Suspeito de raptar empresário conhecia as rotinas de Ricardo Claro, que está desaparecido há uma semana. Confessa roubo e acusa dois cúmplices que fugiram para o Brasil.
Confessou e mostrou-se arrependido. Diz que não matou e que nunca teve intenção de o fazer. Acusou os comparsas - dois homens brasileiros - de terem perdido o controlo. Só queria roubar Ricardo Claro, o empresário de 50 anos, diretor comercial do restaurante Well, em Vale do Lobo, no Algarve, que está desaparecido desde sexta-feira da semana passada e com quem trabalhou e manteve uma relação próxima - ao ponto de conhecer muito bem as suas rotinas.
Traído pela prova abundante que a Polícia Judiciária (PJ) já recolheu, o homem, de 39 anos, não o podia negar. É o único que está detido por envolvimento no rapto do empresário e aceitou colaborar. O interrogatório, que começou esta sexta-feira no Tribunal de Instrução Criminal de Faro, acabou por ser suspenso depois de o suspeito ser confrontado com imagens dos levantamentos de multibanco. Há também prova de que foi roubado o cofre do restaurante de luxo onde estava guardado muito dinheiro. Ricardo Claro poderá ter sido obrigado a acompanhar o trio para conseguirem chegar aos valores.
Suspeito não revela paradeiro de gestor de restaurante de luxo desaparecido no Algarve
No tribunal, o suspeito aceitou colaborar. Os próximos dias podem ser determinantes: para acompanhar a PJ até à descoberta de Ricardo Claro. Vivo ou morto, os investigadores não sabem o que vão encontrar.
Para já, parece ser certo que os comparsas fugiram. Os brasileiros deixaram o nosso país e rumaram para Madrid, onde apanharam o avião até ao país natal. Aí não poderão ser extraditados - só julgados no Brasil, caso Portugal peça o julgamento naquele país.
Amigos usam drones e fazem buscas em terrenos
São muitas as buscas feitas por amigos e vizinhos que tentam ajudar a procurar Ricardo Claro. Procuraram terrenos remexidos, algum sinal de passagem de veículos em zonas de mato e floresta. Usando drones para mapear os terrenos e entrando em casas abandonadas junto às salinas de Olhão, muitos fizeram buscas nos últimos dias. As mesmas pararam esta sexta-feira à tarde devido à chuva, mas devem ser este sábado retomadas.
Amigos e familiares procuram gestor de restaurante de luxo desaparecido no Algarve
Carro encontrado em Olhão, mas sem pistas
O carro de Ricardo Claro foi encontrado na quarta-feira estacionado junto a um café, em Olhão, e na zona já foram feitas buscas. O objetivo foi procurar pistas, perceber se nas proximidades havia sinal do empresário. Não havia. A Polícia Judiciária continua no terreno.
Interrogatório suspenso
Foi no Tribunal de Faro que o suspeito começo, esta sexta-feira, a ser ouvido. O homem, que está indiciado por rapto e roubo, aceitou falar. Ao fim de poucas horas, o interrogatório foi suspenso e ele regressou à cadeia. Sabe que segunda-feira voltará para conhecer as medidas de coação.
PJ de Faro investiga
A PJ de Faro assumiu a investigação mal se percebeu que havia sinais de roubo. Além do dinheiro levantado da conta também o dinheiro do cofre desapareceu.
Lixo, casacos e chaves
No local onde o carro estava estacionado, em Olhão, foram encontrados dois casacos, um molho de chaves e fita adesiva dentro de um caixote de lixo. A chave do carro foi encontrada na mesma rua por crianças.
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