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Distrital de Leiria do BE critica Governo por lentidão na resposta e atraso na declaração de calamidade

BE sustenta que o Governo, liderado por Luís Montenegro, "falhou ao não investir na resiliência das infraestruturas básicas" após tragédias passadas.

31 de janeiro de 2026 às 10:14

A distrital de Leiria do BE criticou este sábado o Governo, acusando-o de lentidão na resposta e atraso na declaração do estado de calamidade, "falhas graves que deixaram as populações à sua sorte" no mau tempo.

"É absolutamente condenável a profunda incompetência demonstrada pelo Governo. A lentidão na resposta e o atraso na declaração do estado de calamidade são falhas graves que deixaram as populações à sua sorte", considera o BE num comunicado enviado à agência Lusa.

Para o Bloco, "é um insulto às pessoas afetadas que o Governo gaste tempo a destacar a 'solidariedade' das companhias de seguros - entidades cujo lucro depende, tantas vezes, da fuga às responsabilidades - enquanto hesita em acionar os mecanismos públicos de socorro".

"Mais caricato ainda é o facto de o Mecanismo de Proteção Civil da UE [União Europeia] ter meios, como geradores de alta capacidade, prontos para serem enviados, mas o Governo português não ter formalizado o pedido, demonstrando uma incapacidade gritante em compreender a gravidade do que se vive em Leiria e nos outros distritos fortemente afetados", salientou.

Segundo o BE, o impacto da depressão Kristin "mostra o rosto da enorme fragilidade causada pela privatização de setores essenciais como a energia, a água e as comunicações", frisando ser "inaceitável que, em 2026, concelhos inteiros fiquem incomunicáveis porque o desempenho dos operadores privados em recursos críticos falhou redondamente, deixando autarcas e populações sem mãos para o socorro".

O BE sustenta que o Governo, liderado pelo social-democrata Luís Montenegro, "falhou ao não investir na resiliência das infraestruturas básicas" após tragédias passadas, e recusa "a narrativa oficial que tenta transferir a responsabilidade da segurança para os cidadãos".

O BE pede ainda a ativação imediata de todos os instrumentos de socorro, sendo urgente, a nível local, por exemplo, o pleno cumprimento dos planos municipais de emergência e proteção civil.

No âmbito nacional, além da mobilização do Exército para operações de desobstrução de vias e apoio logístico, é necessário executar o plano nacional de Proteção Civil, garantindo que "os meios de distritos não afetados sejam deslocados" para o distrito de Leiria.

A nível europeu exige, entre outros, "o acionamento futuro do Fundo de Solidariedade da UE para a reconstrução das infraestruturas", adianta.

No mesmo comunicado, a distrital de Leiria do BE nota que "esta calamidade é a face visível da emergência climática", classificando como "irresponsabilidade criminosa que forças políticas como a Iniciativa Liberal continuem a agir contra o consenso científico, propondo alterações à Lei de Bases do Clima que visam apenas proteger lucros privados em detrimento da segurança das pessoas".

"Dar resposta à crise climática é a única forma de evitar que estes eventos se tornem o nosso novo normal", acrescenta.

A sede do BE em Leiria está de portas abertas para recolher donativos de bens para entrega no pavilhão dos Pousos, permitindo a quem precisar acesso à Internet, carregamento de 'powerbanks' e telemóveis, encher garrafões de água para despejos ou trabalhar remotamente.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

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