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Correio da Manhã

Portugal
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Explosão de pirotecnia

A explosão de diversos artigos de pirotecnia junto a uma casa destruiu ontem os escritórios da empresa proprietária e causou 30 mil euros de prejuízos, mas não fez vítimas.
30 de Agosto de 2007 às 00:00
O rebentamento dos explosivos destruiu os escritórios de uma empresa de pirotecnia em Âncora Lage
O rebentamento dos explosivos destruiu os escritórios de uma empresa de pirotecnia em Âncora Lage FOTO: d.r.
O rebentamento, ocorrido dentro de um poço dissimulado por uns anexos, terá tido origem num curto-circuito junto ao material, guardado em local não licenciado, em Âncora Lage, Caminha.
De acordo com uma fonte da PSP de Viana do Castelo, a pirotecnia estava armazenada em “situação ilegal”, porque o local não tinha licença para o efeito. “Aqueles artigos deveriam ter sido desde logo transportados para um paiol, em vez de guardados onde não existiam quaisquer condições”, disse a mesma fonte, acrescentando que o proprietário incorre numa coima de 500 a cinco mil euros por infringir a legislação que rege todo o sector dos explosivos destinados a construção e a fogo-de-artifício para as romarias e festas populares.
Os Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, que combateram o sinistro, depararam-se com um poço, cavado no quintal da casa. A explosão, seguida de incêndio, ocorreu cerca das 09h35, tendo sido o fogo extinto por volta das 13h00. Os bombeiros, que empenharam 13 homens e quatro viaturas, tiveram como principal preocupação evitar a propagação das chamas às casas das imediações e à moradia do proprietário da empresa, Agostinho Gomes.
Os artefactos pirotécnicos encontravam-se num poço, com muros de cimento, no quintal da casa, escondidos por um anexo da habitação. Ao que o CM apurou, estes seriam depois transportados para o paiol da empresa, na aldeia de Ribeiro (Terras de Bouro), na zona da Serra do Gerês.
Entre o material havia baterias, repuxos e fontes luminosas destinados a festas e romarias, que tinham sido guardados no poço às 07h00 de ontem, acabando por rebentar cerca de duas horas depois, em princípio por causa de um curto-circuito.
Agostinho Gomes, de 41 anos, sócio da empresa, recusou-se a prestar declarações aos jornalistas, argumentando “estar proibido pelas autoridades de falar à imprensa”. Os prejuízos principais do sinistro ocorreram nos escritórios da empresa de pirotecnia, que ficaram destruídos.
De acordo com um dirigente da Associação Nacional de Empresários de Produtos Explosivos, Santos da Cunha, “este caso vem uma vez mais recordar que só se fiscaliza quem está dentro da legalidade e investe muito em segurança, enquanto outros há que operam no mercado sem regras e fazendo concorrência desleal aos que cumprem integralmente toda a legislação apertadíssima do sector”.
Após o incidente de ontem, a PSP fez uma vistoria ao local.
ACIDENTES EM SÉRIE
UCRANIANO VITIMADO
Operário ucraniano faleceu ao mexer em explosivos numa oficina em Bouça das Baldanças, nos arredores de Amarante, em 29 de Abril de 2004.
MORTE EM ESPOSENDE
Um operário de 32 anos morreu durante a limpeza de um paiol, em Esposende, a 31 de Janeiro de 2005. Jorge Alves tinha um irmão que também faleceu no mesmo local, em 1995, numa empresa centenária de Monte, em Antas, Esposende.
ÚLTIMA EXPLOSÃO
A última explosão de pirotecnia foi há uma semana, numa empresa de Ponte da Barca, de nome Barquense. Não houve feridos, já que o único operário se apercebeu e fugiu a tempo.
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