É o último dia do ano 2004. O Chefe Figueiredo chega à 4.ª Divisão da PSP de Lisboa, no Calvário, às 18h30. Durante seis horas vai supervisionar as patrulhas. Está há 17 anos na PSP e já não se recorda quando celebrou uma passagem de ano com a mulher e os três filhos. São os ossos do ofício e a esposa compreende.
Não fosse também ela polícia.
No satélite 4430, um carro-patrulha de marca Fiat, as comunicações ainda são escassas. Pelas 21h30 há informação de alguns tiros no Bairro 2 de Maio. Mas “é normal, é assim que eles comemoram”, afirma o chefe. Ao volante do Fiat está o agente Severino. Com um sotaque do norte, diz ao CM que não tem família na capital. É de Cinfães do Douro e está há quatro anos na PSP.
“O primeiro ano é muito duro, vim para Lisboa e nem sequer sabia os nomes das ruas”, afirma o jovem que ambiciona ir para o Porto.
Como a noite ainda está no início, a patrulha faz a ronda habitual. A primeira paragem é na 24.ª Esquadra, em Campo de Ourique, onde trabalha a esposa do Chefe Figueiredo. No momento, ela estava em casa com a família, mas o responsável tem de inteirar-se das ocorrências da zona. “Desde que o Casal Ventoso foi extinto, apesar de ainda existir pequeno tráfico de droga, a criminalidade diminuiu”, explicam.
O satélite 4430 segue para a Meia Laranja.“A Rua Arco do Carvalhão parece um McDrive, é vê-los aproximarem-se para venderem droga aos condutores que passam”, explica o Chefe. Mas quando vêem a polícia, desaparecem e nunca mais ninguém os apanha.
Pelas 23h45, o carro-patrulha chega à esquadra do Calvário, onde já se encontram alguns familiares que vieram passar a meia-noite com os cerca de dez agentes de serviço. Às doze badaladas as sirenes das viaturas tocam e os polícias brindam. O fogo-de-artifício só se ouve, não se vê.
Começa agora o novo turno, a cargo do subchefe Oliveira e do agente Rodrigues. O satélite 4424, um Renault Mégane, vai acompanhar a pior parte da noite. “A mistura do álcool e do sono é explosiva”, afirmam.
MILITAR DA GNR FERE A TIRO EM DESCATO
Três feridos, um dos quais atingido a tiro, resultaram de um desacato que envolveu um militar da GNR e ocorreu pelas 05h40 de ontem, no exterior de um bar-discoteca, em Carregal do Sal. As circunstâncias em que ocorreu o incidente estão ainda por apurar, sabendo-se apenas que a arma de fogo usada, de defesa pessoal, é propriedade do militar da GNR envolvido, que se encontrava fora de serviço. Um dos indivíduos terá passado o ano no ‘Bogas Bar’, mas foi já no exterior do estabelecimento e após o seu encerramento que o desacato ocorreu. Os três feridos foram transportados ao Hospital de S. Teotónio, em Viseu, em ambulâncias dos Bombeiros Voluntários de Carregal do Sal, e depois de assistidos tiveram alta médica, regressando a casa. Segundo um elemento das Relações Públicas do Comando-Geral da GNR, o indivíduo atingido a tiro sofreu ferimentos, mas o Hospital de Viseu não revelou quaisquer pormenores sobre as lesões, informando apenas que lhe foi dada alta médica pouco depois do meio-dia. A ocorrência foi participada ao Ministério Público, que deverá abrir um inquérito para apurar as circunstâncias em que tudo se passou e apurar eventuais responsabilidades.
ANO SOLITÁRIO PARA POLÍCIA DA PONTE
Na noite da passagem de ano alguns polícias de serviço reúnem-se nas esquadras à meia-noite para um brinde. Outros têm de permanecer solitários à porta de embaixadas, residências de membros do Governo ou parques da PSP, por exemplo. O agente Fernandes foi um deles. Por baixo do sétimo pilar da ponte 25 de Abril está um estaleiro, onde se encontram estacionadas todas as viaturas apreendidas e à espera de decisão judicial. A tarefa de as guardar é atribuída por um mês a cada agente da Divisão do Calvário. “Se ficasse cá mais de um mês entrava em pânico. Espero que este seja o primeiro e o último ano aqui” desabafa Fernandes ao CM. É que além de não existirem condições sanitárias, o próprio local é um perigo. Pouco depois da meia--noite caiu uma pedra da ponte que partiu o vidro de uma viatura. Sorte do agente, que estava no interior do pilar onde estão os cabos da ponte. “Quando os comboios passam a secretária treme toda”, explica. Há uns meses o polícia que ali estava de serviço teve de ficar de baixa médica. “Um homem atirou-se da ponte e caíiu aqui. A perna foi parar a outro lado. O meu colega está traumatizado”, explicou o chefe Figueiredo.
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