page view

Os nomes e as histórias das vítimas do 'pior dia do ano'

Proteção Civil revela a lista completa dos 45 mortos que sucumbiram aos incêndios de dia 15 de outubro.

26 de outubro de 2017 às 18:30

A Proteção Civil divulgou esta quinta-feira a lista completa das vítimas do trágico dia de incêndios, 15 de outubro, que assolou Portugal.

Arlindo Santos Marques - Arganil

No mesmo concelho, o incêndio fez mais duas vítimas mortais. Arlindo Marques, 67 anos, estava a dormir em casa, em Poços, quando foi surpreendido pelas chamas. "O fogo terá entrado pelo quintal e destruiu a casa", conta uma familiar da vítima. Arlindo, pedreiro reformado, foi encontrado morto na cama. 

António Borges de Almeida - Arganil

Próximo dali, o primo da vítima, António Almeida, 71 anos, morreu em Póvoa de Cerdeira, ao tentar salvar o carro que tinha deixado numa estrada de terra batida. Ao aperceber-se da aproximação do fogo da viatura tentou retirá-la mas não conseguiu e acabou por morrer queimado. 

Fernando Manuel Antunes Almeida  - Arganil

Fernando Almeida, 58 anos, invisual, "era muito apegado" ao rebanho de cabras e quando se apercebeu de que estavam em perigo, em Cerdeira, Arganil, tentou salvá-las. "Já não saiu de lá", conta a viúva, Fátima Almeida, que conseguiu salvar dois animais. "Ele ficou para trás e foi apanhado pelo fumo."

Fausto Albino de Almeida Lopes  - Arganil

Em Vinhó, Fausto Lopes, de 60 anos, irmão do deputado da CDU Francisco Lopes – que foi candidato à Presidência da República –, sofria de insuficiência respiratória. Não resistiu ao fumo intenso e à ansiedade provocada pelo avançar das chamas e morreu.

Maria da Graça Viegas Ferreira Costa - Oliveira do Hospital (morreu no hospital em Coimbra)

António Peres Costa - Oliveira do Hospital (morreu no hospital em Coimbra)

António Nunes Batista Ferreira - Penacova (morreu no hospital em Coimbra)

João Fernando Tavares Nascimento - Tábua (morreu no hospital em Viseu)

João Nascimento, de 48 anos, morreu em Midões, Tábua, a tentar salvar a casa com o filho. Acabou por morrer no hospital de Viseu.

João Paulo Fonseca da Luz - Nelas

João Paulo da Luz, 50 anos, morreu na segunda-feira, em Nelas, ao volante de uma moto quando tentava fugir do fogo. João vivia em Caldas da Felgueira, Nelas, e aproximou-se da sua casa e da casa do pai, poucos metros ao lado, com mangueiras para tentar afastar as chamas. Depois fugiu de moto mas foi apanhado pelo fogo às portas do cemitério local. A motorizada ficou destruída, na berma da estrada, e o corpo do condutor carbonizado.

António Lopes de Jesus - Carregal do Sal

História idêntica e com o mesmo final, no concelho vizinho de Carregal do Sal: em Papízios, António de Jesus saiu de casa ao perceber que as chamas estavam cada vez mais perto de uma das suas propriedades. Foi de moto até ao local mas caiu. 

A mulher, Laurinda, ainda o ouviu gritar mas já nada conseguiu fazer. "Eu segui o som dos gritos mas quando lá cheguei ele estava queimado com um braço no ar. A roda da frente da moto estava também queimada. Fui embora a correr", contou ao CM a mulher da vítima, lavada em lágrimas.

Álvaro Ferreira da Cal - Oliveira de Frades

Álvaro Cal, de 79 anos, tentou salvar os cães que tinha num anexo, mas foi apanhado pelas chamas e acabou por morrer, juntamente com os seus animais. 

Cidadão estrangeiro - Oliveira do Hospital

Pedro Luís Ribeiro Pereira Neves - Oliveira do Hospital

Pedro Neves, de 45 anos, morreu em Nogueira do Cravo."Nós viemos na direção da morte", diz Odete Ribeiro, mãe de Pedro.

João André Pires Costa e Paulo Alexandre Pires Costa - Oliveira do Hospital

Os irmãos João, de 29 anos, e Paulo, de 34, perderam a vida a poucos metros um do outro. Quando as chamas começaram a devastar as freguesias de Oliveira do Hospital, João e Paulo só pensaram no avô, de 80 anos, e nos animais que estavam presos e precisavam de ajuda. 

O homem vive numa zona de eucaliptal que ficou devastada pelos incêndios e os netos foram em seu socorro. Não conseguiram atravessar o inferno das chamas e morreram carbonizados, na noite de domingo.

O mais novo, João André Pires Costa, era cortador de moldes e estava casado há apenas três meses. Paulo Pires Costa, camionista, era pai solteiro e deixa dois filhos: um rapaz, de 7 anos, e uma menina, de 10.

Maria Celeste Neves Alves - Oliveira do Hospital

Celeste Neves, de 70 anos, não resistiu às chamas que lhe invadiram a casa. O marido tinha saído para ir às compras e Celeste – que tinha pouca mobilidade – ficou na residência.

O fogo chegou e levou-lhe a vida. Morreu carbonizada e a moradia de dois andares, na Quinta da Figueira, da União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira, ficou completamente destruída.

Ramiro Machado Marques Faria - Oliveira do Hospital

Cristiana Maria Gouveia de Brito - Oliveira do Hospital

Cristiana, de 40 anos, fugia de carro com o marido Márcio e a filha Leonor. O pai entregou a filha aos bombeiros (80% do corpo queimado, 3 costelas e um braço partido). Cristiana foi encontrada morta horas depois em S. Gião, Oliveira do Hospital.

Maria Rosa de Lurdes Gouveia Casimiro Marques - Oliveira do Hospital

Maria Fernanda Tavares Tomás Augusto - Oliveira do Hospital

Izilda Freire Mendes Garcia - Oliveira do Hospital

Alfredo António Marques Simões e José Américo Marques Simões- Penacova

José Américo Simões, de 42 anos, e o irmão, de 40, tentavam salvar a apicultura em Vale Maior, Penacova, quando foram surpreendidos pelas chamas e morreram dentro de um armazém. Os dois eram engenheiros e residiam em Coimbra, mas também trabalhavam com o pai na aldeia. 

Perante a aproximação do fogo, foram ajudar a família e morreram. O mais velho deixa uma filha e um filho adolescente. O mais novo era pai de três meninas entre os três meses e os quatro anos.

Almerinda Pinheiro Fernandes - Penacova

Almerinda Pinheiro Fernandes, de 65 anos, estava a fugir de casa em Lagares, Penacova, mas foi surpreendida pelo fogo e morreu na adega.

Ermelinda de Jesus Alves Gomes e Virgílio Costa Gomes - Sta. Comba Dão/Setúbal

Foram encontrados na segunda-feira, em Santa Comba Dão, os corpos carbonizados de Virgílio e Ermelinda, um casal de Setúbal que estava de visita à terra natal. Ao que tudo indica, morreram quando tentavam fugir e se viram encurralados pelas labaredas.

Manuel Ferreira de Matos e Jaime Neves Ferreira - Sta. Comba Dão

Jaime Ferreira e Manuel Matos, ambos na casa dos 50 anos, não resistiram ao rápido avanço das chamas e acabaram por morrer queimados.

José Ferreira - Sta. Comba Dão

Maria Ângela Brás Domingues - Pampilhosa da Serra

António Manuel da Trindade Beilão e Milene Raquel Rosado Bicho - Seia

António Beilão, de 46 anos, e Raquel Bicho, de 30, tinham abandonado a aldeia de Cide, em Seia, com os dois filhos menores mal o fogo se começou a aproximar da localidade no final da tarde de domingo. Mas com o menino de 2 anos e a menina de 8 em segurança no Centro de Dia da vizinha aldeia de Vide, decidiram voltar a casa para tentar recuperar alguns dos bens que tinham deixado para trás. Uma viagem que acabou por lhes custar a vida.

A meio caminho entre as duas aldeias, já de regresso a Vide, numa estrada estreita, o carro conduzido pela mulher despistou-se numa ribanceira e foi apanhado pelas chamas. O corpo de Raquel foi encontrado carbonizado ao volante. António ainda conseguiu sair da viatura e subir a ravina, mas caiu inanimado junto à berma da estrada. 

"Ninguém sabe ao certo como aconteceu o acidente. Mas, na altura, aquela encosta já estava tomada pelas chamas e havia muito fumo e vento. É uma tragédia que nos deixa ainda mais angustiados porque, para além de vermos tudo negro à volta da aldeia, temos que lidar com a morte de dois vizinhos e amigos", diz Joaquim Cruz, emocionado.

Maria Hermínia Miranda Vaz Pereira e José Batista Gonçalves Pereira - Tábua

Em pânico com as chamas de 40 metros de altura que rodeavam a casa, em Quinta da Barroca, Tábua, Hermínia, de 66 anos, e o marido, conhecido por Batista, fugiram de carro mas morreram a 150 metros da residência. Estavam com o filho, de 30 anos, quando o incêndio atingiu a aldeia na tarde de domingo. O filho foi à frente de carro com o cão. Os pais seguiam-no, mas a mãe "quis ir trocar de roupa porque estava de pijama", conta uma vizinha.

Depois ainda percorreram uns metros, mas o veículo foi apanhado pelas chamas. Fugiram a pé mas foram também surpreendidos e ficaram caídos na berma da estrada. Os corpos foram encontrados pelo vizinho Vítor Pinto, que não continha as lágrimas: "Foi horrível. Não imagino o sofrimento. Parecia um barril de pólvora."

Amélia Antunes dos Santos Nascimento - Pinhel/A25

Maria Fernanda Jesus Fernandes - Sever do Vouga/A25

A localidade de Talhadas, em Sever do Vouga, chora a morte de uma filha da terra. Fernanda Fernandes, de 50 anos, professora, morreu num acidente na A25, em Vouzela, quando chocou contra um carro em contramão.

Hermínio Lopes - Tondela

Hermínio da Silva Romão - Tondela

Maria Rosa de Jesus - Vouzela

Maria Rosa Jesus, de 93 anos, morreu enquanto tentava fugir das chamas em Vouzela. "O fogo começou a aproximar-se da casa, estava perto do quarto da minha sogra. Eu peguei nela, meti-a no carro e só pensei em fugir. Afinal, meti-me na boca do lobo. Conduzi 800 metros, mas já não via nada. Tirei-a do carro para irmos a pé, mas ela caiu e eu também. Consegui levantar-me e naquele momento só pensei em ir pedir ajuda. Ela ficou lá e eu já não consegui voltar. Quando finalmente regressei. Estava morta", contou ao CM, em lágrimas, Aurora Amaral, nora de Maria Rosa.

O filho de Maria Rosa tinha ficado a proteger a casa e não seguiu no carro. "A minha mãe não merecia morrer assim", disse José Amaral.

Jorge Manuel Marques do Vale - Vouzela

Jorge Manuel Marques do Vale de 50 anos, emigrante no Luxemburgo há 30, estava em Queirã desde sexta-feira. Tinha vindo a Portugal fazer a escritura de uma casa e já na madrugada de segunda-feira viu-se cercado pelo fogo. "Ele ligou-nos a dizer que ia fugir de casa e depois nunca mais conseguimos falar com ele", disse o filho da vítima.

Arminda de Jesus Lourenço, Fernando de Jesus Lourenço e Laurinda dos Anjos Lourenço - Vouzela

Em Vouzela, só numa casa, morreu Fernando Lourenço, de 70 anos, a mulher Laurinda, de 64, e a irmã do homem, Arminda Lourenço, de 79 anos.

Abílio Rodrigues Moita - Vouzela

Abílio Moita, de 81 anos, foi encontrado na terça-feira morto em casa. O corpo do idoso estava completamente carbonizado e foi encontrado depois dos vizinhos terem dado o alerta de que Abílio ainda não tinha sido visto desde o inínio dos incêndios.

Ulrich Welte - Seia (morreu no hospital no Porto)

A carregar o vídeo ...

Os nomes e as histórias das vítimas do 'pior dia do ano'

 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8