Navio cargueiro Eikborg tem a bordo seis tripulantes, todos estrangeiros (o capitão é holandês, havendo ainda dois indonésios, um letão, um russo e um filipino) e transporta 3.300 toneladas de pasta de papel.
Cargueiro à deriva à saída da barra da Figueira da Foz corre o risco de naufragar
O navio cargueiro que ficou sem leme e à deriva, na manhã de segunda-feira à saída da barra da Figueira da Foz, estava, pelas 08h45 de esta terça-feira, a cerca de 50 quilómetros (km) da costa.
De acordo com informação, consultada pela agência Lusa e disponível na página Marine Traffic, que permite ver o tráfego mundial de navios, o Eikborg, de bandeira dos Países Baixos, está a cerca de 27,1 milhas náuticas a oeste da Figueira da Foz, acompanhado por um navio de patrulha oceânica da Marinha, que chegou ao local ao início da madrugada de hoje.
As 27 milhas náuticas ficam fora do mar territorial português, que vai até às 12 milhas e também da zona contígua (das 12 às 24 milhas) onde as autoridades portuguesas exercem fiscalização, mas dentro da zona económica exclusiva - que se estende até às 200 milhas marítimas -- e da região portuguesa de busca e salvamento marítimo.
O navio cargueiro Eikborg tem a bordo seis tripulantes, todos estrangeiros (o capitão é holandês, havendo ainda dois indonésios, um letão, um russo e um filipino) e transporta 3.300 toneladas de pasta de papel (carga oriunda da celulose Celbi, do grupo Altri), que tinham como destino um porto alemão.
O navio, com 89 metros de comprimento e 18 anos (foi construído em 2008) é propriedade de uma empresa do grupo neerlandês Royal Wagenborg, fundado em finais do século XIX e que possui 160 navios de carga e cerca de 3.000 trabalhadores.
Na manhã de segunda-feira, o Eikborg ficou à deriva, sem leme, à saída da barra da Figueira da Foz, depois de alegadamente ter batido no fundo, presumivelmente devido à acumulação de areias no local, disse fonte da comunidade portuária.
Para garantir a estabilidade do cargueiro, o comandante optou por navegar de marcha-a-ré, a velocidade reduzida em redor de um nó (cerca de 2 km por hora), dispondo, no entanto, de uma hélice de propulsão na proa, que permite alguma manobrabilidade ao navio, disseram fontes portuárias e da Marinha.
Aquando da saída da barra, que tem orientação a sudoeste, pelas 08:20 de segunda-feira, o navio rumou, primeiro, a uma zona de fundeamento de embarcações que esperam a entrada no porto comercial, localizada a cerca de três milhas náuticas (5,5 km) da Figueira da Foz, onde se manteve, em marcha lenta, durante quase três horas.
Depois, por indicação da autoridade marítima e devido ao estado do mar, o Eikborg foi progressivamente afastando-se da costa, navegando sempre de marcha-atrás.
A agitação marítima na costa portuguesa tem tendência para piorar nos próximos dias, o que estará a impossibilitar o reboque, em segurança, do cargueiro.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera atualizou hoje os avisos meteorológicos para a costa portuguesa: o aviso laranja para ondas de noroeste de cinco a sete metros, que podem chegar aos 12 metros, entrou em vigor às 09:00 e vai manter-se até às 03:00 de quarta-feira, altura em que passará a vermelho, até às 21:00 daquele dia (ondas de oeste/noroeste com sete a oito metros, podendo atingir 14 metros de altura máxima).
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