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Correio da Manhã

Portugal
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BEIJO PODE TRANSMITIR O VÍRUS DA HEPATITE C

O vírus da hepatite C pode ser transmitido através de um beijo ou da escova de dentes, revela um estudo realizado nos Estados Unidos. Esta é uma grande novidade para os especialistas na matéria, que até aqui não consideravam a saliva como um meio de contágio da doença e que vem explicar todos aqueles casos, e são muitos, em que não se encontrava uma justificação para a sua contaminação, considera Carneiro de Moura, um dos principais especialistas portugueses ouvido pelo CM.
8 de Outubro de 2003 às 00:00
Um beijo apaixonado é um meio de contágio de vírus
Um beijo apaixonado é um meio de contágio de vírus FOTO: Jordi Burch
Os investigadores da Universidade de Washington, em Seattle, fizeram testes à saliva de 12 pessoas infectadas com o vírus da hepatite C durante 21 dias consecutivos. Das 248 amostras, 52, ou uma em cada cinco, continham o vírus. Traços do vírus foram detectados na saliva de sete entre os 12 voluntários. Entretanto, nenhum deles apresentou testes positivos durante os 21 dias consecutivos. Na média, apresentaram o vírus sete vezes durante as três semanas de testes. Os doentes com maior probabilidade de apresentar traços do vírus na saliva foram aqueles que continham índices relativamente altos do vírus no organismo.
"Os resultados desse estudo podem justificar as suspeitas que se tinha relativamente ao beijo ser uma forma de contágio em pessoas com problemas nas gengivas e que permite a transmissão de partículas, mesmo que microscópicas, de sangue, à semelhança, aliás, do que acontece com o vírus da hepatite B", sublinha Carneiro de Moura, director do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de Santa Maria.
Para o especialista, este parece ser o primeiro passo para explicar os 30 por cento de novos casos de contágio que ocorrem anualmente e que não se chega a descobrir como se transmistiu o vírus. "É preciso, ainda, que as investigações prossigam", disse.
DADOS
150 MIL NO PAÍS
A hepatite c é uma inflamação do fígado, causada por um vírus, que pode levar à falência hepática, cirrose e cancro. Estima-se que em Portugal existam cerca de 150 mil portadores deste vírus (VHC), embora muitos portugueses não saibam que o são. As situações de risco são as transfusões de sangue, partilha de seringas e transmite-se por via sexual. Em muitos casos, a pessoa não tem sintomas durante décadas.
PORTUGAL LIDERA
Um estudo do observatório europeu da droga e da toxicodependência revela que Portugal é dos países europeus que apresenta as mais elevadas taxas de contaminação do vírus, que atinge entre 60 a 80 por cento dos toxicodependentes.
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