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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Criticada falta de bombeiros no Andanças

Erva alta propagou as chamas que calcinaram 422 carros.

05 de agosto de 2016 às 02:46

Quando o fogo deflagrou no estacionamento do festival Andanças, em Castelo de Vide, quarta-feira às 14h50, destruindo por completo 422 carros e uma moto e danificando outras nove viaturas, apenas estava no recinto – com 28 hectares e perto de 5 mil pessoas – uma viatura com 4 elementos dos sapadores florestais da autarquia, lamentaram ao CM vários dos lesados e confirmou o presidente da câmara, António Pita, e a organização.

Segundo explicou ao CM Tiago Mendes, que viu o seu carro engolido pelo fogo, mesmo esses sapadores tiveram dificuldade em aceder às chamas. "Depararam-se com um portão fechado e teve de se encontrar um corta arame", disse. Denunciou a falta de uma viatura de combate a fogos dos bombeiros, que existia em outros anos e passou a estar presente desde ontem. Outros festivaleiros acusam a organização de ter descurado a segurança. "O estacionamento não era mais que um palheiro. Aqui batem temperaturas elevadas e basta uma palha entrar no escape para começar o fogo e arde tudo", afirmou Joel Valente, de Almada, que salvou o carro "à última" e ontem ia para casa. "Não estou seguro. A minha filha aleijou-se a fugir para dentro da barragem. Gerou-se um pandemónio – com crianças perdidas e famílias separadas – e não foi tragédia por causa do vento, que estava em sentido contrário do campismo. Era tudo previsível. O pasto onde nos mandaram estacionar tinha meio metro", lamentou. Terá sido essa palha a propagar as chamas por baixo dos carros, pegando fogo às zonas menos protegidas das viaturas.

É ainda criticada a falta de extintores visíveis no interior do recinto, bem como a alegada inexistência de um sistema sonoro de aviso para todo o recinto e o desrespeito das placas de proibição de fumar e fazer fogo.

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A Proteção Civil confirmou que o único meio de combate a incêndios no local era a equipa de sapadores florestais. A organização refere que eram os meios previstos no plano de segurança aprovado pela autarquia. E garante a existência de extintores "em todos os pontos importantes" e que estavam ontem a ser recarregados após terem sido usados no fogo.

Nada ainda decidido quanto aos seguros

A Caixa Agrícola Seguros, que assinou a apólice de responsabilidade civil com a organização do Andanças – a associação Pé de Xumbo –, assegurou ontem que vai cumprir com as suas responsabilidades na sequência do incêndio que danificou quatro centenas de viaturas. Mas alertou que o seguro "pode ou não ser suficiente para cobrir os danos", recusando-se a divulgar o valor contratado – recorde-se que, numa estimativa por baixo, e se cada carro atingido for avaliado em 5 mil euros, estão em causa prejuízos superiores a dois milhões de euros.

A Associação Portuguesa de Seguradores aconselhou os proprietários dos carros danificados a acionarem os respetivos seguros individuais. Já a Deco alertou que "quem tem cobertura de incêndio no seguro automóvel deve ativá-la de imediato". "Se a apólice não a inclui, o consumidor terá de aguardar até as responsabilidades estarem apuradas", sendo cenários possíveis "o acordo entre seguradoras ou pagamento pela organização".

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