Proteção Civil revela a lista completa dos 45 mortos que sucumbiram aos incêndios de dia 15 de outubro.
1 / 3
A Proteção Civil divulgou esta quinta-feira a lista completa das vítimas do trágico dia de incêndios, 15 de outubro, que assolou Portugal.
Documentos
2017-10-27_01_32.18 InfoVitimasMortais.pdfArlindo Santos Marques - Arganil
No mesmo concelho, o incêndio fez mais duas vítimas mortais. Arlindo Marques, 67 anos, estava a dormir em casa, em Poços, quando foi surpreendido pelas chamas. "O fogo terá entrado pelo quintal e destruiu a casa", conta uma familiar da vítima. Arlindo, pedreiro reformado, foi encontrado morto na cama.
António Borges de Almeida - Arganil
Próximo dali, o primo da vítima, António Almeida, 71 anos, morreu em Póvoa de Cerdeira, ao tentar salvar o carro que tinha deixado numa estrada de terra batida. Ao aperceber-se da aproximação do fogo da viatura tentou retirá-la mas não conseguiu e acabou por morrer queimado.
Fernando Manuel Antunes Almeida - Arganil
Fernando Almeida, 58 anos, invisual, "era muito apegado" ao rebanho de cabras e quando se apercebeu de que estavam em perigo, em Cerdeira, Arganil, tentou salvá-las. "Já não saiu de lá", conta a viúva, Fátima Almeida, que conseguiu salvar dois animais. "Ele ficou para trás e foi apanhado pelo fumo."
Fausto Albino de Almeida Lopes - Arganil
Em Vinhó, Fausto Lopes, de 60 anos, irmão do deputado da CDU Francisco Lopes – que foi candidato à Presidência da República –, sofria de insuficiência respiratória. Não resistiu ao fumo intenso e à ansiedade provocada pelo avançar das chamas e morreu.
Maria da Graça Viegas Ferreira Costa - Oliveira do Hospital (morreu no hospital em Coimbra)
António Peres Costa - Oliveira do Hospital (morreu no hospital em Coimbra)
António Nunes Batista Ferreira - Penacova (morreu no hospital em Coimbra)
João Fernando Tavares Nascimento - Tábua (morreu no hospital em Viseu)
João Nascimento, de 48 anos, morreu em Midões, Tábua, a tentar salvar a casa com o filho. Acabou por morrer no hospital de Viseu.
João Paulo Fonseca da Luz - NelasJoão Paulo da Luz, 50 anos, morreu na segunda-feira, em Nelas, ao volante de uma moto quando tentava fugir do fogo. João vivia em Caldas da Felgueira, Nelas, e aproximou-se da sua casa e da casa do pai, poucos metros ao lado, com mangueiras para tentar afastar as chamas. Depois fugiu de moto mas foi apanhado pelo fogo às portas do cemitério local. A motorizada ficou destruída, na berma da estrada, e o corpo do condutor carbonizado.
António Lopes de Jesus - Carregal do SalHistória idêntica e com o mesmo final, no concelho vizinho de Carregal do Sal: em Papízios, António de Jesus saiu de casa ao perceber que as chamas estavam cada vez mais perto de uma das suas propriedades. Foi de moto até ao local mas caiu.
A mulher, Laurinda, ainda o ouviu gritar mas já nada conseguiu fazer. "Eu segui o som dos gritos mas quando lá cheguei ele estava queimado com um braço no ar. A roda da frente da moto estava também queimada. Fui embora a correr", contou ao CM a mulher da vítima, lavada em lágrimas.
Álvaro Ferreira da Cal - Oliveira de Frades
Álvaro Cal, de 79 anos, tentou salvar os cães que tinha num anexo, mas foi apanhado pelas chamas e acabou por morrer, juntamente com os seus animais.
Cidadão estrangeiro - Oliveira do Hospital
Pedro Luís Ribeiro Pereira Neves - Oliveira do Hospital
Pedro Neves, de 45 anos, morreu em Nogueira do Cravo."Nós viemos na direção da morte", diz Odete Ribeiro, mãe de Pedro.
João André Pires Costa e Paulo Alexandre Pires Costa - Oliveira do Hospital
Os irmãos João, de 29 anos, e Paulo, de 34, perderam a vida a poucos metros um do outro. Quando as chamas começaram a devastar as freguesias de Oliveira do Hospital, João e Paulo só pensaram no avô, de 80 anos, e nos animais que estavam presos e precisavam de ajuda.
O homem vive numa zona de eucaliptal que ficou devastada pelos incêndios e os netos foram em seu socorro. Não conseguiram atravessar o inferno das chamas e morreram carbonizados, na noite de domingo.
O mais novo, João André Pires Costa, era cortador de moldes e estava casado há apenas três meses. Paulo Pires Costa, camionista, era pai solteiro e deixa dois filhos: um rapaz, de 7 anos, e uma menina, de 10.
Maria Celeste Neves Alves - Oliveira do Hospital
Celeste Neves, de 70 anos, não resistiu às chamas que lhe invadiram a casa. O marido tinha saído para ir às compras e Celeste – que tinha pouca mobilidade – ficou na residência.
O fogo chegou e levou-lhe a vida. Morreu carbonizada e a moradia de dois andares, na Quinta da Figueira, da União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira, ficou completamente destruída.
Ramiro Machado Marques Faria - Oliveira do Hospital
Cristiana Maria Gouveia de Brito - Oliveira do Hospital
Cristiana, de 40 anos, fugia de carro com o marido Márcio e a filha Leonor. O pai entregou a filha aos bombeiros (80% do corpo queimado, 3 costelas e um braço partido). Cristiana foi encontrada morta horas depois em S. Gião, Oliveira do Hospital.
Maria Rosa de Lurdes Gouveia Casimiro Marques - Oliveira do Hospital
Maria Fernanda Tavares Tomás Augusto - Oliveira do Hospital
Izilda Freire Mendes Garcia - Oliveira do Hospital
Alfredo António Marques Simões e José Américo Marques Simões- Penacova
José Américo Simões, de 42 anos, e o irmão, de 40, tentavam salvar a apicultura em Vale Maior, Penacova, quando foram surpreendidos pelas chamas e morreram dentro de um armazém. Os dois eram engenheiros e residiam em Coimbra, mas também trabalhavam com o pai na aldeia.
Perante a aproximação do fogo, foram ajudar a família e morreram. O mais velho deixa uma filha e um filho adolescente. O mais novo era pai de três meninas entre os três meses e os quatro anos.
Almerinda Pinheiro Fernandes - Penacova
Almerinda Pinheiro Fernandes, de 65 anos, estava a fugir de casa em Lagares, Penacova, mas foi surpreendida pelo fogo e morreu na adega.
Ermelinda de Jesus Alves Gomes e Virgílio Costa Gomes - Sta. Comba Dão/Setúbal
Foram encontrados na segunda-feira, em Santa Comba Dão, os corpos carbonizados de Virgílio e Ermelinda, um casal de Setúbal que estava de visita à terra natal. Ao que tudo indica, morreram quando tentavam fugir e se viram encurralados pelas labaredas.
Manuel Ferreira de Matos e Jaime Neves Ferreira - Sta. Comba Dão
Jaime Ferreira e Manuel Matos, ambos na casa dos 50 anos, não resistiram ao rápido avanço das chamas e acabaram por morrer queimados.
José Ferreira - Sta. Comba Dão
Maria Ângela Brás Domingues - Pampilhosa da Serra
António Manuel da Trindade Beilão e Milene Raquel Rosado Bicho - Seia
António Beilão, de 46 anos, e Raquel Bicho, de 30, tinham abandonado a aldeia de Cide, em Seia, com os dois filhos menores mal o fogo se começou a aproximar da localidade no final da tarde de domingo. Mas com o menino de 2 anos e a menina de 8 em segurança no Centro de Dia da vizinha aldeia de Vide, decidiram voltar a casa para tentar recuperar alguns dos bens que tinham deixado para trás. Uma viagem que acabou por lhes custar a vida.
A meio caminho entre as duas aldeias, já de regresso a Vide, numa estrada estreita, o carro conduzido pela mulher despistou-se numa ribanceira e foi apanhado pelas chamas. O corpo de Raquel foi encontrado carbonizado ao volante. António ainda conseguiu sair da viatura e subir a ravina, mas caiu inanimado junto à berma da estrada.
"Ninguém sabe ao certo como aconteceu o acidente. Mas, na altura, aquela encosta já estava tomada pelas chamas e havia muito fumo e vento. É uma tragédia que nos deixa ainda mais angustiados porque, para além de vermos tudo negro à volta da aldeia, temos que lidar com a morte de dois vizinhos e amigos", diz Joaquim Cruz, emocionado.
Maria Hermínia Miranda Vaz Pereira e José Batista Gonçalves Pereira - TábuaEm pânico com as chamas de 40 metros de altura que rodeavam a casa, em Quinta da Barroca, Tábua, Hermínia, de 66 anos, e o marido, conhecido por Batista, fugiram de carro mas morreram a 150 metros da residência. Estavam com o filho, de 30 anos, quando o incêndio atingiu a aldeia na tarde de domingo. O filho foi à frente de carro com o cão. Os pais seguiam-no, mas a mãe "quis ir trocar de roupa porque estava de pijama", conta uma vizinha.
Depois ainda percorreram uns metros, mas o veículo foi apanhado pelas chamas. Fugiram a pé mas foram também surpreendidos e ficaram caídos na berma da estrada. Os corpos foram encontrados pelo vizinho Vítor Pinto, que não continha as lágrimas: "Foi horrível. Não imagino o sofrimento. Parecia um barril de pólvora."
Amélia Antunes dos Santos Nascimento - Pinhel/A25
Maria Fernanda Jesus Fernandes - Sever do Vouga/A25A localidade de Talhadas, em Sever do Vouga, chora a morte de uma filha da terra. Fernanda Fernandes, de 50 anos, professora, morreu num acidente na A25, em Vouzela, quando chocou contra um carro em contramão.
Hermínio Lopes - Tondela
Hermínio da Silva Romão - Tondela
Maria Rosa de Jesus - Vouzela
Maria Rosa Jesus, de 93 anos, morreu enquanto tentava fugir das chamas em Vouzela. "O fogo começou a aproximar-se da casa, estava perto do quarto da minha sogra. Eu peguei nela, meti-a no carro e só pensei em fugir. Afinal, meti-me na boca do lobo. Conduzi 800 metros, mas já não via nada. Tirei-a do carro para irmos a pé, mas ela caiu e eu também. Consegui levantar-me e naquele momento só pensei em ir pedir ajuda. Ela ficou lá e eu já não consegui voltar. Quando finalmente regressei. Estava morta", contou ao CM, em lágrimas, Aurora Amaral, nora de Maria Rosa.
O filho de Maria Rosa tinha ficado a proteger a casa e não seguiu no carro. "A minha mãe não merecia morrer assim", disse José Amaral.
Jorge Manuel Marques do Vale - Vouzela
Jorge Manuel Marques do Vale de 50 anos, emigrante no Luxemburgo há 30, estava em Queirã desde sexta-feira. Tinha vindo a Portugal fazer a escritura de uma casa e já na madrugada de segunda-feira viu-se cercado pelo fogo. "Ele ligou-nos a dizer que ia fugir de casa e depois nunca mais conseguimos falar com ele", disse o filho da vítima.
Arminda de Jesus Lourenço, Fernando de Jesus Lourenço e Laurinda dos Anjos Lourenço - Vouzela
Em Vouzela, só numa casa, morreu Fernando Lourenço, de 70 anos, a mulher Laurinda, de 64, e a irmã do homem, Arminda Lourenço, de 79 anos.
Abílio Rodrigues Moita - Vouzela
Abílio Moita, de 81 anos, foi encontrado na terça-feira morto em casa. O corpo do idoso estava completamente carbonizado e foi encontrado depois dos vizinhos terem dado o alerta de que Abílio ainda não tinha sido visto desde o inínio dos incêndios.
Ulrich Welte - Seia (morreu no hospital no Porto)
Os nomes e as histórias das vítimas do 'pior dia do ano'
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.