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Bombeiros de Celorico de Basto e Taipas contestam comandantes

Cinco elementos dos celoricenses afastados este domingo do corpo ativo dos bombeiros. Nas Caldas das Taipas, quatro chefes foram suspensos por 30 dias.

05 de janeiro de 2026 às 15:28

Sem qualquer justificação e sem que nada o fizesse prever, cinco elementos dos Bombeiros de Celorico de Basto foram, no domingo, afastados pelo comandante da corporação. Esta segunda-feira de manhã os bombeiros souberam que tinham passado à situação de reserva e que já não integravam a escala operacional. Nos últimos dois anos, quase uma dezena e meia de operacionais dos Celoricenses abandonaram a corporação, por não se reverem na forma de atuação da atual direção da Associação Humanitária e do comando.

Nos últimos dias, face à diminuição do efetivo dos Celoricenses, têm-se repetido as situações de emergência e socorro garantidas por corpos de bombeiros vizinhos. O caso mais caricato, denunciado esta segunda-feira pelo Jornal Terras de Basto, ocorreu na noite de passagem de ano. O jornal local exibe um vídeo onde se vê o cortejo de passagem de ano, com várias viaturas dos Celoricenses a percorrerem as ruas da vila com as sirenes ligadas, quando uma ambulância dos Bombeiros de Mondim de Basto ultrapassa o cortejo de viaturas, diz o jornal, quando se dirigia para uma emergência, na freguesia de Borba da Montanha, Celorico de Basto. 

O verniz estalou em meados de dezembro passado, quando o novo comando dos celoricenses tomou posse. Os elementos dos bombeiros que não compareceram à cerimónia foram "castigados". Não só não receberam o tradicional bolo-rei por altura do Natal, como também não tiveram direito ao habitual adiantamento do salário para o dia 24, véspera de Natal. Além disso, os filhos dos bombeiros faltosos não tiveram direito a receber presente de Natal.

A situação foi denunciada nas redes sociais por Inês Marinho, sócia da Associação Humanitária, que publicou a comunicação que fez na última assembleia-geral do ano, onde relata pressões aos operacionais. "Existem relatos de pressão exercida sobre trabalhadores com contratos anuais, no sentido de condicionarem a sua participação — ou ausência — em eventos institucionais, sob ameaça implícita de não renovação contratual. Curiosamente, os trabalhadores que marcaram presença no jantar de Natal e participaram nas respetivas atividades terão sido “ premiados” com um bolinho de Natal e com o salário adiantado, enquanto os restantes, que optaram por não participar ou simplesmente não puderam fazê-lo, ficaram apenas com a lembrança de que a igualdade de tratamento continua a ser um conceito meramente decorativo, e hoje, dia 30 de dezembro, ainda não têm o salário na conta", escreveu.

Comandante das Taipas suspende quatro chefes

Este domingo, na vila das Taipas, em Guimarães, a cerimónia de tomada de posse da nova Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros foi manchada pela suspensão de quatro chefes do corpo ativo por um período de 30 dias. A decisão de suspender os quatro operacionias, a maioria com décadas de experiência, foi conhecida na véspera da tomada de posse. Ontem, além da presença na cerimónia dos quatro elementos suspensos, a vila acordou com tarjas colocadas em diversos pontos onde se lia, por exemplo, "Chefes merecem confiança, não perseguição", ou "bombeiros são vocação, não submissão". 

Os quatro chefes que foram suspensos na sequência de um processo disciplinar defendem que a suspensão é "abusiva" e "não tem fundamento legal". Dizem que é uma tentativa de disseminar "o medo e o terror no corpo ativo de bombeiros".

Contactado pelo Correio da Manhã, o comandante Hermenegildo Abreu recusou-se a comentar o assunto, frisando que se trata de "assuntos internos" da corporação.

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