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Correio da Manhã

Portugal

Chefe do Exército assume responsabilidade por Tancos diz sentir-se "humilhado"

General aponta falta de supervisão e diz que material roubado valia 34400 euros.
Cristina Rita e Daniela Espírito Santo 6 de Julho de 2017 às 22:14
O Chefe do Estado-Maior do Exército, General Rovisco Duarte
O general Rovisco Duarte
O Chefe do Estado-Maior do Exército, General Rovisco Duarte
O general Rovisco Duarte
O Chefe do Estado-Maior do Exército, General Rovisco Duarte
O general Rovisco Duarte
O general Rovisco Duarte apontou esta quinta-feira falta de supervisão na segurança dos Paióis de Tancos e assumiu a responsabilidade do Exército, durante uma audição que decorreu à porta fechada. Chegou mesmo a dizer sentir-se "humilhado", insistindo que houve desleixo.

O Chefe do Estado Maior do Exército (CEME), general Rovisco Duarte, foi ouvido na comissão parlamentar de Defesa desde as 18h00 de hoje, à porta fechada, durante três horas, para prestar esclarecimento aos deputados sobre o furto de material de guerra na base de Tancos, Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém. 


Segundo apurou o CM junto de várias fontes parlamentares, existiam mísseis Milan e TOW (que fazem parte do sistema de combate anticarro) nos paóis furtados, mas os mesmos foram deixados para trás pelos criminosos. No total, o material roubado totalizou 34400 euros. 

Rovisco Duarte defende que houve "cumplicidades puras" no assalto, aludindo a uma possível colaboração interna. No entanto, não se quis pronunciar sobre o objetivo do crime e disse não ter sido informado oficialmente do processo que está sob investigação.

O general apontou falta de supervisão, falhas na análise de relatórios, deficiências nas rondas no perímetro dos paióis e faltas no cumprimento de diretrizes, falhas que atribuiu às estruturas responsáveis por garantir a segurança dos paióis.

Segundo vários deputados presentes na reunião, o general terá assumido a responsabilidade do Exército pelas falhas e nunca colocou a responsabilidade no plano político, chegando mesmo a ilibar qualquer responsabilidade do atual ministro bem como do anterior.

Quanto ao roubo, o general desvalorizou o facto de não haver videovigilância, garantindo que o importante são as rondas fisicas. Nesse campo, atacou o facto de se terem passado "até vinte horas" entre rondas para se detetar o assalto. 
Exonerações confirmadas

Fontes presentes na reunião adiantaram que o general confirmou a exoneração dos cinco comandantes responsáveis por indicar, rotativamente, efetivos para a segurança das instalações e assumiu que não foi uma decisão consensual.

Assumindo que a figura da exoneração temporária não está prevista juridicamente, o general assumiu a decisão como um ato de comando que melhor protege os comandantes e o que assegura mais transparência nas averiguações.

Rovisco Duarte defendeu que o número de efetivos previsto no plano montado para a segurança era considerado suficiente. O Exército anunciou há uma semana que foi detetada a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois 'paiolins', com o furto granadas, explosivos, entre outro material de guerra.

Além da investigação conduzida pela Polícia Judiciária Militar e pela Polícia Judiciária, está decorrer um inquérito no Exército para apuramento de eventuais responsabilidades.

O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, vai ser ouvido sexta-feira sobre o mesmo tema, numa audição que será aberta aos jornalistas. * com Lusa

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