Declarações feitas durante a tomada de posse do novo responsável pelo Departamento de Investigação Criminal (DIC) de Leiria.
O diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, disse esta sexta-feira que a pobreza também é um papel da polícia, durante a tomada de posse do novo responsável pelo Departamento de Investigação Criminal (DIC) de Leiria.
"Não podemos continuar a ter margens enormes de pobreza, a miséria das pessoas que à partida não têm os mesmos direitos do que os outros, porque nascem sem assistência de saúde, sem assistência na habitação e nas escolas. Vamos dizer: 'Não é um papel nosso. Mas é um papel nosso, da área política, de todos'", avisou.
Luís Neves destacou que o papel da PJ é "olhar para o cidadão", de quem é "vítima direta de um homicídio, de uma agressão sexual, sequestro, tráfico de seres humanos ou de um crime de incêndio".
"São vítimas diretas, mas há outras indiretas, que merecem uma resposta da nossa parte. Não somos obrigados a submeter todos os inquéritos com proposta de acusação, mas todos os inquéritos têm de ter esforço, dedicação, brilho e rigor", acrescentou, dirigindo-se à equipa de Leiria.
O diretor da PJ disse ainda que "há ainda todas as outras vítimas que não são conhecidas das pessoas, enquanto sociedade".
Referindo que "há uma nova estratégia de combate à corrupção", o responsável afirmou que há uma "aposta grande nesta esfera e na esfera do cibercrime".
"Continuam a existir muitos inquéritos - muitas situações que nem são inquéritos - na esfera da contratação pública, da corrupção, da atividade económico-financeira associada e em que as vítimas somos todos nós, mas sobretudo as camadas da sociedade mais desfavorecidas", explicou.
Por isso, Luis Neves defendeu que é preciso, na "pequena esfera de ação" das autoridades, garantir "uma resposta em tempo útil", evitando-se situações idênticas a "alguns dos inquéritos - felizmente não são muitos -, que levam demasiados anos, para que haja acusações e condenações".
"A maior prevenção da criminalidade económico-financeira são as condenações e essas têm de ter um tempo útil. Somos poucos, mas temos de ter muita força, muita vontade e capacidade", rematou, voltando a falar para os inspetores presentes.
Para Luís Neves, o trabalho tem de ser pelo "rigor, profissionalismo, profunda dedicação e pelo espírito de sacrifício".
E estas são as características, segundo apontou o diretor nacional da PJ, do novo responsável pelo DIC de Leiria, Avelino Lima.
É a primeira vez que o cargo de diretor é criado no DIC de Leiria, deixando o responsável de ser coordenador, como explicou Luís Neves, referindo que o departamento mantém-se, contudo, sob a dependência da Diretoria do Centro de Coimbra.
Na tomada de posse, Avelino Lima afirmou que pretende "conhecer bem a região", pois só assim poderá "fazer um bom trabalho", destacando a colaboração de proximidade com as restantes forças policiais e com o Ministério Público.
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