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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Lanchas de alta potência vão carregar cocaína de narcosubmarinos quase no meio do Oceano Atlântico

Diretor Nacional da PJ, Luís Neves, alerta que organizações criminosas estão mais violentas e usam com frequência armamento de guerra. Tema foi debatido durante uma conferência na Diretoria do Sul da Polícia Judiciária, em Faro.

13 de novembro de 2025 às 19:38

Têm 3 ou 4 motores de alta potência e podem custar até 250 mil euros. As narcolanchas, que antes eram apenas usadas para o transporte de haxixe desde o Norte de África para a Europa, agora vão quase até ao meio do Oceano Atlântico para recolher cocaína em narcosubmarinos ou navios mercantes. O tema foi debatido durante uma conferência realizada, esta quinta-feira, na Diretoria do Sul da Polícia Judiciária, em Faro. 

Este aumento de poder das organizações criminosas está a deixar as autoridades em alerta. "Estas embarcações eram usadas para o transporte de haxixe, mas nos últimos tempos temos registado um aumento muito significativo do recurso a este tipo de embarcações para a recolha em alto mar de grandes quantidades de cocaína vinda da América Latina", assumiu Artur Vaz, diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária.

O fenómeno está a ser cuidadosamente estudado pelo Centro de Análise e Operações Marítimas (MAOC). "Estas organizações têm cada vez mais recursos. Usam lanchas bem equipadas que vão quase até às mil milhas náuticas. Podem sair da Península Ibérica e chegar até aos Açores ou Madeira. Podem atingir velocidades até aos 130km/h", explicou Paulo Silva, analista chefe do MAOC.

Segundo o Diretor Nacional da PJ, Luís Neves, estas organizações estão mais violentas e usam com frequência armamento de guerra. O último caso de extrema violência acabou com a morte de um militar da GNR no rio Guadiana. "As macro máfias e organizações criminosas aportam a elevados níveis de crime como homicídios e raptos. Há muitos casos em que sicários vieram a Portugal para fazer aqui ajustes de contas porque a droga não foi entregue ao seu proprietário", revelou Luís Neves, que alerta que estas  organizações criminosas “estão cada vez mais sofisticadas” e atuam à escala global, recordando que, nos últimos meses, "a GNR foi confrontada com a utilização armas de guerra AK 47" em duas operações. 

O líder da PJ considera que estamos perante "um dos maiores desafios do nosso tempo" e apelou a uma ainda maior "lealdade institucional", avisando que "o tempo atual não está para experimentalismos". 

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