Maria José Gonçalves inquirida pela Polícia Judiciária de Braga na sequência de uma denúncia anónima.
A ex-vice-presidente da Câmara de Ponte da Barca e atual vereadora sem pelouro disse esta sexta-feira à Lusa ter sido inquirida pela Polícia Judiciária (PJ) de Braga na sequência de uma denúncia anónima relacionada com alegada corrupção naquele município.
"Fui notificada pela PJ de Braga para ser inquirida, o que veio a acontecer, no dia 06 de junho, no posto da GNR de Ponte da Barca. Fui ouvida durante cerca de três horas por três inspetores que me informaram que aquele procedimento decorria de uma denúncia anónima relacionada com corrupção no processo de promoção do funcionário e vereador Inocêncio Araújo. Perguntaram-me se era a autora da denúncia anónima, o que neguei em absoluto", explicou Maria José Gonçalves.
A professora de 55 anos adiantou que, na reunião ordinária de quinta-feira, informou o executivo municipal, liderado pelo social-democrata Augusto Marinho, da inquirição da PJ.
A Lusa tentou ouvir o presidente deste município do distrito de Viana do Castelo, mas sem sucesso.
Em comunicado esta sexta-feira emitido, a Câmara de Ponte da Barca explicou que "os serviços municipais foram contactados no dia 06 de junho pela Polícia Judiciária, tendo cedido voluntariamente e de boa-fé toda a informação e documentação solicitada".
Em outubro de 2018, Maria José Gonçalves, então vice-presidente da maioria social-democrata, absteve-se na votação do orçamento para 2019, alegando "não ter sido envolvida" na sua elaboração decidida "unilateralmente" pelo presidente da autarquia.
Em dezembro, a professora, disse à Lusa estar a ser vítima de 'bullying' laboral por parte do presidente da câmara, depois de se ter abstido naquela votação.
Em janeiro de 2019, na primeira reunião do executivo municipal, Augusto Marinho anunciou a nomeação de Inocêncio Araújo, um dos três eleitos do PS, como vereador a meio tempo na maioria PSD e a introdução de rotatividade na vice-presidência, até aí desempenhada por Maria José Gonçalves.
Em comunicado publicado no sítio do município na internet, no dia 25 de janeiro, a autarquia, justificava a decisão de cessação das funções de Maria José Gonçalves como vereadora em regime de tempo inteiro com a "pública desarticulação política".
Maria José Gonçalves regressou à escola secundária da vila, onde é professora, depois de ter sido informada da retirada dos pelouros que detinha.
O orçamento para 2019 da maioria PSD foi viabilizado por Inocêncio Araújo, vereador eleito pelo PS. Por despacho do presidente da câmara, Inocêncio Araújo passou a vereador a meio tempo e, viu ainda aprovada, por maioria, a sua promoção de encarregado operacional a técnico superior da Câmara de Ponte da Barca.
O apoio de Inocêncio Araújo à maioria PSD está na origem do pedido de expulsão do partido que a concelhia local do PS enviou, em dezembro, para o conselho de jurisdição da federação distrital.
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