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Correio da Manhã

Portugal
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Defesa de Sócrates custa mais de 700 mil euros

Processo é complexo e exige muitas horas de trabalho. Especialistas garantem que valor não é menos de 300 €/hora.
Débora Carvalho 20 de Abril de 2018 às 01:30
José Sócrates com o advogado João Araújo
José Sócrates com o advogado João Araújo
João Araújo e José Sócrates
Ricardo Salgado, ex-presidente do BES
Advogado Proença de Carvalho
José Sócrates com o advogado João Araújo
José Sócrates com o advogado João Araújo
João Araújo e José Sócrates
Ricardo Salgado, ex-presidente do BES
Advogado Proença de Carvalho
José Sócrates com o advogado João Araújo
José Sócrates com o advogado João Araújo
João Araújo e José Sócrates
Ricardo Salgado, ex-presidente do BES
Advogado Proença de Carvalho
A defesa vai sair cara a José Sócrates, que, desempregado há mais de três anos, diz apenas viver com uma subvenção vitalícia de 2550 euros líquidos. "Fazer aquilo que a defesa tem feito na Operação Marquês custará, a preços de mercado, nunca menos de uns 700 mil euros", garantiu à revista ‘Sábado’ um dos mais solicitados criminalistas do País.

Por hora não é cobrado menos de 300 euros. O CM confirmou estes valores junto de vários advogados. Sócrates está desempregado e só de renda de casa paga 1800 euros por mês. O processo Marquês é complexo e moroso. E tudo conta: o estudo, a elaboração das peças processuais, os telefonemas e os quilómetros realizados. Os advogados assinaram, pelo menos, 38 recursos, requerimentos, um incidente de recusa de juiz e um pedido de ‘habeas corpus’. Cada recurso custará em média entre 20 e 30 mil euros. Somam-se ainda as despesas com os processos por difamação contra os jornalistas. Só em custas processuais, Sócrates já terá gastado mais de 38 mil euros.

O inquérito nasceu em julho de 2013 e a acusação, de mais de 4 mil páginas, foi deduzida há seis meses. O processo tem dezenas de volumes e apensos e conta com centenas de escutas telefónicas transcritas.
A defesa do antigo governante enfrenta agora a primeira baixa. O advogado João Araújo, que o foi buscar a Paris antes de ser detido em novembro de 2014, terá abandonado a defesa de Sócrates em fevereiro, depois de mais de três anos ao seu lado. As discussões constantes terão ditado a rutura e terá sido o antigo primeiro-ministro a dispensar o advogado, que chegou a representar também a sua mãe, Maria Adelaide Monteiro, em vários processos.

Em janeiro de 2015, ainda na cadeia de Évora, Sócrates pediu um empréstimo de 250 mil euros à Caixa Geral de Depósitos (CGD). Desse montante, pagou apenas 10 mil euros de honorários ao advogado João Araújo.

PORMENORES
Não quer esclarecer
Contactado pelo CM, João Araújo não quis comentar a saída. O advogado respondeu que o assunto só dizia respeito a Sócrates. "Não quero esclarecer nada", afirmou.

Delille continua
Pedro Delille, que também assume a defesa de José Sócrates, juntou-se mais tarde à equipa de advogados liderada por João Araújo, e vai continuar a patrocinar Sócrates.

Bava comprou apartamentos de luxo no Chiado por quatro milhões de euros
Zeinal Bava, antigo presidente-executivo da PT acusado de corrupção no processo Marquês, comprou em 2011 dois luxuosos imóveis no Chiado por 4 milhões de euros. Na mesma altura, Bava recebeu 18,5 milhões de euros da ES Enterprise, a empresa que funcionava como o saco azul do BES para fazer pagamentos por fora. O gestor vive em Inglaterra.

Salgado será arguido no caso EDP
Ricardo Salgado pode ser arguido em mais um processo judicial (para além do BES, Operação Marquês e Monte Branco) que envolve a investigação aos benefícios concedidos à EDP no âmbito dos Custos de Manutenção de Equilíbrio Contratual (CMEC). Neste processo, os procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto consideram que Salgado pagou mais de um milhão de euros a uma offshore do ex- -ministro da Economia Manuel Pinho. Segundo o Observador Manuel Pinho era o último beneficiário de uma offshore chamada Tartaruga Foundation, com sede no Panamá, que recebia dinheiro para beneficiar o Banco Espírito Santo.

Banqueiro paga meio milhão a Proença
O advogado Daniel Proença de Carvalho já recebeu cerca de meio milhão de euros de Ricardo Salgado. A defesa do banqueiro é assegurada pelo seu filho, Francisco Proença de Carvalho.







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