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Correio da Manhã

Portugal
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Doente anestesiada com agulhas

O médico japonês, especialista em acupunctura, Saninko Ashino, espeta cautelosamente seis agulhas em pontos estratégicos no abdómen de Sónia Jesus, de 40 anos. O efeito anestésico é imediato e eficaz para permitir uma intervenção cirúrgica, no Hospital S. Louis, em Lisboa, para o tratamento de tumores no útero (fibromiomas).
20 de Julho de 2006 às 00:00
É a segunda vez que uma cirurgia deste tipo com recurso a anestesia por acupunctura é feita no nosso país. A primeira, em Maio, no mesmo hopistal, como o CM então noticiou, também correu bem.
Para este tipo de cirurgia, as agulhas foram colocadas em pontos específicos do baço e estômago.
Depois de o médico japonês Saninko Ashino ter anestesiado a doente, entrou em acção o médico radiologista Martins Pisco, para o tratamento dos cinco fibromiomas. O maior deles mede nove centímetros. Os tumores provocam fortes dores e hemorragias a Sónia Jesus, motorista de transportes públicos.
Sónia está consciente e diz que não sente nada. Responde às perguntas do médico Martins Pisco durante a intervenção. O tratamento, através de raios X, dura apenas quatro minutos e meio.
Ao CM a doente diz ser esta a primeira vez que se submete a um tratamento de acupunctura. “Nunca tinha experimentado, mas achei que podia ser uma boa alternativa à anestesia.”
Enquanto decorre a intervenção, o médico radiologista explica à doente, a par e passo, os procedimentos cirúrgicos. “A técnica consiste na colocação de um cateter na virilha direita, através do qual chego à artéria uterina e procedo ao entupimento dos vasos que irrigam o tumor. Esta técnica, a embolização, não deixa crescer o tumor, pelo contrário, obriga-o a diminuir de tamanho, mas não desaparece.”
Sobre a acupunctura, Martins Pisco aponta vantagens: é eficaz e não apresenta efeitos secundários.
A operação foi acompanhada por uma médica estomatologista, que utiliza este método de anestesia com regularidade. “Na cirurgia dentária utilizamos cada vez mais a acupunctura.”
Quem se mostra também satisfeita com a técnica da acupunctura e os resultados da embolização dos fibromiomas é a primeira doente que se submeteu a este tipo de intervenção. Maria Emília Pinha, de 52 anos, foi operada em Maio. “Ao fim de dois ou três dias estava a fazer a minha vida normal e no dia da operação fui para casa. Hoje estou bem.”, diz.
60 POR CENTO DAS MULHERES TÊM A DOENÇA
Os fibromiomas, ou miomas, são tumores benignos que surgem na cavidade uterina. Os médicos estimam que 40 por cento das mulheres portuguesas de raça branca, com mais de 35 anos, tenham este problema, enquanto 60 por cento das mulheres terão ao longo da vida.
As mulheres de raça negra têm uma prevalência maior da doença: 70 por cento. O médico ginecologista Vicente Pinto, ex-director da Maternidade Alfredo da Costa, diz que este problema é muito comum. “Os fibromiomas são a patologia uterina mais frequente. O tamanho dos tumores é variável, mas calcula-se que a maior parte das mulheres venha a ter este problema ao longo da sua vida.” Segundo o especialista, muitas mulheres não sabem que têm estes tumores, porque não têm sintomas.
Porém, os sintomas que provocam são hemorragias, mais acentuadas no período menstrual, dor na região pélvica, sensação de peso e aumento do volume do abdómen, obstipação e retenção urinária. O diagnóstico é feito através de um exame ginecológico e confirmado pela ecografia ou ressonância magnética, que revelam a localização e tamanho. A mulher pode ter um ou vários fibromiomas.
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