Tânia Laranjo
JornalistaFrancisca Laranjo
JornalistaComeçou esta terça-feira o julgamento de Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko, os dois ex-fuzileiros suspeitos de matar Fábio Guerra, o agente da PSP assassinado à pancada, em março do ano passado, à porta da discoteca Mome, em Lisboa.
Esta quarta-feira foram ouvidas várias testemunhas. Falaram em tribunal colegas de Fábio Guerra na PSP.
O julgamento continua na quinta-feira no Campus de Justiça.
Além dos dois arguidos também estiveram presentes os pais da vítima. A família reclama uma indemnização de cerca de meio milhão. Os arguidos arriscam a pena máxima.
Aníbal Pinto assegura que Clóvis Abreu está disponível para colaborar com a justiça
Aníbal Pinto, o advogado de Clóvis Abreu, o terceiro suspeito que as autoridades nunca encontraram e que não se apresentou, assegurou, esta terça-feira, à entrada do Campus de Justiça, que o cliente está disponível para se apresentar quando for chamado pelo Ministério Público e para colaborar com a justiça. "Ainda não se apresentou porque não foi chamado", afirmou Aníbal Pinto. "Não faço a mínima ideia se está em Portugal ou não, mas se soubesse, também não dizia", acrescentou.
Arguidos e advogados já chegaram ao Campus de Justiça
Os arguidos Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko, os dois ex-fuzileiros acusados de matar Fábio Guerra, já se encontram no Campus de Justiça para começarem a ser julgados. Os advogados também já chegaram ao local. Há dezenas de pessoas à aguardar para assistir ao julgamento.
Pai de Fábio Guerra emocionado
O pai de Fábio Guerra já está em tribunal e está visivelmente emocionado. É a primeira vez que irá ver os arguidos.
A mãe de Fábio Guerra e vários agentes da PSP não podem entrar porque são assistentes no processo. Só entram depois dos arguidos falarem.
Família dos arguidos e ex-fuzileiros presentes
A família de Claúdio Coimbra já está na sala. Estão a poucos metros de pai de Fábio.
Também estão na sala alguns colegas dos ex-fuzileiros que cumprimentam as famílias dos arguidos.
Arguidos já estão na sala
Arguidos entram em tribunal. Pai de Fábio Guerra está inconsolável e é confortado pela filha. É a primeira vez que está frente a frente com os alegados homicidas do filho.
Os dois arguidos, Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko, estão de fato e claramente calmos.
arranque
Começa o julgamento.
Consultor João de Sousa afastado da defesa
O consultor João de Sousa ri-se enquanto o Ministério Público defende que deve permanecer sentado e não junto da defesa.
A juíza refere que tinha negado a presença do consultor. Portanto, mantém-se. O consultor fica junto ao público e não pode ter computador.
"Há gravações de todos os acontecimentos", afirma defesa de Vadym
A defesa de Vadym Hrynko reforça que "há gravações de todos os acontecimentos". Alegam que os agentes da PSP não vão em direção à vítima mas sim dos arguidos.
"É normal que os arguidos não tenham ouvido quando os agentes diziam 'parem nós somos da polícia'", acrescentam.
Vão apresentar o relatório de medicina legal que mostra que Fábio Guerra tinha uma aneurisma.
Defesa de Cláudio: "Não é por ter morrido uma pessoa que temos de descarregar nos arguidos"
A defesa de Cláudio culpa a comunicação social pelo palco que deu ao caso. Explica que Cláudio Pereira, a vítima que Fábio Guerra e os colegas foram ajudar, se desentendeu com os arguidos dentro do estabelecimento e que foi colocado na rua. Garantem que esteve muito tempo a fazer uma espera ao arguido Cláudio Coimbra.
Quando Cláudio Coimbra sai do estabelecimento, Cláudio Pereira agride-o, conta a defesa. Está a decorrer um processo por causa desta agressão.
"Não é por ter morrido uma pessoa que temos de descarregar nos arguidos", dizem os advogados.
Defesa de Cláudio diz que não há sangue na cabeça de Fábio, que não há hemorragias na cabeça. Pai de Fábio fica inconsolável quando se fala da autópsia.
Nas imagens é possível ver Fábio Guerra a cair, garantem. A causa da morte segundo a defesa foi por Fábio ter sido atingido com algo na cabeça. Advogados lançam a dúvida se as agressões foram a causa da morte.
Arguido Vadym conta o que aconteceu na noite em que o agente Fábio Guerra foi agredido
O arguido Vadym, de 23 anos, fala em tribunal. Cláudio é retirado da sala.
"Em março de 2022 era militar da marinha dos fuzileiros e colega de Cláudio", afirma a juíza como um facto. Destaca que tiveram formação militar na força especial da Marinha e questiona Vadym se tinha conhecimentos de defesa pessoal acima da média.
Vadym admite ter preparação física acima da média mas não conhecimentos de defesa pessoal. O arguido destaca que Cláudio tem conhecimentos de boxe.
Diz que estava só com o Cláudio e o Clovis, na noite trágica. Às 6h estavam ainda na pista de dança. Quando começa a confusão com Cláudio Pereira. Diz que Cláudio Coimbra empurra o Pereira. Viu pelo movimento corporal. Estavam a tentar passar no mesmo espaço, estava muito cheio às 6 da manhã. Era numa entrada, estava tudo a passar ao mesmo tempo. Diz que só viu o empurrão.
Assegura que não intervém neste primeiro confronto, nem desferiu um murro.
Apercebeu-se da chegada do segurança a expulsar o Pereira. Aproximou-se da confusão mas volta a assegurar que não intervém.
Depois do empurrão, o Pereira afastou-se. A juíza diz que esse não é um comportamento normal.
Diz que não viu ninguém com sangue, pelo menos, na fase inicial. Cláudio Pereira não estava com nenhum amigo dentro da discoteca, diz. "Ele foi expulso uma hora antes de nós termos saído da discoteca", reforça. "Saímos por volta das 6h da manhã", acrescenta.
"Quando chegámos cá fora estava um segurança na porta, de Sesimbra, que nós conhecíamos. Abracámo-nos. Sai da discoteca com o Coimbra", explica.
Depois o Pereira dá uma soco no Cláudio Coimbra. Depois Vadym tenta defendê-lo. A juíza questiona: "Mas sendo praticante de boxe precisava da sua ajuda?"
Vadym refere que estavam 20 pessoas com o Pereira. Pensou que grande parte estava com ele.
Os seguranças empurraram Pereira, conta. Mas diz não saber quem eram. Depois do Coimbra levar um soco, Vadym admite ter dado um soco ao Pereira, na cara.
"E ele caiu inanimado", refere.
Conta que Cláudio Coimbra e Clodis aproximaram-se de Pereira para tentar dar pontapés. Juíza diz: "Porque é que não deram?" Vadym: "Não acertaram, deram pontapés para o ar".
A juíza vai interrompendo muitas vezes. Vai falando de outros amigos que estavam com eles. Depois de repente olha para a frente e à volta do Clovis e do Coimbra viu um grande número de pessoas.
"Talvez seis, sete", descreve.
Estavam a dar socos ao Coimbra, conta. A juíza pergunta: "Não fez nada?". Vadym refere: "Eu tentei defendê-lo. Dei um soco num rapaz que tinha dado um soco ao Cláudio".
"O senhor Cláudio parece que não se consegue defender?", pergunta a juíza.
"O Coimbra não conseguiu defender-se? Nem o boxe o ajudou?", refere ainda.
"Não sei, não vi se ele se defendeu", diz o arguido que garante não ter ouvido ninguém a dizer que eram agentes da PSP.
O pai de Fábio vai chorando enquanto ouve o depoimento.
"Não ouvi nada", afirma Vadym que só se lembra de dar um soco para defender o Cláudio.
"Tentei afastar com um pontapé", refere ainda o arguido sobre o momento em que Fábio Guerra já estava no chão.
"O pontapé só tinha intenção de afastar as pessoas que tinham uma postura agressiva", acrescenta.
"Não havia outras maneiras?", pergunta a juíza.
Depois fomos em passo acelerado para o carro. Fugi porque estávamos a ser agredidos.
"Mas estavam a fugir de quem? Não estavam já todos no chão?, questionam os juízes.
"Estávamos a fugir da situação. Não sabíamos o que podia vir a seguir", diz Vadym.
A acusação diz que Vadym ainda bateu numa pessoa mas este refere não se lembrar de nada.
Vadym diz que não viu pedras. Fala de uma mulher que tenta parar as agressões. Diz que foram para casa depois foram contactados para se apresentarem a um juíz pelo que fizeram. Isto acontece numa sexta e os arguidos apresentam-se no sábado.
A juíza questiona como é que acabou a noite e se voltaram à discoteca. Vadym diz que não, que não voltaram ao mesmo local e que nesse percurso não houve pontapés.
Diz que ainda há uma pessoa que vai atrás deles. Refere que é nesse momento que dá um pontapé.
"Sabe se Coimbra é campeão de boxe?", pergunta a juíza. "Amador, sim", refere o arguido.
Um dos juízes começa a questionar Vadym. Juíz não entende porque o "fugir da confusão", insiste que Vadym explique de que é que fugia.
Vadym diz que tinha medo que fossem atrás deles. Diz que tinha receio de agressões.
Olharam para trás e viram alguém no chão? Questionam.
"Porque é que o segurança não vai socorrer mas depois liga a avisar que as vítimas são agentes da PSP?", questiona.
"Na altura não sabia que eram agentes", refere o arguido.
O procurador questiona: "Qual era a preparação militar de Vadym?".
Estava na Marinha desde 2018. Tirou o curso de fuzileiros. Dentro da Marinha preparavam para ir em missão. Preparação física, treino. Afirma não ter tido defesa pessoal no curso dos fuzileiros. Procurador questiona em que é que consistiu o curso.
Vadym insiste que não havia nada de defesa pessoal. Diz que só aprendeu a algemar.
Procurador: "Qual é que era a sua perspetiva para dizer que os pontapés não acertam e são no ar?"
Vadym responde: "Tinha pessoas em pé, à minha frente, mas dava para ver o corpo no chão e pés a passar ao lado."
Juíza: "Mas há alguma explicação para não se acertar num corpo no chão?"
Procurador: "Dá um primeiro soco ao Pereira. Depois dá outro noutra pessoa. Essa pessoa cai inanimada? Qual era a sua postura?"
Vadym: "Sim, cai. Afastei-o com um pontapé. Mas não estava inanimado"
Procurador questiona se alguém gritou alguma coisa, para além da mulher que pedia para pararem. Vadym diz que não.
Advogado de Fábio Guerra questiona Vadym sobre
Advogado Ricardo Serrano Vieira, que representa a família de Fábio Guerra, fala agora em tribunal. Questiona Vadym se foi o comandante a ligar ou se ligaram ao comandante.
"Nós ligámos para o nosso superior [Cabo Fonseca[ a explicar a situação", explica o arguido.
"O Cabo Cristiano Fonseca continua na base dos fuzileiros. Ligaram-lhe e ele falou com o comandante, que nos ligou", avança Vadym.
O advogado questiona: "Quando faz referência a 20 pessoas, eram todos do sexo masculino?"
Vadym diz que era um grupo misto.
"Teve tempo para pensar nalguma estratégia ou estava em modo sobrevivência? Têm noção do tempo?", questiona a defesa de Cláudio Coimbra.
Vadym diz que não tem noção do tempo. Diz que foi tudo muito rápido, não sabe quanto tempo dura.
"Sabe qual é a modalidade em concreto de boxe?", pergunta a defesa de Cláudio. Responde que é boxe normal.
A Marinha administrou aulas de defesa pessoal? Perguntam. Vadym volta a insistir que não, apenas técnicas para algemar. Juíza diz que depende se isso é considerado ou não defesa pessoal.
Perguntam se Vadym sabia que podiam ser presos. Responde que sim porque começaram a sair muitas notícias. A juíza pergunta o que é que viu. Ele diz que previu que ia ficar preso, pôs essa possibilidade.
Vadym sai da sala e é ouvido Cláudio Coimbra.
Cláudio Coimbra explica o que aconteceu na noite em que Fábio Guerra foi agredido
Cláudio Coimbra começa a ser ouvido. Juíza questiona se pertencia aos fuzileiros em março de 2022. Cláudio diz que sim, que teve preparação militar.
Admite que tem conhecimentos de defesa pessoal e capacidade física bem acima da média.
Admite que tiveram algumas aulas de preparação pessoal. A juíza pergunta em que consiste.
Faziam parte de uma formação especial, avançam em primeiro. Cláudio confirma. Diz que teve algumas aulas mas nada intensivo.
Juíza pede-lhe que olhe para ela e não para o ar.
O curso dos fuzileiros durou um ano. Quantas aulas de defesa? Pergunta a juíza. 4,5, diz o Cláudio. Não era bem corpo a corpo.
Lutador de boxe amador não tem conhecimentos acima da média?, questiona a juíza. Cláudio admite que sim.
Confirma que esteve no MOME. "Foi para conviver", diz.
"O que aconteceu na pista de dança com o Pereira?", pergunta a juíza.
Claudio diz: "Estava perto do DJ. O Pereira também lá estava, a dançar. Começou a olhar para o Clovis. Diz que não sabe porquê. Disse alguma coisa ao Pereira e guardou o fio de ouro. Parecia que ia ter um confronto físico com o Clovis. Então afastei o Pereira com o braço.
"E ele não fez nada? Aceitou empurrá-lo?", pergunta a juíza.
Cláudio diz que não houve socos. Que isto aconteceu às 4 ou 5 da manhã e que só saíram às seis e pouco.
O arguido diz que já cá fora um dos agentes da PSP dá um soco na cara do Pereira. Também tenta dar um pontapé mas não consegue. A juíza ri-se.
Cláudio conta que já na rua alguém lhe deu um murro. Que veio por trás dele e o agrediu na face.
Diz que olhou para trás mas estavam a agarrá-lo. A juíza insiste: "O senhor leva um murro e não faz nada? Deu a outra face?"
Cláudio diz que foi vítima de um mata-leão e a juíza questiona: "Mas é fácil escapar do mata leão?"
O arguido refere que tem imagens soltas.
A juíza interrompe o arguido. Diz que a história é muito confusa, não percebe bem.
"Quem lhe deu o soco por trás? Foi a vítima (Fábio) só soube mais tarde depois de falar com os meus advogados que era a vítima", diz Cláudio.
Juíza pergunta: "Quando começaram a abandonar o local. Não voltaram atrás? Não houve mais confrontos? Depois ainda estiveram com os seguranças da discoteca".
Cláudio diz que não.
"A acusação diz que um agente ainda foi atrás de si e lhe deu depois ainda um pontapé? É verdade?", questiona a juíza.
Cláudio volta a dizer que não.
"Há alguma coisa mais que me queira dizer?", pergunta a juíza. O arguido diz que não.
Cláudio diz que "sabia que ia ter problemas". Diz que foi no carro dele e levou Vadym a casa. Falou com o cabo Fonseca depois a dar-lhe conta do que aconteceu e mandaram-no para a base.
A juíza pergunta: "Quem desferiu o soco no Fábio Guerra?". Cláudio diz que foi Vadym.
Pausa para almoço.
Pausa para almoço.
Claúdio contradiz Vadym e diz que ninguém foi atrás deles na noite das agressões
Recomeça o julgamento.
Procurador faz perguntas a Cláudio: "Que curso frequentou dos fuzileiros?"
"O curso começou em julho de 2018", disse o arguido.
Procurador: "Quando está na discoteca e há a primeira situação diz que apenas empurrou Cláudio, viu ou não sangue?"
Cláudio responde: "Não vi sangue".
Claudio afirma que foi agredido, não sabe por quem. Que o agarraram. Mas nao se recorda se alguém lhe deu murros ou pontapés. Admite ter dado pontapés.
Ao contrário do primeiro arguido, Cláudio diz que ninguém foi atrás deles. Sobre o segurança, de Sesimbra, diz que "não andam sempre juntos, somos conhecidos".
Cláudio fala em 1 minuto e meio mais ou menos as agressões. "Ação, reação", diz.
Afirma que teve medo que alguma coisa acontecesse.
Juíza pergunta: "Mas se uma pessoa está no chão que medo é que tem? De onde vem o medo?"
"O medo foi estar a ser agredido por trás. Receei pela minha integridade física", diz Cláudio. "É o que acontece no ringue?", pergunta a juíza.
Cláudio já foi esfaqueado numa tentativa de roubo. Tem uma cicatriz.
balanço
Faz-se agora o balanço das declarações dos arguidos. Juíza relembra tudo o que foi dito para que o arguido que não ouviu saiba o que o outro disse.
Há contradições. Vadym disse que foram perseguidos por uma pessoa quando saíram do estabelecimento e Cláudio diz que não.
Mãe de Fábio Guerra ouvida em tribunal
A mãe de Fábio Guerra vai falar em tribunal. Pede a retirada dos arguidos da sala. Se a presença dos mesmos a impedir de falar a verdade, a juíza ordenará que os arguidos abandonem o julgamento.
A juíza pede desculpa pelo atraso, por não a ter ouvido primeiro.
A mãe de Fábio está claramente tensa, agitada. A juíza tenta acalmá-la. Diz-lhe que serão poucas perguntas, já que não assistiu às agressões.
Os arguidos ficam na sala. A juíza diz-lhe que não precisa de olhar para ninguém.
Procurador pergunta se suportou as despesas do funeral do filho. Mãe diz que não suportou.
Recebeu uma indemnização do Estado. Cerca de 176 mil euros. O que Fábio receberia até ao final da reforma.
Mãe acaba por ser dispensada. Senta-se na zona do público com o pai. Mal se senta as lágrimas não param de correr.
O marido, pai de Fábio, agarra-se a ela. Tenta acalmá-la. Estão inconsoláveis. Abandonam a sala e regressam minutos depois.
Testemunha ouvida por videoconferência diz que foi ameaçada
Uma testemunha que está a ser ouvida diz que não quer dar a cara porque tem medo, diz que foram ameaçados.
Juíza diz que o ponto de equilíbrio foi ouvir a testemunha por videoconferência. Não quer mostrar a cara. A juíza quer que se veja a cara.
A juíza insiste. Pede à testemunha que se sente à frente da câmara.
Juíza propõe que os arguidos saiam da sala se isso põe a testemunha confortável. Testemunha concorda, na ausência dos arguidos.
Arguidos abandonam a sala.
Testemunha agrediu Vadym à saída da discoteca, antes de levar murro, cair, ser pontapeado e ficar inconsciente
Testemunha diz que foi agredido na discoteca.
Uma testemunha alega ter sido agredido na discoteca por dois indivíduos, sem nada o fazer esperar. Um deles terá dado uma cabeçada à testemunha, quando estavam na pista de dança. A testemunha identifica o autor da cabeçada como tendo sido Cláudio Coimbra, um dos ex-fuzileros acusados.
A testemunha reagiu e deu um murro no ex-fuzileiro, antes de ser colocado, pelo segurança, fora do espaço. Segundo o próprio, depois de sair, os amigos levaram-no dali. No momento das agressões estariam polícias no local, defende a testemunha, que terá sabido desse pormenor através de amigos, já que estava inconsciente.
Advogado de Vadym pergunta: "Mas foi agredido sem nenhuma razão?". Testemunha responde que sim.
A testemunha diz que não estava alcoolizado, apesar de ter bebido. Quando saiu, garante ter visto Vadym a cumprimentar um segurança.
A testemunha vê o vídeo de quando saiu da discoteca para confirmar quem era o segurança que o obrigou a sair. A ver as imagens reconhece o momento em que saiu, às 5h59.
Nas imagens é possível ver novamente a testemunha às 6h19. Está parada e anda para a frente, com um amigo.
O vídeo mostra a testemunha a agredir Vadym, à saída da discoteca, antes de levar um murro, cair, ser pontapeado nas costas e ficar inconsciente. As imagens são novamente vistas em tribunal, mas não é claro quem difere o pontapé.
No vídeo vê-se Cláudio sair e cumprimentar o segurança.
Nova pausa
O julgamento está novamente em pausa para averiguar a possibilidade de existirem mais testemunhas.
Mãe de Fábio Guerra chora a ouvir testemunha falar sobre morte do filho. Marido e filha abraçam-na
Miguel, nova testemunha, admite não conhecer nenhum dos arguidos.
"Dia 18 de março estava com uns amigos no MOME e por volta das seis da manhã estávamos a porta, quando vimos uma confusão a acontecer", relata Miguel.
A testemunha estava no local à espera de Uber.
"Consegui ver uma pessoa no chão, sei agora que era Fábio Guerra", acrescenta Miguel, que garante não ter visto início da pancadaria.
"Vi Cláudio a dar murros a Fábio Guerra", relembra.
Audível o choro da mãe de Fábio Guerra, que é abraçada pelo marido e a filha.
Miguel recorda ter ouvido Clovis gritar "sou o Rei do Montijo".
O Ministério Público pede que a testemunha seja confrontada com o que disse na PJ, uma vez que há discrepâncias, realça o procurador.
Vadym opõe-se, pelo que não será confrontado.
Testemunha diz que grupo fugiu em “passo acelerado”
A testemunha garantiu, depois de ver as imagens de quando estava à porta da discoteca, que deu "um passo ou dois", mas que foi puxado para trás pelos amigos.
Quando a confusão acabou, a testemunha viu o grupo a fugir e diz que este ia em "passo acelerado". Referiu ainda que não se apercebeu que se tratavam de polícias.
Recomeça julgamento da morte de Fábio Guerra. Agentes da PSP presentes na noite da agressão ouvidos em tribunal
Esta quarta-feira serão ouvidos em tribunal os agentes da PSP (cinco homens e uma mulher) que estavam com Fábio Guerra na noite da agressão à porta da discoteca MOME em Lisboa.
Os agentes são as principais testemunhas do Ministério Público.
O tribunal começa por fazer um resumo dos dois testemunhos de ontem.
Colega de Fábio Guerra ficou "completamente apavorado" quando viu o agente da PSP no chão
Rafael é a primeira testemunha a falar esta quarta-feira em tribunal.
"Fui o primeiro a sair da discoteca, às 6h15", começa por contar.
"De repente vi uma pessoa no chão. E vi duas pessoas a darem pontapés na cabeça. Ouvia-se bem. Nas imagens de videovigilancia era Cláudio Coimbra e Clovis", relata.
A testemunha afirma ter gritado que era polícia, para parar as agressões.
"Fomos todos a correr. Tentamos afastar. Gritei polícia. Vejo o meu colega Leonel Moreira a levar um murro. Ouvi-o a identificar-se como polícia", continua.
Rafael ligou para o 112, e identificou-se como polícia, enquanto tentava travar a luta, tendo sido empurrado e agredido.
"As agressões continuavam enquanto estavam em chamada. Não sei exatamente quem, ou o que é que estavam a fazer. Depois vi o meu colega João no chão, a levar muitos pontapés, nas costasm na cabeça. Levantei-o do chão e tirei-o dali."
"Pareciam-me as mesmas pessoas do início [Clovis e Coimbra], mas não tenho a certeza", acrescenta.
Os agentes da PSP tentaram afastar-se para a Avenida 24 de julho.
"O Claudio e o Vadym avançaram para os meus colegas. O meu colega não reagiu, tentou acalmar tudo."
Segundo a testemunha, Cláudio terá desafiado um dos colegas agentes para um "mano a mano", mas o colega não terá reagido.
"A seguir o meu colega [Leonel Moreira] foi novamente agredido, pelo Cláudio. Eu estava preocupado com o meu colega e apareceu o Clovis."
Rafael afirma que ouviu Clovis gritar "sou o rei do Montijo. Ninguém se meta com os ciganos".
"O meu colega João e Leonel foram alvos de agressões", prossegue a testemunha.
"Ninguém sabia que o Fábio Guerra tinha sido agredido", assume.
Rafael conta que foi agredido, no lábio, por Vadym, depois do agressor perguntar "Queres levar mais?".
"Os arguidos fugiram logo. Eu fui ter com a polícia [que entretanto chegou ao local] a pedir auxílio."
"Quando estávamos à procura dos suspeitos foi quando o meu colega João me ligou a dizer 'Volta para trás, quem está deitado no chão é o nosso colega Fábio Guerra'", conta.
Nesse momento Rafael diz ter voltado de imediato para o local.
"Cheguei lá, vi o Fábio, deitado no chão. Muitas pessoas a tentar ajudar. Eu estava completamente apavorado. Esperei que chegasse o INEM."
A testemunha assume não ter reparado, no meu da confusão, que estava a ser empurrado. "Quando vi as imagens percebi tudo o que aconteceu", diz.
As imagens do momento vão ser vistas em tribunal. Momento pesado para os pais de Fábio Guerra. A mãe esconde a cara no ombro do Pai e começa a chorar.
São vistas mais agressões com pontapés de Vadym e Cláudio, através das imagens de uma das câmaras do MOME - a discoteca lisboeta.
Após o procurador questionar se alguém agarrava Cláudio Coimbra, a juíza responde que tal seria impossível.
Clovis, que continua desaparecido, é novamente mencionado em tribunal. Testemunha recorda tê-lo visto a agredir alguém.
"Eu disse 'Polícia, Polícia' a todos, desde o fundo. Quando chego ao pé do Clovis digo mais", relata Rafael.
Os ânimos exaltam-se em tribunal, com o advogado da defesa, Miguel Santos Pereira, a pedir respeito.
"Sei que já têm coisas na cabeça", atira o advogado, imediatamente repreendido pela juíza, que pede ao advogado para não interromper a testemunha.
"A justiça quer-se com calma e tranquilidade", adita a juíza.
"O que a testemunha vê nós também vemos. Não podemos atirar a testemunha de cabeça para baixo", acrescenta a meritíssima.
O consultor João de Sousa ri-se e vai murmurando, enquanto fala com as famílias.
Rafael volta a falar e relata nova agressão de Vadym. "Vem e dá um pontapé", diz a testemunha.
A testemunha consegue identificar Fábio Guerra nas imagens, mais nítidas, apresentadas em tribunal, onde se vê Cláudio a abraçar o segurança.
Os agentes da PSP, colegas da vítima, não estavam no local quando se iniciaram as agressões. Só depois intervêm.
"Nós [agentes da PSP] dissemos tantas vezes 'calma, calma, já chega'", desabafa Rafael.
Imagens mostram ex-fuzileiros a agredir Fábio Guerra. A mãe da vítima não consegue esconder a emoção.
Questionados pela juíza, Cláudio e Vadym reconhecem-se nas imagens das agressões
O advogado da defesa faz perguntas a Rafael, uma das testemunhas.
"Porque é que chama rixa ao que vimos", pergunta a defesa a Rafael, colega de Fábio Guerra na PSP presente no momento das agressões.
Testemunha diz que não sabe se utilizou essa expressão, mas que viu as agressões.
"Quando se dirige aos arguidos diz que é polícia?", questiona Miguel Santos Pereira, advogado da defesa.
"Já me tinha identificado como polícia. As pessoas sabiam que era polícia", responde Rafael.
A testemunha admite ter ingerido bebidas alcoólicas, mas que isso não o impedia de estar sóbrio.
Ex-fuzileiro Vadym admite ter dado soco e pontapé na cabeça de Fábio Guerra
A juíza questiona Cláudio e Vadym se se reconhecem nas imagens das agressões. Ambos respondem que sim.
Vadym pede para falar, após ver as imagens, e admite ter dado soco e pontapé a Fábio Guerra. "Não há dúvidas de que sou eu", assume.
"Reparámos que estava um rapaz estendido no chão": Testemunha conta momento em que encontrou Fábio Guerra inanimado
Depois de uma testemunha ter falado, muito brevemente, por videoconferência, começa a testemunhar Afonso.
Admite não conhecer Fábio Guerra, nem os pais. Reconhece ter estado no MOME, com três amigos. Saiu pelas 6h, quando estavam à espera do Uber, relata ter-se apercebido da confusão, mas não sabe o que a motivou.
"Vimos um indivíduo a ser o principal agressor. Agrediu quatro pessoas, com socos e pontapés", diz.
Descreve dois agressores. "Indivíduo negro, de casaco, 1.70m", o outro "branco, barba, alto".
Afonso admite ter visto agressores empurrar e agredir. Viu mais pessoas no local a tentar apaziguar a situação.
A testemunha não se lembra de ouvir gritos a dizer "polícia".
Acrescenta ter visto uma terceira pessoa na confusão. "Europeu, cabelo rapado, 1.70m", disse Afonso que acrescentou que esta pessoa não era atlética.
Testemunha fala num terceiro agressor, que depois de ter dado um murro gritou "sou o rei do Montijo".
"Ficou imensa gente no local. As coisas já estavam mais calmas. Aproximamo-nos e reparamos que estava um rapaz estendido no chão."
A mãe soluça a ouvir mais um relato de quem encontrou Fábio Guerra inanimado.
"O Fábio estava no meu colo e ali ficou", diz testemunha que tentou ajudar o agente da PSP agredido
A última testemunha antes da pausa de almoço começa a falar.
Relata confusão no momento em que estava à porta da discoteca.
"De instinto fui tentar separar. Quando olhei já estavam muitas pessoas envolvidas. Empurrões, socos. E fui lá tentar separar", conta a testemunha.
"Há um rapaz no chão, tentei ajudá-lo. Há outro que cai. Dirigi-me ao Fábio, fui tentar ajudá-lo. Estava sozinho, no chão. O Fábio estava no meu colo e ali ficou."
A testemunha relata ter visto Fábio a levar um pontapé na cabeça, mas não consegue precisar quem. Fábio terá ficado inconsciente após levar dois pontapés na cabeça.
"O Fábio identificou.se polícia já no chão. Só aí é que ouvi", garante.
Pausa almoço
Inicia-se a pausa para almoço, no segundo dia do julgamento de Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko, os dois ex-fuzileiros suspeitos de matar Fábio Guerra. A sessão recomeça às 14h00.
"Vi um deles ir buscar uma pedra": Nova testemunha fala sobre agressões à porta de discoteca em Lisboa
Julgamento recomeça após pausa de almoço, é ouvido Gonçalo, nova testemunha no tribunal.
A testemunha reconhece não conhecer os arguidos, nem a família.
Segundo a testemunha, estava à espera do Uber, depois de sair da discoteca, quando viu uma confusão.
"Olhei e vi uma pessoa no chão", relata Gonçalo, que diz ter tentado afastar as pessoas. Só se apercebe da gravidade da situação, quando chega uma ambulância com desfribilador.
Gonçalo admite ter ficado com a perceção que estavam "todos contra todos". Confessa não ter ouvido nenhum grito específico, mas que ouviu alguma coisa sobre "ser um rei".
"Recorda-se se alguém estava a tentar apaziguar?", pergunta o procurador. A testemunha responde que não reparou em nada específico.
"Estava muito barulho, gritos de pessoas, dentro da confusão", acrescenta.
"O que é que viu exatamente?", pergunta a juíza.
"Olho e vi todos à luta uns contra os outros. Vi um deles a ir buscar uma pedra", testemunha.
Gonçalo acrescenta que foi embora, para não estar envolvido na confusão.
Segundo a acusação quem tem a pedra é Clóvis.
Pais falam de Fábio
Durante pausa no julgamento, pais recordam Fábio com carinho.
Elsa Soares e António Guerra lembram filho amigo, confidente e companheiro, em conversa com agente da PSP.
"Não ouvi ninguém dizer somos polícia", confessa testemunha que estava próximo do desacato
Sessão recomeça após breve pausa.
É ouvido Vasco, nova testemunha, que explica ter estado na discoteca ao lado do MOME.
"Eu e o meu grupo ficámos na rua. Estava com um grupo de amigos e um grupo de pessoas começaram distúrbios. Estava longe o desacato. Mas o desacato foi se aproximando", relata.
Vasco afirma ter assistido a uma luta. "Várias pessoas, murros e pontapés, umas às outras", admite.
A testemunha só teve perceção do número de pessoas envolvidas quando se aproximou. "Eram quatro ou cinco. Havia muitas pessoas na rua, havia muito barulho", acrescenta.
"Não ouvi ninguém dizer somos polícia", acrescenta Vasco, que estaria a "mais ou menos 10 metros" do desacato.
"Vejo uma pessoa caída no chão e percebo que é o Fábio", diz agente da PSP presente na noite das agressões
O agente da PSP João é o segundo colega de Fábio Guerra a ser ouvido em tribunal.
"Saio da discoteca e vejo logo a confusão. Vejo que estão a bater nos meus colegas e começo a ser espancado pelo Cláudio. Quando me consigo levantar vejo uma pessoa caída no chão. Percebo que é o Fábio", relata a testemunha.
Quando chega a rua, explica ter visto o Leonel a ser agredido e o Rafael (ambos agentes da PSP) a tentar travar a luta.
João admite ter sido agredido com vário murros, na cabeça, por Cláudio e por outra pessoa que não consegue identificar.
"Eu caio também [com as agressões]. Ponho os braços à frente da cara. Não consigo ver quem me estava a bater. Estava a proteger-me."
O colega de Fábio ficou com vários hematomas e esteve dois meses de baixa.
João admite não se ter identificado como polícia, nem ouviu os colegas fazê-lo, já que chegou depois.
"Não tenho dúvidas de que eles [colegas da PSP] se identificaram", afirma.
O vídeo das agressões à porta da discoteca é novamente visto, enquanto João identifica, nas imagens, os colegas a sair do MOME.
"Neste momento vamos só pedir à testemunha para identificar quem está nas imagens. O resto conseguimos ver", diz a juíza, quando se vêm novas imagens, mais claras e nítidas.
No vídeo vê-se um grande grupo de pessoas e Cláudio Coimbra a sair da discoteca. João identifica o colega Fábio nas imagens.
O agente da PSP admite que não esteve perto dos arguidos, nem os conhecia.
"Intervém como polícia ou como cidadão?", pergunta a defesa a João.
"Enquanto polícia dirigi-me à pessoa agredida. Numa situação destas é muito difícil fazer uso da carteira profissional. Estava a tentar separar, não tinha mãos para isso", diz o agente.
A defesa de Cláudio Coimbra questiona se todos os colegas que foram ao jantar (noutro estabelecimento) estavam no MOME. O agente responde que não.
A defesa volta a perguntar se pagaram a conta nesse estabelecimento, ou se tinham sido expulsos. João responde que pagaram a conta.
Após ter sido dispensado, a juíza volta a chamar a testemunha e pergunta-lhe se foi agredido com alguma pedra. O agente da PSP diz que não sabe, uma vez que estava a proteger a cabeça.
É finalmente dispensado.
Agente explica o porquê do grupo de polícias ter intervindo nas agressões à porta da discoteca em Lisboa
Leonel é o terceiro colega da vítima mortal a ser ouvido em tribunal.
O agente da PSP admite que só passou a conhecer os pais de Fábio após a sua morte.
"Saímos por volta das 6h. Dois ficaram ainda a pagar. Fomos para o passeio, quando vemos o Cláudio a dar um soco a um rapaz inanimado. Começa a destruí-lo com pontapés. Estavam os três", relata.
Leonel diz ter tentado travar a luta. "Peguei no Cláudio, agarrei-o. Disse-lhe que era polícia. Ele disse não tens nada a ver com isto' e dá-me um soco", acrescenta.
O agente da PSP garante que foi atacado por Cláudio mais duas pessoas.
"Mais um soco, começo a sangrar do sobrolho. Começa a vir-me sangue para os olhos. Tento afastar-me, recuo mais. Vou em direção à rua, já bem afastado. Eu com as mãos cheias de sangue e voltam os três homens. Vem o Cláudio e diz 'Estás a esfregar as maos? Anda, mano a mano'", diz.
Leonel adianta que Cláudio tentou dar mais socos, que não tiveram grande impacto.
"Vadym deu-me um pontapé ainda. Nessa altura vou em direção a Algés. O Fábio estava tombado, a cerca de 30 metros. Vejo duas pessoas a tentar reanimar o Fábio. Completamente assustadas com a situação. Não sei quem eram."
"Agressões completamente desproporcionais. Estavam a agredir. Quando disse que era polícia falei alto. Disse-lhe sou polícia pára!'", continua João, que assume não ter dado nenhum soco.
"Tenho a sensação que um segurança me tenta dar um soco", partilha.
O agente não consegue precisar quem deu o soco que lhe abriu o sobrolho. As agressões obrigaram João a levar pontos, mas não teve de ficar de baixa.
"Tem a certeza que viu os arguidos desferir pontapés na cabeça?", pergunta a defesa de Vadym.
"O Cláudio e o Clóvis sim. O Vadym não tenho a certeza, mas fiquei com essa sensação", responde.
"Diz que o agarrou e afastou da vítima, falava de quem?", volta a questionar a defesa de Vadym. João diz que se referia a Cláudio.
"Agarra o Cláudio e diz que é polícia. Faz isso antes de falar com Clóvis?", insiste a defesa.
Antes de a testemunha abandonar a sala, o procurador questiona se viu alguém agarrar numa pedra. João diz que não e é dispensado.
É ouvido o quarto agente da PSP, colega de Fábio, esta quarta-feira
Henrique, agente da PSP e colega de Fábio Guerra, testemunha em tribunal.
"Estávamos na discoteca, no MOME. Com o Rafael, Leonel e Fábio saí. Estávamos à espera do João e da Débora. Eu de costas para a situação inicial. Vi o Leonel a arrancar para a confusão. [O Leonel] Disse 'polícia parem'. Vi que o Leonel estava a sangrar, puxei o para trás. O Rafael vai tentar perceber o que se passa. Um dos arguidos volta para trás e dá um soco no Rafael", relata.
O agente da PSP garante que foi percetível a identificação do colega como sendo agente da autoridade. "O meu colega gritou de forma audível que éramos polícias. Foi direto à situação em si", diz.
Henrique não recorda ter sido agredido, nem se apercebeu que Fábio estava no chão. "Não tive de fazer tratamento nem fiquei com hematomas", explica.
As imagens são revistas novamente. O agente admite não se ter identificado como polícia
"Quantas vezes ouviu Leonel a identificar-se?", questiona a defesa de Vadym. "Ouvi uma vez quando ele saiu do meu lado", replica Henrique.
O agente afirma ter ouvido Leonel a dizer "ainda vais sair daqui preso".
"Conhecia os arguidos? Como é que era possível saberem que é polícia?", insiste a defesa.
A juíza interrompe para dizer "se alguém se diz polícia, de facto, é normal pensar que são polícias".
A defesa de Cláudio intervém para perguntar se Henrique estava bêbado ou cansado. O agente assume que tinha bebido, mas nada que lhe tirasse a consciência.
"Não se recorda de ter sido agredido mas recorda ouvir 'para polícia' [identificação de colegas como agentes]?", questiona a defesa. Henrique diz que sim.
A juíza pergunta: "Alguma razão para não se ter identificado como polícia?". O agente responde que estava preocupado com a integridade física dos colegas
"Paralisei naquele momento. Fiquei em choque", remata, antes de sair para entrar nova testemunha.
"Disse ao meu colega que estava na casa de banho: 'Vem que é com os nossos'", conta agente da PSP em tribunal
Testemunha em tribunal Débora, agente da PSP e colega de Fábio Guerra.
"Naquele dia fomos à discoteca, quando isto começou a acontecer eu estava na entrada e estava à espera que o João saísse da casa de banho. Metros à frente estavam mais três colegas à espera que saíssemos", começa por contar.
"Disse ao meu colega que estava na casa de banho: 'Vem que é com os nossos'", relata Débora depois de ter visto os colegas a correrem para uma confusão.
A agente diz ter ouvido Leonel dizer "afastem, afastem que é polícia", quando os colegas corriam para a confusão.
Acabou segundo dia
Terminou o segundo dia do julgamento da morte do agente da PSP Fábio Guerra.
Esta quarta-feira foram ouvidos vários colegas do agente, que estiveram com a vítima no dia das agressões, à porta do MOME.
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