page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Juíza do caso BES ameaça Ordem dos Revisores de Contas

Magistrada tinha pedido um parecer sobre a “adequação do preço” apresentado por uma empresa para realizar uma perícia. Ordem disse não ter competência para “estabelecer honorários”

27 de junho de 2025 às 12:18

A juíza presidente do coletivo que está a julgar o processo do antigo Banco Espírito Santo (BES) ameaçou a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (OROC) com um multa e “outros meios coercivos que forem possíveis” caso a instituição mantenha a recusa em dar um parecer sobre os 233 mil euros de orçamento apresentados pela Mazzars para fazer uma perícia técnica ao processo.

A reação de magistrada Helena Susano surgiu na sequência de uma primeira recusa da OROC em dar parecer sobre o valor apresentado. A juíza, num despacho a que o NOW teve acesso, tinha pedido a intervenção da Ordem sobre a “adequação do preço constante do orçamento apresentado” pela Mazzars. Em resposta, a instituição liderada por Virgílio Macedo, antigo deputado do PSD, respondeu, afirmando que os “honorários dos revisores oficiais de contas e das sociedades de revisores oficiais de contas são fixados por acordo entre as partes”. “Assim funcionam as regras da concorrência”, referiu a OROC ao tribunal, “não podendo a Ordem estabelecer honorários de trabalhos a realizar”, acrescentou a resposta.

Esta semana, num novo despacho, a juíza - que está a julgar Ricardo Salgado, Morais Pires (o autor do pedido para a realização desta perícia), Isabel Almeida, entre outros arguidos - considerou “existir um lapso de interpretação da OROC relativamente ao ordenado pelo tribunal”.

Concretizou Helena Susana que a ordem foi dada não para que a Ordem “fixasse honorários”, mas sim para que desse o seu “parecer sobre a adequação do valor apresentado ao tribunal, o que, como é evidente, é coisa distinta”.

Depois de Alencar vários diplomas legais para sustentar a sua posição e o dever de colaboração da OROC com o tribunal, Helena Susana deu 15 dias para a emissão do parecer, deixando claro que, como refere a lei, quem recusar a “colaboração devida será condenado em multa, sem prejuízo dos meios coercivos que forem possíveis”.

A perícia pedida pelo antigo administrador Amílcar Morais Pires, acusado de 24 crimes, a vários movimentos financeiros do antigo BES está a provocar um sério contratempo no julgamento. Numa primeira fase, os juízes começaram por enviar a fatura do trabalho ao próprio arguido (190 mil euros+IVA). Posteriormente, o Ministério Público interveio, considerando que Morais Pires, de acordo com a lei, só deveria desembolsar o dinheiro no final do processo (com trânsito em julgado da decisão) e se fosse condenado. Ou seja, por agora, seriam os contribuintes a pagar o trabalho da Mazzars.

O julgamento do principal processo relacionado com a queda do BES, em 2014, teve início em outubro do ano passado. Ricardo Salgado, o antigo presidente da instituição, foi acusado de 65 crimes, mas parte deles já prescreveram e outros prescrevem até ao final deste ano. Devido à sua condição de doente de Alzheimer, o antigo banqueiro foi dispensado de comparecer em tribunal.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8