Militar de 30 anos conta ao CM ser motivada pelo “auxílio às pessoas em locais onde os meios convencionais não chegam”. Vai trabalhar “para que ninguém fique para trás” quando tudo o resto falha.
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A Força Aérea conta desde há uma semana com a primeira mulher recuperador-salvador - o militar que é descido desde os helicópteros para realizar o resgate de vítimas nas mais arriscadas missões em mar ou em terra. Diana Santos, segundo-sargento, de 30 anos, conta ao CM que sempre teve uma “profunda admiração pela missão dos recuperadores-salvadores” e “a minha maior motivação para tentar ingressar prendeu-se com a vontade de prestar auxílio às pessoas em locais onde os meios convencionais não chegam, seja em alto mar ou numa escarpa isolada”.
A decisão de concorrer ao curso “aconteceu quando me senti preparada e com a maturidade necessárias para assumir essa responsabilidade, ciente de que este não era um percurso de impulso, mas de compromisso que iria assumir”. “A conclusão deste curso é a concretização de um objetivo maior: integrar uma equipa incansável que trabalha para que ninguém fique para trás. Mais do que uma especialidade, é o compromisso de estar presente quando todas as outras opções se esgotaram”, destaca Diana Santos.
A Força Aérea formou, desde 1977 (o primeiro curso terminou a 3 de julho desse ano) apenas 98 recuperadores-salvadores. Diana Santos concluiu, com um segundo camarada, o curso que se prolongou por exatamente um ano. “A formação é um processo de elevada exigência, desenhado para garantir que a nossa resposta é precisa em cenários críticos. A primeira fase, em Tróia, marcou-me pela dureza física e psicológica, sendo fundamental para testar a nossa resiliência e a capacidade de trabalhar sob pressão constante. Outro momento determinante foi o primeiro voo, ponto em que toda a instrução teórica e o esforço físico ganharam uma dimensão operacional real”, conta a segundo-sargento. Agora, Diana Santos vai integrar a esquadra 752 – “Fénix”, na Base Aérea N.º 4 (Lajes), dos helicópteros EH-101 ‘Merlin’, responsável pela busca e salvamento na imensa área do Atlântico.
Resgates em terra, mar e de navios
Os recuperadores-salvadores executam resgates em terra (zonas de difícil acesso como mata densa ou escarpas), no mar (recuperação de náufragos diretamente da água) e de navios (resgate em embarcações). No final do curso, podem ir para três esquadras (552, 751 ou 752), onde passam a integrar tripulações operacionais e a desempenhar missões reais.
Exigência desde as provas de seleção
Os candidatos têm primeiro de passar um exigente processo de seleção, em meio terrestre e aquático, inspeções médicas, testes psicotécnicos e provas de decisão como o salto para a água e trabalho em altura. O curso tem seis semanas de adaptação ao meio aquático e, depois, uma fase de voo dividida em três etapas.
Militar há 10 anos foi bombeira
Diana Santos é militar da Força Aérea há 10 anos. “Iniciei como Praça na especialidade de Operadora de Sistemas de Assistência e Socorros (OPSAS, os bombeiros), na Base Aérea N.º 6 [Montijo], entre 2016 e 2020”. Em 2020, ingressou no Curso de Sargentos dos Quadros Permanentes e em 2022 foi colocada no Centro de Treino de Sobrevivência.
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