral de Depósitos em 2006, para a equipa presidida por Carlos Santos Ferreira, tendo ambos depois transitado para o BCP em 2008.

O também ex-ministro Adjunto e da Juventude e Desporto do segundo governo de António Guterres é um dos 28 arguidos da Operação Marquês.

Dos arguidos deste processo, foram já ouvidos na comissão parlamentar de inquérito à CGD Joaquim Barroca (ex-administrador do grupo Lena) e Diogo Gaspar Ferreira (ex-administrador de Vale do Lobo).

Em 29 de maio foi dado a conhecer que o ex-primeiro-ministro José Sócrates, também arguido na Operação Marquês, responderá por escrito às questões dos deputados da comissão.

Na Operação Marquês estão também envolvidos Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Bárbara Vara (filha de Armando Vara), Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resort Turísticos de Luxo.

Vara afirma que não encaminhou proposta de crédito de Vale do Lobo para diretor

"Eu não encaminhei nenhuma proposta de crédito para o diretor de empresas sul. Eu reencaminhei um cliente", disse Armando Vara na sua audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão à CGD, acrescentando que "um documento daquela natureza era indispensável".

Em 16 de abril, o antigo diretor de empresas sul da CGD Alexandre Santos disse na sua audição que não não tinha memória de um caso como Vale do Lobo, em que os administradores apresentaram "dossiers já preparados".

O ex-diretor esclareceu que havia reuniões entre administradores e clientes, em que posteriormente lhe diziam para contactar os clientes, mas que "com dossiers já preparados" não tinha "memória de outro caso".

Esta sexta-feira, Armando Vara disse que apenas encaminhou "um 'business plan" [plano de negócios]", e que "sempre que recebia coisas de alguém, reencaminhava".

Questionado pela deputada do BE Mariana Mortágua se conseguia quantificar quantos planos reenviava, Vara disse que não tinha "a certeza" de quantos, mas que recebia e enviava "muitas vezes para onde tinha de ser enviado".

Armando Vara admitiu também estar confuso sobre como lhe tinha chegado o dossiê do projeto, se através da direção de empresas sul ou de Rui Horta e Costa, administrador de Vale do Lobo.

"Há uma certa confusão na minha memória sobre o que aconteceu primeiro", confessou Vara.

Vara diz que Filipe Pinhal "só se pode ter enganado" nas datas sobre BCP

"Ouvi dizer isso, mas tenho boa opinião do senhor e acho que ele se enganou nas datas. Era impossível o senhor ter dito que aconteceu nesse dia", afirmou Armando Vara, acrescentando que "não sabia de nada".

Armando Vara disse que foi convidado por Carlos Santos Ferreira em 2007, "no final de 2007".

"No início ou no fim [do mês de dezembro]?", perguntou Virgílio Macedo, ao que Vara respondeu "talvez no meio".

Vara diz ainda que "à data que ele [Filipe Pinhal] diz que estavam a acontecer certas coisas, não estavam".

Sobre a passagem da Caixa para o BCP, o deputado do PSD Virgílio Macedo disse que Vara não podia "fazer crer que a passagem da Caixa para o BCP não teve contexto político", e que o ex-ministro se referia a José Sócrates como "chefe".

Virgílio Macedo afirmou ainda que Armando Vara "era um dos rostos de um assalto ao BCP, para favorecer negócios de amigos, em que o controlo da CGD e do BCP também estava incluído", e de que não conseguiria "convencer os portugueses" de que não era "um emissário político do PS".

"Senhor deputado, o que é que eu hei de dizer para o convencer? Acha que os portugueses - ainda bem que falou dos portugueses - lembram-se do resultado das últimas eleições, certamente", respondeu Armando Vara.

O ex-administrador da CGD disse ainda que o tema de concessão de crédito para ações "não era um tema que repugnava os bancos", que o faziam "com muita facilidade".

No entanto, mais tarde, Vara disse que "ninguém tomava decisões de ânimo leve".

"Se nós tivéssemos imaginado que algum daqueles créditos não iria ser honrado, não os tínhamos concedido. O que aconteceu é que houve uma crise na finança internacional a que Portugal não podia ficar imune", acrescentou.

"Toda a economia, empresas, operações alavancadas em crédito bancário faliram, porque os colaterais desvalorizaram e não era possível reforçar os colaterais, as empresas foram executadas", defendeu Armando Vara.

Os empréstimos para financiar ações do BCP foram uma "coinciência"

"Não vejo nenhum nexo causal. Foi coincidência", respondeu Armando Vara ao deputado do PCP Paulo Sá, que lhe perguntou sobre a 'guerra' de poder no BCP e a posterior ida de Vara e de Carlos Santos Ferreira, então presidente da CGD, para o banco privado.

Armando Vara disse também que "não conhecia pessoalmente" o empresário José Berardo, que "não tinha nenhuma relação com ele" e que só o conheceu "na fase de ir para o BCP".

Vara diz que Banco de Portugal "não tinha de se meter" no crédito a Berardo

"O que o Banco de Portugal tinha de fazer naquele caso era dizer se sim ou se não" ao aumento de capital no BCP e não pronunciar-se sobre o crédito concedido pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), afirmou Armando Vara no parlamento, em Lisboa, durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à gestão e recapitalização da CGD.

"Ninguém me encomendou o sermão", garantiu Armando Vara, admitindo que acompanhou a discussão à volta da aprovação ou não por parte da administração de Vítor Constâncio do aumento de posição no BCP e a sua ligação com o crédito de 350 milhões de euros concedido à Fundação José Berardo.


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