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Correio da Manhã

Portugal
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Ex-fuzileiro João Paulino vai contar furto e farsa de Tancos

Advogado revela que ex-militar quer colaborar.
Miguel Curado 23 de Junho de 2019 às 09:39
João Paulino está preso
Armas furtadas de Tancos em junho de 2017
João Paulino está preso
Armas furtadas de Tancos em junho de 2017
João Paulino está preso
Armas furtadas de Tancos em junho de 2017
O ex-fuzileiro João Paulino, em prisão preventiva na cadeia de Lisboa desde setembro de 2018 por ter liderado o assalto aos paióis nacionais de material de guerra, em Tancos, na madrugada de 28 de junho de 2017, está disponível para contar à Justiça a sua participação nesta ação, bem como os contactos que manteve com responsáveis da PJ Militar e da GNR na farsa que conduziu à recuperação do material furtado.

Carlos Melo Alves, advogado de Paulino que era gerente de um bar em Ansião quando foi preso, confirmou ao CM que espera pela acusação do Ministério Público – que deverá surgir no início de setembro – para requerer a abertura de instrução. E será nessa fase processual, ou já em julgamento (caso seja pronunciado para tal), que João Paulino irá falar.

Quando foi chamado ao DCIAP, em Lisboa, a 17 de maio, o antigo fuzileiro ficou em silêncio. Melo Alves alega que o seu cliente espera pela acusação e pelas provas que nela virão. Quando o documento finalmente surgir, João Paulino deverá assumir uma postura colaborativa com a Justiça. "A ideia é contar a verdade dele. Depois serão os juízes a analisar", explicou Melo Alves.

Recorde-se que João Paulino – depois de ter liderado um grupo de 7 assaltantes que levou cerca de 300 kg de material militar das bases de Tancos – ocultou o material na herdade da avó. Parte das armas viriam a ser recuperadas, numa farsa que contou com a intervenção de operacionais da PJM e da GNR.

PORMENORES
Recluso calmo
João Paulino cumpre a prisão preventiva na Ala F da cadeia de Lisboa, onde tem uma cela só para ele. É considerado um recluso calmo, que não se mete em problemas.

Apanhado com telemóvel
O único percalço dos 9 meses de vida prisional de João Paulino ocorreu no fim de abril. Como o CM noticiou na altura, o alegado cérebro dos furtos de Tancos foi apanhado com um telemóvel na cela.

Processo com 21 arguidos
O Ministério Público ordenou a junção dos processos que investigam o furto do material de guerra de Tancos e a farsa na recuperação de parte deste material. Ao todo, já foram constituídos 21 arguidos. O mais recente é o tenente-coronel Luís Sequeira, da GNR.
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