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Detidos nas buscas às Águas de Gaia já estão no Tribunal de Instrução Criminal do Porto

MP sustenta que os sete funcionários manipularam dezenas de contratos para adjudicação ao mesmo empreiteiro em troca de dinheiro, eletrodomésticos, compras, jantares, férias, obras em casa e consultas médicas.

27 de maio de 2026 às 17:35

Os 13 detidos nas buscas às Águas de Gaia (ADGAIA) num alegado esquema de corrupção e branqueamento, envolvendo oito milhões de euros, já estão no Tribunal de Instrução Criminal do Porto (TIC).

Os suspeitos, sete funcionários da ADGAIA, três dos quais com cargos de chefia, um ex-funcionário e cinco empresários ligados à construção civil e à venda de materiais, chegaram por volta das 15:50 para serem presentes a primeiro interrogatório judicial.

"A investigação, em curso há cerca de 17 meses, incide sobre um amplo esquema organizado de criminalidade económico-financeira, desenvolvido através da conjugação de esforços entre empresários do setor privado e funcionários da Empresa Municipal Águas de Gaia (ADGAIA), com poderes decisórios relevantes no âmbito da contratação pública e sua respetiva execução", adiantou a Polícia Judiciária (PJ) na terça-feira.

O Ministério Público (MP) sustenta que os sete funcionários da Águas de Gaia manipularam, alegadamente, dezenas de contratos para adjudicação ao mesmo empreiteiro em troca de dinheiro, eletrodomésticos, compras, jantares, férias, obras em casa e consultas médicas.

Um despacho judicial, a que a agência Lusa teve hoje acesso, refere que, entre 2009 e 03 de fevereiro de 2026, um empresário da construção, outro dos 13 detidos na terça-feira pela Polícia Judiciária (PJ) na operação "Águas Turvas", teve a adjudicação de 98 contratos públicos, de quase 11 milhões de euros, 81 deles celebrados com a ADGAIA, tendo emitido faturas à empresa municipal no montante global de cerca de 8,5 milhões de euros.

A investigação diz que em 2024 e em 2025 este empreiteiro faturou à ADGAIA cerca de 1,8 milhões de euros, representando 73% da sua faturação total, acrescentando que, nestes dois anos, o arguido efetuou levantamentos bancários superiores a 45 mil euros, para supostos pagamentos em numerários aos funcionários detidos, alguns dos quais diretores.

O despacho indica que o empresário pagou almoços e jantares aos funcionários com o objetivo de, alegadamente, os recompensar e para continuar a ser beneficiado em futuras adjudicações.

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