Navio de carga está sem comandos, sem leme e à deriva enquanto espera por rebocadores.
Um cargueiro está à deriva à saída da barra da Figueira da Foz e corre o risco de naufragar depois de ter perdido o leme, alegadamente por ter batido no fundo devido à acumulação de areias, disse fonte portuária.
Ao CM, fontes avançam que a embarcação mantém uma posição a 4 milhas de costa e apenas não tem leme, mantendo-se o motor propulsor a funcionar. Neste momento, está a utilizar o impulsor de proa para ter alguma capacidade de orientação.
Em declarações à agência Lusa pelas 10h50 desta segunda-feira, Paulo Mariano, vice-presidente da comunidade portuária da Figueira da Foz, explicou que o navio de carga geral Eikborg, de bandeira dos Países Baixos, está sem comandos, sem leme e à deriva, a navegar só para se segurar, de marcha a ré, enquanto espera por rebocadores que terão de se deslocar do porto de Leixões, por não existirem na Figueira da Foz ou em Aveiro.
"O navio está sem leme. Neste momento, está à deriva. Está a tentar manter algum rumo, navegando ao contrário, está a andar para trás, o que é contraproducente, mas é a única solução que ele [o comandante] tem, para tentar dominar o navio, até que alguém venha em socorro", afirmou Paulo Mariano.
Classificou a situação como "a tempestade das tempestades", avisando para o perigo de o cargueiro de 89 metros naufragar, com o previsto agravamento das condições do mar: "Porque, se ele começar a meter água na casa das máquinas, está sujeito a ir ao fundo. Estamos aqui na iminência, e não estou a exagerar, de acontecer uma tragédia", alertou.
O responsável da comunidade portuária contou que o cargueiro, que tem um calado de 5,5 metros -- de acordo com a página de internet Marine Traffic, consultada pela Lusa -- terá batido no fundo do canal de navegação quando saía da barra, devido à acumulação de areias naquele local.
A barra da Figueira da Foz está fechada a embarcações de comprimento inferior a 35 metros -- o que permitiria a entrada e saída de cargueiros -- mas, ainda segundo Paulo Mariano, na prática está encerrada a toda a navegação, após o Ekborg ter batido no fundo, quando saía, carregado com carga da celulose do grupo Altri, a segunda situação do género em dois meses.
"E há aqui mais navios para sair e os senhores pilotos [que guiam os navios nas entradas e saídas do porto comercial] dizem que não sabem como está a barra e não movimentam nada", vincou.
"Portanto, o porto da Figueira da Foz fechou. O porto que servia a economia da Região Centro fechou. Isto é um assunto, como se dizia noutro tempo, de lesa-pátria", argumentou.
Paulo Mariano disse ainda que a barra da Figueira da Foz nunca teve tanta areia acumulada como agora, responsabilizando pela situação as dragagens da obra de transferência, de norte para sul, de três milhões de metros cúbicos de areia, da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e exigindo a intervenção do Ministério Público.
Ainda segundo a página Marine Traffic, o Ekborg está ao largo da barra da Figueira da Foz, sem comandos, a navegar a uma velocidade de meio nó (menos de 1 km por hora).
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