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Correio da Manhã

Portugal
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Joe Berardo diz que não tem dívidas e que tem sido usado como bode expiatório

Empresário está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da entidade bancária.
10 de Maio de 2019 às 15:43
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Empresário escapou a penhora da casa por parte da Caixa Geral de Depósitos.
O empresário Joe Berardo considerou esta sexta-feira na comissão de inquérito que a sua situação creditícia tem servido como bode expiatório para os problemas que afligiram a CGD nos últimos anos, segundo a declaração lida pelo seu advogado. O empresário referiu ainda, durante a sessão, que não tem quaisquer dívidas. "Cada um vive com as suas responsabilidades", assumiu.

O empresário fez as afirmações em resposta à deputada do BE Mariana Mortágua, que tinha perguntado por que é que Berardo "não paga o empréstimo à banca ou dá a garantia que aparentemente foi dada aos bancos quando fez um acordo de renegociação em 2008 e reiterou em 2011", se dá mostras públicas de riqueza e de ser "multimilionário".

"Estou em negociações com os bancos há algum tempo e vamos ver se chegamos a uma solução a breve tempo", revelou Joe Berardo sobre o incumprimento dos créditos, durante a sua audição na segunda comissão parlamentar de inquérito à gestão e recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

O empresário afirmou também que "como português" tentou "ajudar a situação dos bancos numa altura de crise", referindo-se à prestação de garantias quando as ações que serviam como colateral desvalorizaram, gerando grandes perdas para os bancos.

A intervenção inicial de Joe Berardo na comissão de inquérito parlamentar à Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi lida pelo seu advogado, André Luiz Gomes, uma declaração na qual o empresário considera que tem servido de bode expiatório.

"O meu nome e a minha situação creditícia têm servido como justificação para todos os males que afligiram a gestão da CGD nas últimas décadas", afirmou na declaração lida aos deputados.

Sobre as notícias de que só tem em seu nome uma garagem no Funchal, a declaração de Berardo lamenta que pessoas sujeitas ao sigilo bancário fizessem crer isso aos jornalistas, considerando essa "informação parcial e deturpada".

"Fizeram crer aos senhores jornalistas que só tinha em meu nome uma garagem, pois grato ficaria que os bancos aceitassem ficar com essa garagem no Funchal em troca de todos os ativos que lhes fui entregando pessoalmente e de boa-fé em garantias de dívidas de instituições que represento numa altura em que foi essencial no sistema bancário nacional que as dívidas não entrassem em incumprimento em virtude da situação dos mercados financeiros e da fragilidade do sistema financeiro português", afirmou.

O empresário Joe Berardo tem sido dos clientes bancários mais falados na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD.

Segundo a auditoria da EY à gestão da CGD entre 2000 e 2015, o banco público tinha neste ano uma exposição a Joe Berardo e à Metalgest, empresa do seu universo, na ordem dos 321 milhões de euros.

Os empréstimos a Joe Berardo serviram para financiar a compra de ações do BCP, naquilo que alguns deputados já classificaram de "assalto" ao banco, em 2007, cuja garantia eram as próprias ações, que depois desvalorizaram praticamente na totalidade, gerando grandes perdas para o banco público.

O património de Joe Berardo tem sido escalpelizado na comissão, tendo sido repetido várias vezes durante as audições que o único bem registado em seu nome é "uma garagem na Madeira".
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