Presidente da ANBP disse que o Governo devia reorganizar o serviço de proteção civil mas defendeu a manutenção do SIRESP.
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O presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, defende o alargamento da profissionalização dos bombeiros e da proteção civil e quer as autarquias mais envolvidas na questão dos incêndios.
Questionado pela Lusa sobre o que gostava que o Governo aprovasse para um combate efetivos aos fogos florestais, Fernando Curto frisou que "a profissionalização é essencial" e que na primeira resposta a um incêndio tem de estar "uma hierarquia profissional", não podendo estar a Proteção Civil assente numa estrutura baseada no voluntariado.
O primeiro-ministro marcou para sábado um conselho de ministros extraordinário para debater um relatório sobre os fogos de junho na região centro, feito por uma Comissão Técnica Independente e entregue na Assembleia da República na semana passada.
Ouvido pela Lusa o presidente da ANBP disse que o Governo devia reorganizar o serviço de proteção civil mas defendeu a manutenção do sistema de comunicações de emergência que foi muito polémico, o SIRESP.
"O SIRESP é uma rede boa, mas nunca foram corrigidas as situações anómalas detetadas nos últimos 10 anos", disse.
Para Fernando Curto, outra medida que o Governo podia adotar no sábado era a reorganização da Proteção Civil, profissionalizando os comandantes nacionais e acabando com as nomeações políticas destes, "que não dão sustentabilidade nem motivação" para quem ocupa o cargo.
O presidente da ANBP quer ver o Governo a reconhecer os bombeiros profissionais das autarquias locais como corpos especiais da função pública e como profissão de desgaste rápido, com tudo o que isso implica. Mas também o reconhecimento dos bombeiros profissionais da força especial de bombeiros e das associações de bombeiros voluntários. E que seja criado o estatuto profissional do bombeiro.
Outra sugestão ao governo é a de que defina o financiamento dos bombeiros, com orçamento próprio, ou que assuma a gestão administrativa, financeira e pedagógica da Escola Nacional de Bombeiros e a integre no sistema educativo nacional, ou ainda que uniformize os índices salariais dos bombeiros com referencia aos das forças de segurança.
Avisa ainda Fernando Curto que "o combate aos fogos não pode estar separado da prevenção", devendo os municípios ser mais "penalizados" e responsabilizados em relação ao ordenamento da floresta.
Fernando Curto diz que não se tratam de questões novas, que são faladas há 10 anos. E elogia o papel que tinham na questão dos incêndios os governos civis, entretanto extintos, que faziam a ligação com as autarquias, que acionavam planos de emergência, que coordenavam o combate dos incêndios que se estendiam a vários concelhos.
"Hoje há um vazio entre o comandante distrital, o presidente da Câmara e o Ministério da Administração Interna"", disse.
Os incêndios de junho na região centro, que começaram em Pedrógão Grande, provocaram 64 mortes, a que se juntaram pelo menos 43 em resultado de incêndios que deflagraram no domingo passado no centro e norte do país.
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