Empresário esteve mais de sete horas em interrogatório.
Interrogatório a Custódio Correia suspeito de corrupção na Madeira continua esta sexta-feira
O interrogatório ao empresário Custódio Correia, um dos três detidos suspeitos de corrupção na Madeira, vai continuar na sexta-feira às 9h30, revelou esta quinta-feira o advogado, afirmando que o seu cliente diz que "não fez nada de mal".
"Continua amanhã [sexta-feira] às 9h30", afirmou André Navarro de Noronha, que representa Custódio Correia, principal acionista do grupo ligado à construção civil Socicorreia, à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, no Campus de Justiça, em Lisboa, pelas 18h30.
O interrogatório a Custódio Correia teve início na quarta-feira pelas 19h30, uma semana depois da detenção dos três suspeitos, tendo os trabalhos sido interrompidos às 20h00 e retomados hoje pelas 9h45 e interrompidos cerca das 18h30, além de uma pausa de almoço, de acordo com fonte judicial.
Além de Custódio Correia estão detidos o ex-presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado (PSD), e Avelino Farinha, líder do grupo de construção AFA.
"Falta eu fazer as perguntas. De resto, o Ministério Público já fez, o senhor doutor juiz também, falta só eu fazer alguns pedidos de esclarecimento", adiantou o advogado de Custódio Correia, referindo que o interrogatório "é como as cerejas".
André Navarro de Noronha disse que o empresário Custódio Correia "está a contribuir para o esclarecimento da verdade" e "respondeu, rigorosamente, a todas as perguntas que lhe fizeram e esclareceu todos os aspetos que lhe perguntaram", tendo sido "confrontado com elementos do processo".
A justificação de Custódio Correia é que "não fez nada de mal", apontou o advogado.
Pelas 14h00 desta quinta-feira , Raul Soares da Veiga, mandatário de Avelino Farinha, líder do grupo de construção AFA, que é um dos três detidos no processo, disse que os advogados tinham sido chamados "de urgência" ao tribunal.
À saída do tribunal, pelas 18h30, Raul Soares da Veiga afirmou que "foi um equívoco", sem adiantar mais informação, referindo que espera que o seu cliente seja ouvido na sexta-feira.
Fonte judicial adiantou que a chamada dos advogados foi motivada pela apresentação de novas provas no processo relacionadas com o novo Hospital Central e Universitário da Madeira, construído pelo grupo de construção civil AFA.
O advogado do ex-presidente da Câmara do Funchal, que entrou apressadamente no tribunal pelas 14h00, saiu cerca das 17h00, recusando explicar aos jornalistas o que motivou a sua presença no dia de hoje, adiantando que só conta voltar no sábado, quando se prevê o início do interrogatório a Pedro Calado, que será o último dos três detidos a ser ouvido.
Os três suspeitos de corrupção na Madeira estão detidos desde 24 de janeiro, o que perfaz já nove dias privados de liberdade, situação que se manterá até o anúncio das medidas de coação que só serão conhecidas após a conclusão dos interrogatórios, o que se prevê para a próxima semana.
De acordo com fonte judicial, o processo foi distribuído ao juiz Jorge Bernardes de Melo, do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, e depois de Custódio Correia deverá ser ouvido Avelino Farinha e, por último, o ex-presidente da Câmara do Funchal.
Pedro Calado, que formalizou na segunda-feira a renúncia ao cargo de presidente da maior câmara da Madeira, Custódio Correia e Avelino Farinha foram detidos em 24 de janeiro, na sequência de cerca de 130 buscas domiciliárias e não domiciliárias efetuadas pela Polícia Judiciária (PJ) sobretudo na Madeira, mas também nos Açores e em várias zonas do continente.
A operação também atingiu o presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, que foi constituído arguido e oficializou na segunda-feira a renúncia ao cargo, que tinha anunciado na sexta-feira.
De acordo com documentos judiciais a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público refere que o presidente do Governo Regional da Madeira, o ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal e o líder do grupo de construção AFA estabeleceram, "ao longo do tempo, uma relação de particular proximidade e confiança" que terá beneficiado aquele grupo empresarial "ao arrepio das regras da livre concorrência e da contratação pública".
Entre os contratos alvo de investigação criminal, de acordo com os documentos judiciais estão a concessão de serviço público de transporte rodoviário de passageiros na ilha da Madeira, a concessão do Teleférico do Curral das Freiras, o projeto da Praia Formosa e o Funchal Jazz 2022-2023.
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