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INEM apura circunstâncias de morte de jovem e inoperacionalidade da VMER em Vila Real

Mulher de 20 anos recebeu manobras de Suporte Básico de Vida com recurso a Desfibrilhador Automático Externo mas acabou por morrer.

26 de junho de 2026 às 13:26

O INEM está a apurar as circunstâncias em que uma jovem morreu, em Vila Real, depois de um alerta para uma paragem cardiorrespiratória e de se ter verificado a inoperacionalidade da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).

Fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) disse esta sexta-feira à agência Lusa que recebeu, às 12h58 de quinta-feira, um alerta no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) para uma mulher, de 20 anos, com queixas de dispneia (dificuldade respiratória), em Vila Real.

Referiu ainda que, atendendo ao facto de os meios de emergência médica mais próximos se encontrarem empenhados noutras ocorrências, foi acionada a ambulância dos bombeiros voluntários de Santa Marta de Penaguião, por ser o meio disponível mais próximo.

Segundo o INEM, após informação transmitida pela equipa local de que a vítima se encontrava em paragem cardiorrespiratória, foi acionada a VMER do Hospital de Vila Real.

"No momento em que iniciava a deslocação, a equipa comunicou ao CODU a inoperacionalidade da viatura, tendo essa informação sido de imediato transmitida à equipa no local, que prosseguiu a assistência à vítima, realizando manobras de Suporte Básico de Vida com recurso a Desfibrilhador Automático Externo", referiu ainda a fonte.

O INEM disse que se encontra a "apurar as circunstâncias da ocorrência" e endereçou condolências à família da vítima.

Contactado pela Lusa, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro, contou que chegou na quinta-feira uma denúncia a este sindicato, sobre a qual está agora a recolher mais dados, que dava conta de que uma jovem de 20 anos teve uma paragem cardiorrespiratória, que as duas corporações de bombeiros do concelho de Vila Real estariam sem ambulâncias disponíveis e que foram acionados os bombeiros de Santa Marta de Penaguião, a cerca de 20 quilómetros de distância.

"Sendo uma situação grave, requer também o envio da VMER, que não terá saído porque estava inoperacional com um problema na chave da viatura que não era reconhecida", disse Rui Lázaro.

O responsável acrescentou ainda que, "uma vez que não havia VMER disponível, a vítima não teve acesso a suporte avançado de vida, prestados pelos meios diferenciados do INEM e que, quando é assim, os bombeiros têm que fazer o transporte em manobras de reanimação até à presença de um médico".

Depois, apontou, o médico do hospital "terá confirmado o óbito".

O comandante dos bombeiros de Santa Marta de Penaguião, António Guedes, confirmou que a corporação foi acionada para uma ocorrência na cidade de Vila Real, cerca das 13:20 de quinta-feira.

Disse ainda que os bombeiros fizeram o transporte da vítima para o hospital de Vila Real, inserido na Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Questionado sobre se as avarias nas viaturas VMER são uma situação recorrente, Rui Lázaro respondeu que "infelizmente, cada vez mais".

"Temos recebido relatos praticamente diários de viaturas médicas, que são as mais diferenciadas do sistema, inoperacionais por avaria. Esta semana já foi também em Vila Nova de Gaia, em Santa Maria da Feira, está a acontecer permanentemente sem que o INEM encontre uma solução", referiu.

O responsável disse ainda que há "dezenas de viaturas nas oficinas para arranjar" e que, alegadamente, segundo informação que chegou ao sindicato, "todos os arranjos com valor superior a mil euros têm que ser validados pelo conselho diretivo e não estão a ser".

"Então há várias oficinas, sobretudo no Porto e Lisboa, com dezenas de viaturas do INEM para reparação, que não são reparadas por falta de indicação do INEM", acrescentou.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar disse que vai enviar uma carta para a ministra da Saúde a dar nota desta situação.

"Sem grande perspetiva de que nos apresente uma solução, mas não podemos deixar de o fazer, e daremos também conhecimento ao senhor Presidente da República de quem aguardamos ainda uma audiência", salientou.

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