AS 350B3(2B) preparava-se para descolar com cinco elementos da GNR - GIPS. Eurocopter descolou "inesperadamente" e caiu logo de seguida.
1 / 2
O piloto do helicóptero que caiu durante uma descolagem na Pampilhosa da Serra, em 04 de setembro, pensava que estava a operar um modelo diferente daquele que realmente pilotava, o que esteve na origem do acidente, segundo a investigação.
A conclusão consta de um relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a que a agência Lusa teve esta quarta-feira acesso.
O AS 350B3(2B) preparava-se para descolar do Centro de Meios Aéreos da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, pelas 09h30, com cinco elementos da GNR - GIPS (Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro), para combater um incêndio no distrito de Castelo Branco, quando o Eurocopter descolou "inesperadamente" e caiu logo de seguida, provocando danos substanciais na aeronave e ferimentos ligeiros num dos militares da GNR.
"De acordo com as declarações do piloto e pela recreação do cenário simulado, observou-se que a ação de seleção do 'modo de voo' foi realizada rodando o 'twist grip' [acelerador de potência de motor], ações semelhantes às necessárias e aplicáveis ao modelo AS350 B3 com motor Arriel 2B1, o que não era a situação [helicópero acidentado tinha o motor 2B]", indica o GPIAAF.
Questionado no próprio dia do acidente pelos jornalistas, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, adiantou que o aparelho tinha registado "problemas técnicos" ao descolar.
O relatório explica que "uma das principais diferenças entre as versões das aeronaves (2B e 2B1), e com relevância para o evento, são os procedimentos pré-voo de arranque do motor e seleção de potência de descolagem ou voo (modo FLIGHT - voo)".
Da avaliação da condição da aeronave, dos dados recolhidos da tripulação e das testemunhas, a investigação aponta como causa provável para o acidente "o movimento inadvertido do 'twist grip' pelo piloto para a gama de funcionamento em emergência - regime MAX", ou seja, o piloto adotou a pilotagem pensando que estava a bordo de um AS 350B3, com a configuração de motor 2B1, mas na realidade pilotava um helicóptero equipado com o motor 2B.
"Para as ações do piloto nos comandos da aeronave terão contribuído as diferentes configurações dos modelos AS350 B3 (2B e 2B1); a modificação do 'grip' não estava incorporada na aeronave; a experiência de voo recente do piloto no modelo 2B1; a falha no reconhecimento das diferenças entre os modelos 2B1 e 2B e a não utilização das listas de verificação a bordo", concluíram os investigadores do GPIAAF.
A investigação sublinha que existem vários fatores contextuais que podem ter contribuído e ajudam a explicar o comportamento do piloto.
"O fator prontidão e o foco no cumprimento dos tempos contratuais na preparação e saída para a missão, num ambiente novo para o piloto e com uma equipa nova, podem ter contribuído para o desvio da atenção das ações essenciais de pilotagem da aeronave", pode ler-se no documento.
"O piloto, no momento de hesitação e ao selecionar o modo 'flight' [voo] terá reconhecido que a situação não se configurava como esperado. É também reconhecido que, em situações de pressão, em que há um excesso de exigência de recursos cognitivos, o ser humano reverte para um modo de funcionamento automático, recorrendo ao conhecimento que está mais cimentado na sua memória pela experiência que, neste caso, o conduziu a executar uma ação que tem por base o modelo mental de outra configuração de aeronave", sustentam os investigadores.
O GPIAAF salienta que o piloto, de nacionalidade brasileira, estava devidamente autorizado a realizar o voo de acordo com a legislação atual, contando com quase 1.834 horas de voo no total, incluindo 1.655 horas no tipo AS350 B2 e B3.
Segundo os registos da sua caderneta de voo pessoal, o piloto não voava no modelo específico da aeronave acidentada, equipada com motor Arriel 2B, desde 27 de julho de 2019, tendo no total voado em Portugal menos de nove horas em aeronaves "com a referida configuração de motor Arriel 2B", igual à acidentada.
"Este seria o seu primeiro voo no CMA [Centro de Meios Aéreos] da Pampilhosa da Serra aos comandos da aeronave acidentada. O operador [Helibravo] não dispunha de dados que permitissem confirmar as horas totais na aeronave com a configuração específica com o motor Arriel 2B. Foi ainda possível constatar que tanto a formação inicial como grande parte da sua experiência de voo foram adquiridos no modelo AS350 B2. Em Portugal, o piloto voou maioritariamente a versão B3 equipada com motor Arriel 2B1", concluiu o GPIAAF.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.